DS3: Um sedutor bem comportado

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista
Jornalista

“Olhar irresistível”, afirma o catálogo da marca. Na realidade, o design do DS3 (que agora se assume como marca autónoma da Citroën) tem um toque de classe que atrai. Além de esteticamente agradável, o DS3, que Motor24 experimentou na versão com o motor a gasóleo BlueHDi1.6, de 120 cavalos, mostrou-se um bom carro, expedito e pouco gastador.

O interior deste DS3 não consegue esconder que na sua génese esteve a anterior geração do Citroën C3. O tablier é o mesmo, com todos os defeitos e virtudes que isso acarreta, como as teclas de comando pequenas ou o ecrã tátil colocado numa posição que obriga a tirar os olhos da estrada. E nem os revestimentos de melhor qualidade nos fazem esquecer de que estamos num C3 mais requintado.

As críticas estendem-se aos escassos espaços de arrumação, à ausência de comandos no volante (que seriam muito bem vindas dadas as minúsculas teclas), às diminutas bolsas das portas ou à dificuldade para chegar às alavancas de regulação dos bancos.

E, no entanto, este DS3 sabe cativar-nos. Basta olhar para o entrançado da pele do bancos, com o logótipo da marca, para a assinatura a luminosa, em que os projetores associam as tecnologias LED e o xénon, para as óticas traseiras com efeito tridimensional. Ou para a combinação de duas cores na carroçaria.

O DS3 acolhe-nos bem no seu interior, os bancos têm bom suporte lateral, o sistema multimédia tem função Mirror Screen, que permite replicar o nosso smartphone, suportando os sistemas Android e Apple. Nos seus 3,94 metros de comprimento viajam melhor quatro passageiros, sendo necessária uma certa ginástica para entrar para os lugares traseiros, “culpa” das duas portas.

Como que se desculpando pela ausência de espaços “imediatos” de arrumação, é-nos oferecido um generoso porta-luvas refrigerado, onde cabe uma garrafa de água de 1,5 litros e ainda sobra espaço..

A frente é agressiva, ostentando o símbolo da DS e quando se ativam, os leds dos piscas frontais acendem-se em crescendo, gerando um curioso efeito ótico.

Motor voluntarioso

Em andamento, há a destacar o fogoso e discreto motor 1.6, que mal se ouve no habitáculo. Muito voluntarioso, sobe bem de rotações e os 120 cavalos são suficientes para puxar os pouco mais de 1100 quilos que o modelo pesa. Destaque-se, pela negativa, as duas últimas relações da caixa de velocidades, algo longas, embora o seu manuseamento esteja isento de críticas.

O comportamento em estrada deste DS3 é seguro, sem grandes oscilações da carroçaria em curva, uma direção precisa e um bom poder de travagem. Terminámos o ensaio com uma média de 6,1 l/100 km, sendo que rodamos sempre sem preocupações de economia e fizemos muitos quilómetros em cidade. A marca anuncia um consumo médio de 5 litros, aferido em condições de circulação real.

Personalização

Uma das grandes apostas da marca é na personalização e o cliente do DS3 pode escolher entre 44 combinações de cores da carroçaria/tejadilho (11 de carroçaria e quatro para o tejadilho), nove autocolantes de tejadilho, perto de dezena e meia de jantes de liga leve de dimensões e cores variadas (de 16 a 18 polegadas, tratamento de dois tons e diamantadas). Disponível, ainda, uma versão cabriolet.

As motorizações abarcam cinco versões a gasolina (1.2 PureTech 82 cavalos, 1.2 PureTech 110 cavalos, 1.2 PureTech de 130 cavalos, 1.6 THP de 165 cavalos e a 1.6 THP de 208 cavalos) e duas Diesel (1.6 BlueHDi de 100 e 120 cavalos).

Os preços começam nos 18 912 euros e chegam aos 29 062 euros na versão descapotável mais cara. A versão de 208 cavalos custa a partir dos 27 426 euros.