Rui Moreira de Sá: “2017 está a ser o ano do crescimento da mobilidade elétrica em Portugal”

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Promover as novas formas de mobilidade sustentada e criar impacto para ajudar a sociedade a consciencializar-se cada vez mais para os temas da ecologia e transportes ‘verdes’ são dois dos objetivos que levaram à organização do primeiro Salão Internacional do Veículo Elétrico, Híbrido e da Mobilidade Inteligente, agendado para os próximos dias 25 a 27 de maio, no Museu dos Coches, em Lisboa.

Tratando-se de um evento com cariz automóvel mas também com uma forte componente de discussão em torno das novas soluções de mobilidade, esta é uma forma de constatar os progressos que estão a ser feitos em Portugal no âmbito da tecnologia elétrica, mas também pelos construtores automóveis, que têm demonstrado grande adesão a este certame.

Essa foi uma das noções referidas por Rui Moreira de Sá, um dos responsáveis da organização pelo salão, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Motor24 sobre este certame e sobre as perspetivas para a edição deste ano e já, num vislumbre do futuro, que planos há já para próximos eventos.

Motor24: Como surgiu a ideia para o VExpo e quais são os principais objetivos deste evento?

Rui Moreira de Sá: O VExpo resultou da manifestação da vontade de muitos cidadãos conscientes que têm orgulho no contributo que dão para que tenhamos um planeta melhor e mais saudável, e que queriam aumentar os conhecimentos, saber mais sobre este novo paradigma, este ecossistema, em que estamos a entrar – o da mobilidade elétrica – o qual está a ser construído com a convergência de três setores: o automóvel, a energia elétrica e as tecnologias de informação e comunicação que permitem uma conectividade crescente.

Ao mesmo tempo, os agentes, os players destes setores – fabricantes, operadores e utilizadores – também tinham a necessidade de convergirem para um evento de referência nacional que os agregue e os conecte face a face.

Ora, para responder a estas necessidades nada mais adequado do que um evento com análises, debates, exposição e experimentação, com test-drives. É precisamente disto que se trata a VExpo: uma plataforma conjunta para promover e impulsionar a mobilidade elétrica, através da exposição e divulgação da rede, das infraestruturas e dos veículos elétricos à venda no país, das inovações apresentadas pelo mercado, de conferências e workshops; ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento e a utilização de infraestruturas de distribuição de energia adequadas, e, em geral, de tudo o que se referir a veículos elétricos rodoviários, nos domínios da segurança, da economia de energia, do ambiente e da respetiva legislação e regulamentação.

M24: O que é que diferencia o VExpo doutros certames do género?

RMS: O formato. A experiência do visitante. No evento, para além das áreas de exposição interior e exterior, o visitante pode efetuar test-drives, comparando a sua experiência de condução em mais de 20 modelos elétricos e híbridos. E, quer na conferência, nos dias 25 e 26 de maio, quer nas Conversas com as Marcas (VExpo Talks), pode debater e ter a resposta às suas dúvidas e questões relativas à mobilidade elétrica. É um evento muito interativo.

M24: Quais os destaques que terão em evidência neste salão?

RMS: Os modelos S e X da Tesla, o novo e-Golf da VW, o novo Leaf da Nissan, o Soul EV da Kia e o seu crossover híbrido Niro, o Outlander híbrido da Mitsubishi, o Ionic híbrido da Hyundai, o sucesso do novo elétrico Zoe da Renault, com grande autonomia, para além de motos e bicicletas elétricas, aliás giríssimas.

M24: Das marcas que atualmente comercializam VE, qual foi a receção perante esta ideia?

RMS: Excelente adesão! As principais marcas estão presentes. As que não participam é porque não têm disponíveis a tempo os seus modelos elétricos, como é o caso da smart, da Opel e da Volvo, por exemplo, que querem estar para o ano.

M24: O objetivo é, então, ter um evento por ano?

RMS: Sim.

M24: Consideram que a mobilidade elétrica em Portugal está a ter os apoios necessários?

RMS: Após uns anos de estagnação durante o governo anterior, 2017 está a ser o ano da transformação e, estamos certos, do crescimento da mobilidade elétrica em Portugal. A MOBI.E – entidade gestora da mobilidade elétrica – está a instalar novos postos de carregamento rápido e a efetuar um upgrade tecnológico nos postos já instalados.

Estes postos, instalados nas principais autoestradas e nas cidades que têm apresentado um maior dinamismo na mobilidade elétrica, irão permitir a circulação dos veículos elétricos por todo o país. A partir do segundo semestre deste ano, será instalado um posto de carregamento em todos os concelhos do território continental.

Se uma empresa precisa de adquirir um veículo a opção por um carro elétrico já não é só uma possibilidade ambientalmente responsável: é a decisão mais económica.

Para as empresas, os benefícios fiscais podem fazer baixar o preço de um veículo elétrico de 76 mil euros, como é o caso do Tesla Model S 60, por exemplo, para os 46 mil, ao fim de quatro anos, de avordo com um estudo da UVE (associação portuguesa de utilizadores de veículos elétricos). Ora, um veículo de motor de combustão interna, do mesmo valor, pode ver o seu custo subir para os 106 mil euros ao fim desse mesmo período. Uma empresa que não opte por comprar um carro elétrico pode até estar a fazer gestão danosa porque os prejuízos são gigantescos.

Contudo, se para as empresas o que existe é suficiente, já o cidadão comum que pondera optar por um carro elétrico precisa de um empurrão extra. Os 2.250 euros de incentivo, entre os mais baixos da Europa, são insuficientes.

M24: Os portugueses abriram de vez as portas para este tipo de mobilidade? Estão mais recetivos?

RMS: Portugal é dos mais países da Europa mais otimista com a chegada dos automóveis híbridos e elétricos. Cerca de 82% dos jovens afirma que utilizaria mais o carro no futuro se tivesse um destes modelos, conforme conclusões de um estudo recente. Entre os indivíduos com mais de 50 anos essa percentagem fica ainda pelos 78 por cento. Não é só em termos de recetividade que Portugal surge no primeiro plano desta nova forma de mobilidade. Muito recentemente, a Câmara de Lisboa anunciou que iria criar, até ao início do verão, 687 postos de carregamento para veículos elétricos, transformando a cidade na primeira capital europeia com uma rede de abastecimento de veículos elétricos.

Quando se coloca a questão à população jovem da Europa, se utilizaria mais o carro no futuro se tivesse um modelo elétrico ou híbrido, 1/3 responde afirmativamente. As razões apontadas, para tal, são tanto de natureza económica, tendo em conta a redução do consumo, como ambientais, pelo facto de serem veículos menos poluentes. Aliás, relativamente a este último ponto, o Observador Cetelem verificou que sete em cada dez jovens europeus afirmam que utilizariam mais frequentemente o carro se este fosse menos poluente.

As expectativas dos jovens em relação ao automóvel são elevadas: eles acreditam na capacidade da indústria automóvel para ultrapassar a crise e esperam que a mesma produza carros financeiramente acessíveis e esteticamente inovadores. Embora estejam sedentos de inovações tecnológicas, esperam sobretudo a chegada dos novos modos de propulsão (híbrido e elétrico), que saciarão a sua sede de mudança e terão em conta a sua consciência ambiental e as suas restrições orçamentais. Afirmam que conseguirão adaptar os seus comportamentos de mobilidade se esta oferta vier a estar disponível.

M24: Qual é o plano para o Salão VExpo no futuro? Continuar a funcionar nos mesmos moldes? Uma expansão em termos de dimensões?

RMS: Certamente! A edição de 2018 já tem data. Aqui vai em primeira mão: 24 a 27 de maio de 2018. A Organização conta duplicar o espaço de exposição.