Nico Rosberg tem este fim de semana uma excelente oportunidade de repetir o feito que o seu pai conseguiu em 1982, tornar-se Campeão do Mundo de Fórmula 1. Vamos recordar como Keke Rosberg foi campeão de F1 em 1982…

Keijo Erik ‘Keke’ Rosberg, nasceu em Solna, Estocolmo a 6 de dezembro de 1948 e é pai do atual piloto da Mercedes, Nico Rosberg. Ao contrário do seu filho, caso este consiga ser Campeão, ‘Keke’ foi, talvez o mais improvável dos campeões do Mundo. Quando chegou à Williams, contratado para substituir Alan Jones, que se ‘reformou’ pela primeira vez, estava na F1 já desde 1978 – mas tinha apenas duas temporadas completas e ambas na Fittipaldi. Somente tinha entrado nos pontos por duas vezes, em 1980 – e numa delas subido ao pódio, no GP da Argentina, a prova de abertura desse mundial. Ah! E a surpreendente vitória – a única de um Theodore na F1! – no encharcado Silverstone International Trophy uma prova de F1 que não pontuava para o Mundial em 1978.

Por isso, quando, no GP de Las Vegas, festejou efusivamente a conquista do seu (único) título de Campeão do Mundo, esse feito não bastou para ganhar o respeito dos seus colegas de pista ou sequer dos adeptos da F1. Que, durante muitos anos (alguns mesmo ainda hoje!) insistem que esse foi o título mais mal entregue da história da F1. Felizmente – ou não – hoje Keke Rosberg já não está sozinho, pois os habituais “especialistas de sofá” da F1 insistem na mesma tecla, em relação a, imagine-se, Damon Hill e Jacques Villeneuve que, juntos, ganharam nos anos em que se sagraram campeões do Mundo, nada mais que 15 GP (8 + 7)!

Mas vejamos o que disse, na altura, o AutoSport sobre este fresco campeão do Mundo, de fartos bigodes louros e um ar pachorrento e de bem com a vida e que, no caminho para o Olimpo, apenas conseguiu vencer uma corrida, o GP da Suíça, batendo por escassos cinco pontos Didier Pironi, que estava então numa cama de um hospital desde meados da temporada e nunca mais voltou a pilotar um F1 e John Watson, que venceram, juntos, quatro GP.

“Keke Rosberg (…) Campeão de uma nova era (…) sagrou-se em Las Vegas , depois de uma corrida cautelosa (…).” – disse o nosso jornal, logo na capa. E continuou assim: “Depois de um ano em busca da qualificação [no Fittipaldi] (…), o finlandês da Williams tornou-se o primeiro piloto de F1 a receber a coroa do título máximo sem ter obtido qualquer ponto na época anterior”. Sintomático!

O AutoSport foi mais longe, ao caraterizar assim o feito de Rosberg: “Com uma carreira iniciada no karting, este ‘Campeão que veio do frio’ sucede a homens como Stewart, Clark, Hill, Fittipaldi, Lauda, demarcando nitidamente a barreira entre aquela geração e a atual, que não tem tempo para forjar um nome, uma tradição. Rosberg depois de Piquet, corre o risco de ser um ‘Campeão do Mundo para consumo imediato’, dependente dos interesses dos construtores de carros de F1. A tecnologia, os regulamentos, os interesses comerciais relegaram para plano secundário a personalidade dos pilotos.” Estranhamente, o tempo veio dar razão ao que o AutoSport escreveu nessa altura…

PALMARÉS NA F1

GP F1 disputados: 128 (114 largadas)

1º GP F1: GP África do Sul 1978

Último GP F1: GP Austrália 1986

Vitórias: 5

1ª vitória F1: GP Suíça 1982

Última vitória F1: GP Austrália 1985

“Pole positions”: 5

Voltas mais rápidas: 3

Pódios: 17

Pontos: 159,5

Marcas: Theodore (1978); ATS (1978); Wolf (1978-79); Fittipaldi (1980-81); Williams (1982-85); McLaren (1986)

ANO A ANO

1978 – Theodore: 5 GP; 1 NQ; 4 NPQ. ATS: 5 GP; Wolf: 4 GP; 1 NPQ. Não pontuou

1979 – Wolf: 8 GP; 1 NQ. Não pontuou

1980 – Fittipaldi: 14 GP; 3 NQ; 10º CM, 6 pontos

1981 – Fittipaldi: 14 GP; 4 NQ. Não pontuou

1982 – Williams: 15 GP; 1 vitória (GP Suíça), 1 DQ; 1º CM, 44 pontos (Campeão do Mundo)

1983 – Williams: 15 GP; 1 vitória (GP Mónaco); 1 DQ; 5º CM, 27 pontos

1984 – Williams: 16 GP; 1 vitória (GP Dallas); 8º CM, 20,5 pontos

1985 – Williams: 16 GP; 2 vitórias (GP Detroit e Austrália); 3º CM, 40 pontos

1986 – McLaren: 16 GP; 6º CM, 22 pontos

José Luis Abreu / Autosport