BMW 418d Gran Coupe: Quando sobriedade é sinónimo de elegância

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

Com 150 Cv, a versão Diesel mais poupadinha do Série 4 Gran Coupé, oferece maior moderação nos consumos e um preço mais acessível do que a versão de 190 Cv. Mas será que compensa? Fui ao ziguezague da serra da Arrábida tentar descobrir

Elegante e sóbrio. Se as primeiras impressões contam, o BMW 418 d Gran Coupé é daqueles carros que se destaca do resto do maralhal de uma forma discreta e sedutora. Nesta nova encarnação descortinam—se subtis alterações nos grupos óticos, novas luzes LED, o rebaixamento do chassis e o alargamento de vias, para melhorar a eficácia em estrada.

Com estas evoluções imprimidas no Gran Coupé, a BMW pretende calibrar melhor o conceito de um automóvel executivo de cinco portas, mas que à vista desarmada parece um coupé desportivo, pronto para atacar as curvas, sem sacrificar o conforto e a qualidade de vida a bordo.

O Gran Coupé é a terceira variante do Série 4, que conta ainda com versões cabrio e coupé. A entrada de gama e a versão Diesel mais acessível é precisamente esta que testei – o BMW 418d Gran Coupé com motor de 150 Cv, que custa em média menos 1600 euros do que a versão 420d com o mesmo motor de quatro cilindros Diesel, só que a debitar 190 Cv. Vamos ver se compensa poupar 1600 euros.

Está aí para as curvas da Arrábida

A Serra da Arrábida no final de uma tarde de verão, em que ciclistas e banhistas já rumaram aos caracóis é o cenário ideal para encontrar o balanço desta proposta da BMW que combina o conforto de um executivo com a eficácia de um coupé desportivo.

No encadeado de curvas de média e baixa velocidade o motor de 150 Cv conjugado com a caixa manual de seis velocidades mostra energia e fulgor para uma condução mais “caliente”. Não é preciso recorrer em excesso à caixa para ter potência disponível em 3º ou em 4º. Só em subidas mais inclinadas se nota uma maior dificuldade em ser um trepador. O que lhe falta em potência, compensa em moderação de consumos, que em ciclo combinado não excede os 6,5 litros.

O trabalho feito pelos engenheiros da BMW no chassis melhorou a eficácia, o que se nota na precisão e balanceamento nas curvas em que os limites de aderência são bastante altos. Isto foi feito sem sacrifício do conforto a bordo, que se mantém em níveis bastante aceitáveis para um carro com estas características.

Para a boa sensibilidade de condução, a direção, bastante direta e informativa, continua a ser cartão de visita BMW. Os travões são potentes e resistentes à fadiga e depois é possível configurar os modos de condução entre Sport, Eco e Normal, alterando ligeiramente o carácter do carro, ora dando mais feeling e resposta, ora filtrando melhor a condução.

A vida a bordo beneficia da excelente posição de condução, ainda que sem regulação elétrica dos bancos, da qualidade geral dos materiais e do espaço, que não sendo referencial, permite acomodar quatro adultos. Um dos trunfos escondidos desta versão é a capacidade da bagageira, que oferece 480 litros e que pode ascender a 1300 litros, valores que o colocam muito perto da capacidade de carga da carrinha do BMW Série 3. O painel de instrumentos também foi redesenhado e está agora mais high-tech e intuitivo

Em matéria de equipamento, e como habitualmente, a BMW relega muitos itens para a lista de opcionais, o que pode fazer encarecer bastante a escolha final. Ainda assim, destaque para a nova geração do BMW iDrive, que oferece agora acrescidas funções de conectividade, como por exemplo o Car Play da Apple. Na versão ensaiada temos como elementos de série: kit de ligação smartphone com tomada USB, sistema de navegação Business, banco traseiro rebatível assimetricamente, ar condicionado automático e sensores de luz e chuva.

Conclusão

Tendo em conta a pequena diferença de preço entre esta versão e a de 190 Cv, talvez fosse de considerar poupar nalguns opcionais mais supérfluos e ficar com um carro com maior capacidade de resposta para quem gosta de guiar o seu BMW no final de uma tarde de verão na Arrábida. Quem preferir o estilo Gran Coupé, mas mais poupadinho, este 418d é a escolha mais racional.

FICHA TÉCNICA

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel

Cilindrada 1995 cm3

Potência máxima 150/4000 (cv/rpm)

Binário máximo 320/1500-3000 (Nm/rpm)

Transmissão e direção Tracção traseira; caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Aceleração 0-100 km/h 9,0 s

Velocidade máxima 213 km/h

Consumos Extra-urb./urbano/misto 3,6/5,0/4,1 (l/100 km)

Emissões de CO2 109 g/km

Preço base 46.726 €

Preço versão ensaiada 55.407 €

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.