A história de Nico Rosberg conta-se quase sempre com uma ligação intrínseca à competição, numa inevitabilidade decorrente do seu próprio apelido. Filho de Keke Rosberg, campeão do mundo de Fórmula 1 em 1982, Nico Erik Rosberg nasceu três anos depois, em 1985, sendo fácil de perceber que, neste caso, ‘filho de peixe, soube nadar’.

Com dupla nacionalidade, Nico Rosberg optou, contudo, pela alemã para competir na Fórmula 1, tendo granjeado um caminho de sucesso nas categorias de promoção por onde passou. Desde logo, os primeiros tempos de sucesso foram alcançados na Fórmula 3 Euro Series, competição na qual tomou parte ao serviço da equipa do seu pai, a Team Rosberg, defrontando em 2003 nomes bem conhecidos como Robert Kubica e Timo Glock, curiosamente também eles com passagens pela Fórmula 1, mas sem o mesmo sucesso que Rosberg. Com a sua saída da modalidade, perde-se também o derradeiro dos três pilotos que animaram aquele campeonato e que ainda permanecia na Fórmula 1.

O primeiro sinal de que Rosberg teria capacidades para repetir o feito do seu pai foi dado em 2005, quando o jovem alemão se sagrou campeão na GP2 Series com a ART, vencendo o primeiro ano em que a categoria se disputou em sucessão à Fórmula 3000.

Numa coincidência de relevo, Nico Rosberg foi promovido à Fórmula 1 em 2006, assinando com a Williams, a mesma pela qual o seu pai venceu o título de 1982. Ao serviço da equipa de Grove, Nico Rosberg tratou de dar nas vistas, alcançando prestações que o colocaram nos radares das demais formações.

O regresso das ‘flechas de prata’

O ponto de viragem na sua carreira deu-se em 2010, quando se transferiu da Williams para a Mercedes, marca que havia anunciado o seu regresso à modalidade a nível oficial depois de diversos anos de fornecimento de motores à McLaren. A seu lado, Rosberg tinha uma lenda viva do desporto automóvel, nada mais, nada menos, do que o regressado Michael Schumacher, piloto com sete títulos mundiais que saía da sua ‘reforma’ para regressar ao ativo.

A receita parecia a mais indicada para o sucesso, com Michael Schumacher e Ross Brawn (que, num conto de ‘fadas’, havia salvo a equipa de Brackey depois da saída da Honda no final de 2008 e alcançado o título de 2009) a reencontrarem-se na mesma equipa, ao passo que Rosberg era visto como um potencial novo escudeiro para as pretensões desportivas de Schumacher.

Mas, numa era muito diferente da Fórmula 1, Rosberg depressa mostrou que não queria ter o mesmo destino que pilotos como Jos Verstappen, Johnny Herbert, Eddie Irvine ou Rubens Barrichello e depressa deu a entender que tinha argumentos para se impor. Com um monolugar muitas vezes pouco competitivo, acabou por ter mais sucesso do que o veterano compatriota da sua equipa, com este a conseguir equilibrar a contenda interna apenas no seu terceiro ano com a Mercedes.

No final de 2012, Schumacher sai de cena, retirando-se definitivamente, com a Mercedes a contratar para o seu lugar o campeão de 2008, Lewis Hamilton, que na McLaren vinha a perder a competitividade. Tratava-se de um reencontro entre os dois pilotos, depois de ambos terem competido juntos nos karts, ainda na adolescência. Foi apenas com a mudança de regulamentos em 2014, com a chegada de motores híbridos turbo V6 que Nico Rosberg e Lewis Hamilton começaram a impor o ritmo na Fórmula 1.

Após duelos que, por vezes, roçaram a animosidade pura em pista, Rosberg foi batido por Hamilton nos anos de 2014 e de 2015, mas na época de 2016 tudo se conjugou para o tão ambicionado título por parte de Rosberg, que conseguiu vencer Hamilton na luta que se tornou quase monocórdica pelos campeonatos da categoria. Numa prova emotiva, em que todos os olhos estavam postos em si e na prestação de Hamilton, bastou a Rosberg ser o segundo (atrás de Lewis Hamilton) para arrecadar o seu primeiro e último título da F1.

No final da sua carreira, Rosberg leva números de peso: 23 triunfos em grandes prémios, 30 pole positions. 57 posições no pódio e 20 voltas mais rápidas.

Num ano em que se despediram da Fórmula 1 nomes como Jenson Button e Felipe Massa, eis outra cara familiar que vai deixar de constar nos paddock de 2017.