Numa medida para aliviar o tráfego e a poluição na cidade de Londres, no Reino Unido, a empresa de arquitetura PLP, sediada naquela mesma cidade, imaginou um conceito de mobilidade em que o trânsito automóvel beneficia do mesmo conceito que o metropolitano.

A premissa passa, muito simplesmente, por ‘enterrar’ o tráfego sob a ideia de que a cidade deve ser para os peões e para se desfrutar sem condicionalismos relacionados com o trânsito.

O conceito foi pensado por Lars Hesselgren, em conjunto com a sua equipa da PLP, recebendo a denominação CarTube, numa réplica do conceito que se aplicou no metropolitano, mas também com um elevado cunho tecnológico.

Os automóveis utilizados neste sistema seriam autónomos e estariam conectados em rede, havendo ainda a necessidade de serem elétricos por uma questão de extração de emissões. Contudo, a aplicação desta ideia conta com alguns entraves, a começar pela exigência de construção de novos túneis adaptados a esta rede de mobilidade, o que levaria a gastos consideráveis, quer em termos financeiros, quer em termos temporais.

A PLP garante que o facto de os túneis serem mais pequenos e de não ser necessária a construção de uma rede de extração de gases poderia tornar o seu custo de construção mais reduzido, mas o maior entrave a este plano estará no já congestionado subsolo daquela cidade. Sede daquela que foi a primeira rede de metropolitano do mundo (em 1863) e detentora de um dos maiores e mais bem planificados sistemas de transportes, Londres tem hoje um subsolo bastante preenchido, entre a presença de sistemas de esgotos, drenagem e cabos para os mais diversos serviços.

Visão de mobilidade

A PLP Architecture estabelece, para este sistema, um modo de utilização simples, que se basearia numa rede de túneis subterrâneos espaçados por um quilómetro e que estariam ligados a infrestruturas rodoviárias existentes. Pontos de paragem são estabelecidos em cada ‘nó’ da rede. O trânsito, governado por veículos autónomos e elétricos, manteria o mesmo ritmo (80 km/h), assim criado uma espécie de carreiro de formiga, podendo o utilizador escolher a sua saída e o seu percurso com comodidade e segurança, de acordo com a companhia de arquitetura britânica.

Tal como o metro, sendo este sempre o ponto de comparação, o objetivo da PLP é conceber um fluxo contínuo de mobilidade, sem paragens.

Haverá também a possibilidade de deixar o carro estacionado no subsolo, com um serviço de estacionamento automático e completamente autónomo, com o condutor/utilizador a seguir o seu caminho, depois, por um elevador rumo à superfície.

A PLP estima que o CarTube poderia efetuar o percurso entre Heathrow e a zona financeira e histórica de Londres (denominada City) em apenas 14 minutos, melhorando o tempo de viagem dentro da cidade em até 75%.

Contudo, se em Londres esta solução se apresenta como altamente improvável, em declarações citadas no The Guardian, Hesselgren aponta outros locais onde o CarTube poderia vingar, atendendo ao elevado fluxo populacional e à baixa taxa de ocupação do subsolo, como México, Nova Deli e Bombaim: “Este tipo de abordagem nestes locais poderia realmente fazer a diferença”, afirmou, lembrando que os autónomos se adaptariam na perfeição ao trânsito debaixo da superfície.