Um dia todos os Smart serão elétricos

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

Um automóvel elétrico assim é coisa que todos aceitam. Pensado e feito para a cidade, tem autonomia suficiente para evitar o stress que ainda representa ver baixar o indicador da carga. O Smart Fortwo Electric Drive é para o que é! E para isso – quase perfeito. Chega em abril.

Nove anos depois, o Smart Fortwo elétrico chega à quarta geração e agora sobre a nova plataforma, desenvolvida pela Renault. E a parceria franco-germânica parece cada vez mais séria, quando se atenta ao facto de haver o símbolo da marca gaulesa gravado no bloco do motor…

Esta “invulgaridade” num produto associado à Mercedes-Benz contempla outro pormenor curioso. As baterias do Smart são produzidas pela própria Mercedes que investiu mil milhões de euros e vai gastar mais 500 milhões para alargar a fábrica que esta a produzir a alimentação para todos os automóveis elétricos com o símbolo da estrela de três pontas – e, muito provavelmente, não apenas estes… É o primeiro construtor a dar este passo!

Muito de novo, portanto, na aposta da quarta geração daquele que, por excelência, parece, no momento atual, o mais lógico dos automóveis elétricos, mas nem por isso é o mais vendido. E aí está a Mercedes a antecipar 2030, o ano das emissões zero na perspetiva alemã.

Sobre as particularidade do Smart está tudo dito. As suas capacidades mantêm-se e enquanto citadino elétrico ficaram naturalmente a ganhar. Não apenas porque as baterias – com as mesmas dimensões – continuam a baixar o centro de gravidade e com isso a favorecer o comportamento, mas também porque os resultados em performance e consumos (12,9 kW/100 km) são melhores e a autonomia estendida aos 160 km. Óbvio que estes números contemplam sempre algum otimismo, mas um primeiro contacto, pelas ruas e vias rápidas de Los Angeles – respeitando os limites de velocidade norte-americanos! – alimentou a ideia de que pode não ser muito difícil rodar 120/130 quilómetros com uma carga de bateria e a ajuda de um sistema inteligente de recuperação de energia através dos momentos de travagem. Um resultado simpático para quem pretenda fazer com o Smart o quotidiano para que, afinal, ele foi pensado e tem sido utilizado por dois milhões de pessoas – tantas são as unidades produzidas.

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A bateria, revestida a aço – os especialistas da Mercedes entendem que apostar no alumínio não compensa – pesa agora 160 kg (-20) e é constituída por três módulos iguais que somam 96 células. A capacidade passou a 17,6 kWh e tem uma garantia de 8 anos ou 100 mil quilómetros.

O motor trifásico, síncrono e com uma velocidade, debita 81 cv e 160 Nm de binário, suficiente para uma condução divertida, o que pode avaliar-se pelos 4,9 segundos necessários para acelerar dos 0 aos 60 km/h (11,5 s nos 0-100). Nos semáforos é um tiro e como a este despacho corresponde a maneabilidade reconhecida aí está o carro divertido, politicamente correto e que na Europa só se ouve no caso de o comprador optar por equipá-lo com o gerador de ruído, a forma de o tornar notado por peões e ciclistas. É um cuidado a admitir, e tanto que os americanos fizeram dele obrigatório. Os 130 km/h de velocidade máxima, limitada por questões de economia, são suficientes num citadino.

No que respeita ao carregamento, ligado a uma vulgar ficha de parede, o Smart repõe 80 por cento da carga em 6 horas. No caso de haver uma wallbox bastam 3,30 horas. Mas é possível chegar aos 45 minutos dotando o Smart de um carregador mais potente (opcional em 2017) e capaz de explorar o máximo dos 220 volts europeus. Paga-se, é claro.

E quanto a preço, para já sabe-se que, na Alemanha, este Smart pode custar qualquer coisa como 18 mil euros quando estiverem em vigor os incentivos a estes automóveis. Sem eles, o preço é de 21 940 euros.

Os preços para Portugal, onde o lançamento do Fortwo está aprazado para abril, ainda não foram negociados. O Cabrio será comercializado mais tarde.

Diferenças

A inscrição Electric Drive na frente os retrovisores verdes (opções) podem identificar Smart elétrico. Um indicador de carga e consumo de energia redondo montado à esquerda do tablier (também opcional) e a informação própria destes automóveis no painel de instrumentos, são outras diferenças. No mais é quase igual; falta registar uma mala ainda ligeiramente mais pequena.

Uma App permite ter acesso a toda a informação e programar a climatização até aos 21 graus. As preocupações neste domínio, chegam aos bancos e ao volante aquecido

Gama alargada

O Smart elétrico vai estar disponível, mais tarde, na versão Cabrio (único no mercado) e também no Forfour. Ambos terão menos cinco quilómetros de autonomia e serão ligeiramente mais caros: 24 200 euros, o Cabrio; 22 600 o Forfour – preços sem contar com os bónus ambientais. A gama contará com a versão Brabus, que oferece um nível de equipamento e de personalização superior.

… E as baterias

A questão de sempre, quanto dura uma bateria, continua com uma resposta vaga, 10 ou 12 anos, se a tanto chegar a vida útil do carro. Significativa é a preocupação da Mercedes com a sua reutilização, na certeza de que não poderão voltar aos automóveis. Há uma série de planos, várias alternativas e projetos piloto em marcha. A ver vamos.

 

Características 
MotorTrifásico, síncrono (traseiro)
BateriasIões de lítio, 17.6 kWh
TransmissãoVelocidade única
Potência81 CV
Binário160 NM
0-100 km/h11,5 s (4,9 s nos 0-60 km/h)
Velocidade máxima130 km/h (limitada)
Consumo12.9 kW/100 km
PreçoA definir