Recorde o primeiro triunfo de Nico Rosberg na F1

Apesar de se ter estreado na F1 em 2006, só em 2012 Nico Rosberg alcançou a sua primeira vitória, que teve lugar no GP da China. Vamos recordá-la…

Nico Rosberg quebrou finalmente o enguiço, venceu o GP da China com grande à vontade, depois de 110 participações em Grandes Prémios sem sucesso. E deu à Mercedes o seu primeiro triunfo como construtor em quase 57 anos, no que promete ser a primeira de muitas, tanto para o piloto como para a equipa alemã.

E o resultado final só não foi melhor para os germânicos porque um erro nas boxes levou ao abandono prematuro de Michael Schumacher, pois a roda anterior direita do seu W03 ficou mal presa depois da sua primeira paragem, mas nem isso foi suficiente para diminuir o entusiasmo dos homens de Brackley e Estugarda, que festejaram condignamente no final da corrida.

Se já se sabia que os Mercedes seriam muito rápidos em Xangai, pois a enorme reta do circuito chinês seria um palco de eleição para o seu sistema de duplo DRS, a julgar pelo que se tinha visto nas duas primeiras corridas do ano os W03 deveriam ser bastante mais gastadores de pneus que os seus rivais, o que comprometeria as aspirações de Rosberg e Schumacher.

Mas foi exatamente o contrário que aconteceu, pois Rosberg dominou a corrida de princípio a fim, apesar de só ter efetuado duas trocas de pneus, enquanto os homens da McLaren e Mark Webber, que terminaram atrás de si, necessitaram de trocar de pneus por três vezes e nunca conseguiram recuperar na pista o tempo perdido nas boxes. Isto, também, depois de terem perdido rapidamente o contacto com o jovem alemão antes da primeira paragem, pois o seu ritmo era verdadeiramente endiabrado.

O que aconteceu, então, para a Mercedes eliminar, de forma milagrosa, os problemas crónicos que tinha com a degradação dos seus pneus. Rosberg disse-nos que, “depois do GP da Malásia fizemos um grande trabalho de análise dos nossos problemas, mudamos bastante a forma de acertar o carro, tentando perder o mínimo possível de eficiência em qualificação, mas apostando tudo em ganhar eficácia na corrida. Mas a verdade é que aqui fomos ainda mais fortes na qualificação e na corrida não tivemos qualquer problema com a gestão dos pneus.”

Temperatura ajudou

Ross Brawn, confirmou que a equipa tinha, “alterado de forma substancial a forma de pensar no acerto, pois não podíamos continuar a usar os pneus da mesma maneira”, acabou por admitir que, “a temperatura do asfalto também nos ajudou muito, porque encontramos o “ponto de rebuçado” para estas condições e isso não aconteceu com os nossos rivais. Se a temperatura tem subido três ou quatro graus tudo poderia ser diferente, mas também estávamos preparados para reagir se fosse esse o caso.”

Não foi e, por isso, Rosberg fez uma verdadeira caminhada triunfal, mais a mais, porque Schumacher abandonou cedo e Button – o único com um andamento que se assemelhava um pouco ao seu – perdeu seis segundos e quatro preciosas posições nas boxes, aquando da sua última troca de pneus, deixando o alemão completamente tranquilo.

Raramente expansivo, Rosberg foi dos menos emotivos estreantes vencedores de que temos memória, repetindo que “tudo correu na perfeição, a equipa fez um trabalho magnífico e estamos todos de parabéns.” Já Schumacher, que perdera 6,2s para o seu companheiro de equipa nas primeiras onze voltas, recusou-se a culpar a equipa que lhe custou um provável segundo lugar e fez os possíveis por se juntar à festa de Rosberg, mesmo se tinha, naturalmente, dificuldade em disfarçar a sua deceção.

McLaren ainda sonhou

Para a McLaren o duplo pódio de Button e Hamilton ajudou a equipa a reforçar a sua liderança no Mundial de Construtores, com 24 pontos de vantagem sobre a Red Bull e já 51 de avanço sobre a Ferrari – depois de apenas três corridas…. – mas a diferença de andamento para Rosberg deixou os ingleses preocupados.

Hamilton ainda meteu uma lança em África ao separar os dois pilotos da Mercedes na qualificação, mesmo se caiu para a sétima posição na grelha devido á penalização imposta por ter mudado de caixa de velocidades. Isso deixou os comandados de Martin Whitmarsh esperançados num triunfo dum dos seus pilotos, pois toda a gente esperava que os Mercedes perdessem rapidamente eficácia em corrida, mas não foi isso que aconteceu.

Button e Hamilton passaram a primeira parte da prova na terceira e na quinta posição, respetivamente, e passaram a seguir Rosberg depois da primeira troca de pneus coletiva, beneficiando do abandono de Schumacher, com Hamilton a superar Raikkonen nas boxes. Apesar de ter recuperado de 4,7s para 4,3s entre a 18ª e a 23ª volta, encurtando a liderança de Rosberg, Button comprometeu as suas hipóteses ao apostar numa estratégia com três paragens, contra duas do alemão. Ou seja, além de já estar atrás do piloto da Mercedes ainda teria de lhe recuperar mais 15 segundos perdidos nas boxes, tarefa que seria, no mínimo, complicada.

E de complicada passou a impossível quando um problema com a roda traseira esquerda estragou a sua última paragem nas boxes, com a recuperação até ao segundo posto a ser conseguida em apenas onze voltas, à custa de Vettel e dos dois pilotos da Lotus.

Já Hamilton perdeu o contacto com o seu companheiro de equipa ao perder muito tempo atrás de Raikkonen e nunca mais recuperou. Só quando o finlandês aguentou um enorme pelotão atrás de si, a partir de 40ª volta, é que voltou a ter Button por perto, mas necessitou de mais voltas que o seu companheiro de equipa para se desfazer de Grosjean, Raikkonen e Vettel, até porque teve de ultrapassar outros pilotos que só tinham parado duas vezes, pelo que lhe era impossível pedir mais do que o terceiro lugar.

Para a McLaren começa a ser preocupante a dificuldade em fazer funcionar bem os pneus da Pirelli em temperaturas mais baixas, pois o nível de degradação foi dos mais elevados do plantel e não é no Bahrein que vão encontrar a solução, pois o asfalto árabe deverá chegar aos 50º graus, o trabalho de casa terá de ser feito antes dos testes do Mugello, que vão decorrer nos primeiros três dias de maio.

Quem só olhar para a performance de Nico Rosberg na qualificação e na corrida até poderá pensar que está a observar um veterano campeão, sabedor de todos os segredos da boa gestão de um fim de semana de corridas. Mas a verdade é que tanto a pole position como a vitória conseguidas por Rosberg em Xangai foram as primeiras da sua carreira, depois de 111 tentativas. Mas para o alemão valeu a pena esperar, pois o seu fim de semana foi simplesmente perfeito. Fabuloso na qualificação, dominou a corrida de princípio a fim, não teve de efetuar qualquer ultrapassagem, nem sequer depois das duas trocas de pneus. E controlou, como quis, o ritmo nas últimas voltas para ganhar com enorme autoridade.