UOU Mobility: Criatividade portuguesa ao serviço da mobilidade elétrica

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Transferir um projeto da teoria para a prática nem sempre é um processo fácil, especialmente para as empresas mais jovens, como é o caso da UOU, start-up nacional que está a dar passos importantes no desenvolvimento de soluções de mobilidade elétrica.

Com um veículo bastante peculiar – comummente apelidado ‘ovo’ pelo seu formato redondo – ao serviço dos Correios de Portugal (CTT) na cidade de Aveiro, a UOU conta assim com um importante meio de divulgação da sua visão de mobilidade elétrica, mesmo que numa fase ainda de testes e de avaliação por parte da empresa de distribuição de correios.

O projeto do You – assim se chama este pequeno veículo redondo – é relativamente recente, conforme explicou ao Motor24 uma das cofundadoras deste carro elétrico, Isa Silva, da UOU Mobility, recordando que este veículo nasceu da vontade de fazer algo diferente para a área do turismo.

“A ideia nasceu em conjunto com um colega, sendo quer era até muito mais direcionado para a área do turismo. Experimentámos alguns veículos já existentes para dar corpo à nossa ideia, mas nenhum correspondia ao que pretendíamos. Assim, decidimos criar este projeto”, começa por explicar aquela responsável, que aponta alguns percalços naturais de quem começa um projeto desta natureza.

“Nenhum de nós era da área automóvel. Eu era designer e o outro colega economista. Depois foi toda uma aventura”, acrescentando que a recente parceria com os CTT para ter um dos seus veículos em testes em Aveiro pode ajudar a companhia a dar um passo em frente, mas sempre consolidado e com o foco direcionado para o turismo. Sobre este projeto-piloto com os CTT, Isa Silva recorda que foi apresentada “uma proposta em 3D do veículo e surgiu um grande interesse por parte da empresa para ficarem a conhecer o veículo, testaram-no e depois chegámos a acordo para o colocar ao serviço dos CTT”.

O veículo que está hoje em funções naquela cidade do Norte é, no entanto, bem diferente daquele que foi inicialmente projetado: “Adaptámo-lo para esta função. O veículo ainda é um protótipo e está em testes, mas foi adaptado para estar ao serviço dos correios. Inicialmente, tinha espaço atrás para um passageiro, mas depois alterámo-lo para poder levar carga para este tipo de funções”.

Sempre com os pés bem assentes no chão, é ainda assim abordada com natural expectativa e satisfação a possibilidade de os CTT virem a necessitar de mais destes veículos. Para já, porém, os testes são de grande importância, sobretudo pela vertente de utilização que lhe é dada: “É uma grande oportunidade que temos… Ter um cliente como os CTT que dá uma utilização intensiva ao veículo. É um teste que precisam de ver e comprovar na estrada. Trata-se de um veículo pequeno, com três rodas, ágil e os CTT são a melhor empresa para ensaiar o veículo ao garantir uma utilização intensiva”.

Outros projetos na calha

Ainda que este seja o principal chamariz da UOU Mobility neste momento, a companhia de São João da Madeira está já a trabalhar noutros projetos, estes mais orientados, afinal, para aquela que foi a prioridade inicial da empresa – “abrir portas no turismo”.

“A nossa mente sempre esteve focada em projetos de carsharing, por exemplo. Tínhamos a expectativa de poder entrar nessa área. No mesmo sentido, desenvolvemos uma bicicleta para as redes de bikesharing”, argumentou, dando pistas para o futuro.

“Trabalhamos com duas autarquias, que ainda não podemos dizer, para podermos colocar de pé projetos de carsharing, enquanto em Braga está já em vigor um acordo para um outro projeto-piloto de mobilidade sustentada a realizar com outras empresas. Antes de vendermos para as pessoas, precisamos de vender em massa para outras áreas, para colocarmos a máquina a funcionar”, explicou.

“A empresa tem cerca de ano e meio e no início éramos apenas duas pessoas com recursos próprios e em que tínhamos mesmo de ter outros empregos para nos sustentarmos. Hoje, com os apoios e com os parceiros que vamos tendo, podemos ter outros recursos. Mas precisamos mesmo de ganhar escala para construir um projeto e uma equipa sólida”.

 

 

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