Audi TT Coupé 2.0 TDI: Acutilante

O tejadilho torna o TT ainda mais sólido e reativo que o Roadster. Motor diesel? Apenas um pormenor.

Ao contrário dos descapotáveis, há muito que os coupé se renderam aos motores diesel. Não passam de um pormenor que os torna mais económicos. No caso do Audi TT, que segue as mesmas “limitações” de caixa e tração do Roadster, o que importa é o tejadilho. É ele que isola melhor o habitáculo da sonoridade do motor diesel e da ação dos elementos. É também responsável por uma maior solidez, basta efetuar o teste de torção à caixa de sapatos com e sem tampa e, por dispensar os reforços estruturais do descapotável, é mais leve. Noventa quilogramas que se convertem numa poupança de 0,1 l/100 km e em menos 0,2 s no arranque de zero a 100 km/h.

Bom. Mas o que importa mesmo é a solidez do conjunto. Limitado pela tração dianteira, não permite sair das curvas “prego a fundo”, mas anda lá perto. Basta ir doseando o acelerador até encontrar os limites, que são elevados. A direção mantem uma sintonia perfeita com o eixo dianteiro, permitindo antecipar em vez de reagir às perdas de tração. É preciso abusar bastante na entrada da curva para forçar a frente a alargar a trajetória.

Basta aliviar o acelerador para devolver o TT à linha sem movimentos inesperados da traseira, que se revelou de uma neutralidade a toda a prova. Para a envolver na condução não basta desacelerar. É preciso recorrer ao pedal do meio. Um problema quando os travões sobreaquecem rapidamente. Duas ou três travagens fortes e lá se vai a sensibilidade.

No resto, é igual ao Roadster. A mesma caixa manual de seis velocidades com escalonamento longo. A mesma falta de ânimo nos regimes baixos, embora disfarçada pela diferença de peso. E a mesma rapidez de utilização da caixa com o regime na faixa das 3000 rpm. Em estrada permite baixar suficientemente a rotação para manter a média nos 4,9 l/100 km. Pelo contrário, a necessidade de rotação em cidade empurra a média para os 7,4 l/100 km, o que fixa a média ponderada nos 6,2 l/100 km. Nada mau, atendendo ao potencial de diversão.

TEXTO: RICARDO MACHADO / FOTOGRAFIA: JOSÉ BISPO

Ensaio publicado na Revista Turbo 414, de março de 2016

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