Os BMW e MINI partilhados da DriveNow chegam a Lisboa no final do ano

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A Brisa anunciou a sua entrada no setor do carsharing ao abrigo de uma parceria com a DriveNow, empresa pertencente ao Grupo BMW, estando o início do projeto previsto para o final deste ano. A primeira cidade a receber este esquema de partilha de carros será Lisboa, sendo preciso esperar até ao final do verão para se ficarem a conhecer mais detalhes sobre esta nova parceria que pretende oferecer uma nova forma de mobilidade a todos os que se deslocam de automóvel no interior da capital lusa.

A DriveNow resulta de uma parceria entre o Grupo BMW e a Sixt SE, tendo como data de criação o ano de 2011. Atualmente, é uma das marcas de referência no setor do carsharing, fazendo-se valer da frota com mais de 5.600 veículos das marcas BMW e MINI à disposição dos clientes através da subscrição por via de uma aplicação digital (app). Presente em 12 cidades europeias – correspondentes a oito países -, a chegada a Lisboa marca a 13ª cidade de funcionamento para este serviço, sendo também a estreia da DriveNow na Península Ibérica.

No evento de apresentação desta parceria, que decorreu em Lisboa e que contou com as presenças do presidente do Grupo Brisa, Vasco de Mello, e do presidente da Câmara Municipal da capital, Fernando Medina, foi destacada a importância da chegada desta aplicação a território nacional, ao mesmo tempo que valida o esforço da Brisa como fornecedora de serviços de mobilidade, apenas alguns dias depois de ter anunciado a criação da Via Verde Boleias, uma plataforma online para a gestão de boleias.

Destacando que este é um passo que “terá um impacto significativo na mobilidade de toda a população de Lisboa”, Vasco de Mello enalteceu que a parceria entre a Brisa e a DriveNow propõe uma nova etapa em “mobilidade eficiente em que a utilização do carro está a mudar com um duplo foco, não só pela maior consciência ambiental, mas também pelos novos hábitos com base no ambiente digital e nas novas operadoras que surgem a partir daí”. Assim, também a Brisa procura entrar neste novo capítulo da mobilidade, firmando-se como “uma fornecedora de serviços de mobilidade para as pessoas e não apenas como gestora de infraestruturas”, até pelo surgimento de “novos sistemas colaborativos que permitem redução de custos para os utilizadores e uma menor pegada ambiental”.

A Brisa está agora a entrar “num ecossistema de mobilidade que procura melhorar a área dos transportes graças a novos territórios no domínio da economia de partilha”, complementou.

Mobilidade aberta

Ainda sem grandes detalhes terminados em relação ao funcionamento do esquema em Portugal, nem sobre potenciais alargamentos a outras cidades nacionais, o sistema de carsharing DriveNow tem como atributos a lógica ‘freeflow’, ou seja, sem pontos estabelecidos de acesso aos carros ou de os deixar – viagens longas são possíveis, desde que o carro seja depois deixado no interior da região delimitada para o efeito -, além de ser um serviço pago ao minuto, disponível 24 dias por semana e rodeado do facto de instantaneidade, já que através da aplicação o cliente pode saber, em tempo real, quantos e onde estão os carros disponíveis mais perto de si.

Inseridos nos custos do serviço estão já os valores de estacionamento ou de abastecimento de combustível/carregamento, além dos seguros, pelo que se trata de um valor ‘fechado’ para o adquirente do serviço. O Motor24 tentou saber os custos e mais detalhes sobre os moldes do programa, mas será preciso esperar até ao final do verão para se conhecerem os moldes da entrada em vigor da DriveNow em Portugal.

Refira-se que esta plataforma gerida pelo Grupo BMW conta já com 925.000 clientes nas 12 cidades em que opera, sendo utilizada mais de 700.000 vezes por mês. A DriveNow pretende alterar o paradigma das cidades, para que mais pessoas deixem os seus carros em casa de forma a que as cidades se tornem mais orientadas para as pessoas. Nesse sentido, aponta que a entrada em vigor do DriveNow noutras cidades permitiu retirar entre 3 a 5 carros do interior da cidade em média. Nota, ainda, para a utilização de veículos mais ecológicos como os elétricos da gama BMW i ou de híbridos.

A associação à Brisa teve como parâmetros decisivos a grande experiência enquanto “maior operadora privada de infraestruturas em Portugal, experiência em transportes e mercado da mobilidade, gestão de frotas e no ecossistema da mobilidade”, de acordo com a Aurika von Nauman, da comunicação da DriveNow.

Câmara de Lisboa satisfeita

Igualmente presente neste evento, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, mostrou o seu apoio a este projeto, declarando ser “um grande projeto para a cidade que vai melhorar a qualidade de vida dos que trabalham e vivem em Lisboa”. E são muitos, de acordo com o autarca, que aponta a subida do número de carros a entrar na cidade quando as condições económica também melhoram, estabelecendo uma relação proporcional entre ambas as situações.

“Neste momento, são mais de 370 mil carros que entram na cidade de Lisboa. Se colocados em fila, todos juntos, seriam suficientes para unir em linha as cidades de Lisboa e de Paris. Nos últimos dois anos, apenas, esse número aumentou em 15.000 carros. Há também mais razões, como o atraso no desenvolvimento da rede de transportes públicos”, apontou Medina.

De acordo com o autarca do PS, existe ainda a necessidade de “articular as infraestruturas de mobilidade entre si, hoje ainda muito desconexas”, e de “incorporar os novos métodos de transporte de forma harmoniosa no sistema global de transportes”. Enalteceu ainda que esta é uma transformação da utilização do automóvel como meio de posse para um serviço à disposição das pessoas quando assim necessitam, sem custos associados e sem necessidade de posse do veículo.

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