O Ferrari de 6 rodas

Monolugares com seis rodas foram escassos na Fórmula 1. O mais conhecido deles foi o Tyrrell P34 – o único que fez mesmo Grandes Prémios, tendo até ganho um deles.

Depois, surgiu o March 240, baseado no 771, mas esta ideia assinada por Max Mosley e Robin Herd não passou de incipientes testes, com Ian Scheckter e Alex Dias Ribeiro. Do March houve mesmo um segundo chassis, que fez rampas em Inglaterra, com Roy Lake ao volante. Ambos desapareceram, não se sabendo sequer o que foi feito deles, acreditando-se que tenham sido refeitos e utilizados eventualmente em provas de “Fórmula Libre”, rampas, “sprint” ou mesmo Interseries.

Até aqui, tudo bem. O Tyrrell e o March eram ‘simples’ chassis com seis rodas, quatro ou duas direcionais e as restantes de tração. Porém, houve quem tivesse ido mais longe. Exercícios de tração total na competição surgiram com Tissier, sendo depois continuados com Christian de Léotard, que deu corpo a conceitos no mínimo estranhos, como o Renault R5 TS com dois eixos traseiros e quatro rodas. Léotard chegou a participar no Dakar com carros por si concebidos, com dois eixos de tração. O curioso da questão é que também a Ferrari tentou a sua sorte.

Estava- se em 1976 quando surgiu uma versão de seis rodas do 312 T2. Rebatizado T6, tinha um único eixo traseiro, mas com duas rodas de cada lado, tal como o Auto Union da rampas de antes da II Grande Guerra, ou o ERA de Raymond Mays. Tanto Regazzoni como Lauda testaram o T6 e o austríaco ficou tão impressionado que sugeriu mesmo que fosse usado em corrida. Acredita-se que, se não fosse o seu acidente, teria pilotado o T6 no GP de Itália! Na Primavera de 1977, o carro foi também visto em Fiorano, desta feita com Carlos Reutemann. Ainda durante 1976, algumas revistas mostraram fotos de um Ferrari com oito rodas – o T8. O realismo era tal que toda a gente ficou deslumbrada com o arrojo – até a marca desmentir a existência do carro, adiantando que era uma brincadeira!

José Luis Abreu/Autosport