Ensaio Audi Q2 1.0 TFSI: Sítio do Q2 Amarelo

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Há carros que ‘funcionam’ muito melhor com determinadas cores. O Audi Q2 amarelo deste ensaio é uma prova de que ‘há vida’ para lá dos tradicionais (e entediantes) brancos, pretos e cinzentos nas suas mais diversas tonalidades. É esta mesma cor que nos permite recordar a famosa obra do autor brasileiro Monteiro Lobato – o Sítio do Picapau Amarelo. Ao contrário dessa obra ‘canarinha’, o Q2 não tem a temida Cuca, nem o Saci traquinas, mas abre a porta para aventuras…

Mesmo que não caia no goto de toda a gente, o amarelo deste Audi faz realçar a sua irreverência e jovialidade, características bem-vindas para este SUV que procura garantir o seu espaço no concorrido segmento dos crossovers compactos, podendo colocar-se na mesma liga do MINI Countryman (na versão One), mas já não do Mercedes-Benz GLA, uma vez que este último não tem motor a gasolina preparado para dar luta aos 116 CV do Audi Q2 deste ensaio.

De resto, o sucesso deste modelo de entrada na gama Q da Audi, tem sido interessante de seguir desde o lançamento, uma vez que, tal como o A1, permite aceder ao universo Premium da Audi de uma forma mais ‘simpática’, mesmo que a sua acessibilidade se possa considerar relativa.

E o estilo é sempre um parâmetro relevante num modelo do género, sobressaindo o Q2 pelos seus ângulos e peculiaridades que o tornam único, como por exemplo ao nível da composição dianteira de grelha, faróis e para-choques, que oferece ao Q2 um visual muito robusto e agressivo. Essa impressão prolonga-se, aliás, pelos seus flancos e na traseira, com a cada vez mais popular opção de tejadilho flutuante a marcar presença no pilar C. Por outro lado, já que estamos neste capítulo, importa notar que o mesmo é grosso e nas saídas de estacionamento em espinha pode ser mais complicado de ver o trânsito que se aproxima a partir de trás. Concessões ao estilo… Não é caso único na indústria automóvel.

Gasolina? Porque não?…

Os motores a gasolina continuam a demonstrar margem de progressão e a unidade tricilíndrica do Grupo Volkswagen é um dos exemplos de maior qualidade no que diz respeito à qualidade de funcionamento e disponibilidade da potência. Se procura uma opção eficaz em alternativa aos Diesel, esta poderá ser uma versão a considerar.

Com apenas 1.0 litro de cilindrada e equipado com turbocompressor, este motor TFSI oferece 116 CV (mais um ‘cavalito’ do que nos demais…) e binário de 200 Nm às 2.000 rpm, permitindo uma condução muito despachada sem que se sinta anémico no momento de acelerar.

Aliás, a rapidez das respostas e a capacidade de aceleração são dois critérios muito positivos deste pequeno motor de três cilindros, que fazem o Q2 1.0 TFSI movimentar-se de forma lesta (os 0 aos 100 km/h cumprem-se em apenas 10,1 segundos), sendo que apenas nas recuperações é preferível recorrer à caixa manual de seis velocidades (de tato correto) para retomar um ritmo mais forte (sobretudo, se se deixarem as rotações descerem abaixo das 1.500-1.600 rpm). Tal deve-se, sobretudo, às duas últimas relações mais longas para melhoria dos consumos.

Quanto a este capítulo, outro predicado agradável do Q2. Com uma média anunciada de 5,1 l/100 km, o nosso registo de 6,3 l/100 km acaba por ser uma boa surpresa, tanto mais que foi obtido numa utilização normal. Além disso, o refinamento é algo de verdadeiramente positivo neste Audi – as vibrações são impercetíveis a bordo e a insonorização está num patamar superior, mesmo a frio.

Deve-se notar, ainda, que o Q2 ensaiado contava com o sistema Audi Drive Select, que permite modificar alguns dos parâmetros deste modelo, como a resposta do acelerador (tornando o mesmo mais sensível, assim alterando a entrega da potência) ou a assistência da direção, ficando mais ‘pesada’ (excessivamente) em modo Dynamic e mais ‘leve’ em Comfort, enquanto o modo Efficiency dá prioridade aos consumos.

Ágil e leve

Quanto a características mais detalhadas, importa mencionar que a sua base é a já bem conhecida MQB que fez nascer o A3, Golf e muitos outros, apresentando neste modelo um eixo traseiro de barra de torção, uma solução menos dispendiosa, mas que cumpre com o seu objetivo geral – ser equilibrado na equação entre conforto e dinamismo.

Entrando pelo campo da condução, é por aqui que o Q2 evidencia outro dos seus atributos dignos de registo, sendo efetivamente um crossover pautado pela neutralidade e competência dinâmica. Espevitado, o Q2 merece elogios pela forma exemplar como se deixa guiar por troços mais sinuosos, mercê de um acerto de suspensão firme (capaz de conter bem o rolamento da carroçaria em curva), direção precisa com bom feedback (mesmo que em autoestrada peça algumas correções) e jantes de 17 polegadas numa combinação que, apenas em pisos muito irregulares demonstra maior firmeza, mas sem que seja desconfortável.

Quanto ao lado mais aventureiro, o Q2 nesta configuração está preparado essencialmente para o asfalto e para outras excursões por estradões de terra e gravilha sem grandes exigências.

Construção Premium

Ao nível da construção, a Audi não deixa os seus créditos por mãos alheias, com o Q2 a mostrar uma impressionante qualidade de montagem e materiais muito bem escolhidos, mesmo que se vejam, aqui e ali, alguns plásticos em maior número, como nos painéis das portas. Não se pode esquecer que é importante também não fazer o seu preço escalar para valores que o colocariam perto do Q3.

Posto isto, a nível geral e dispondo de uma disposição muito funcional dos comandos, o Q2 é dos melhores no segmento, sobretudo quando comparado a muitos outros SUV do mesmo tamanho, juntando-lhe ainda uma ergonomia em termos de espaço a bordo que se revela acolhedora para quatro adultos sem grandes problemas.

Atrás, há espaço mais do que suficiente para pernas e cabeça de adultos de estatura média, mas a largura aconselha a que apenas viajem quatro ocupantes e não cinco. Seja como for, uma observação que é quase norma neste segmento. A bagageira também é um traço positivo com os seus 405 litros e formas regulares.

Defeito a apontar só mesmo a posição ‘plantada’ do ecrã do sistema MMI no topo da consola central, numa tendência que a Audi parece manter nos seus modelos atuais.

Por fim, na versão ensaiada Sport, o Q2 opta pelo visual mais desportivo, tendo um custo de 30.815€. Como foi referido no início do texto, esta é uma forma mais em conta de entrar no universo Premium dos SUV da Audi, mas não barata. Ou seja, o preço acaba por se ajustar, tendo esta variante itens como os bancos desportivos e ar condicionado, entre outros itens.

Já a lista de opcionais é vasta, podendo fazer elevar o custo final. Merece destaque o Pacote Advance (965€ quando configurado com o nível Sport), que acrescenta valor e deve ser considerado, uma vez que junta o pacote MMI Rádio Plus com ecrã de 7”, sensores de estacionamento atrás, volante desportivo multifunções em couro, computador de bordo e interface Bluetooth. Ao nível da personalização, a cor amarela tem um custo de 400 euros, a que se juntam 180 euros da pintura de contraste (inclui frisos e partes inferiores da carroçaria em preto), pelo que o seu preço final pode facilmente rondar os 32.000 euros. Por outro lado, é justo que se diga que a versão Base (assim mesmo, com letra grande) tem um custo ligeiramente inferior – 28.775€ – embora não tão recheada como a Sport ou Design, para que conste.

VEREDICTO

O segmento dos SUV compactos, com dimensões equivalentes a este Q2, está em ebulição com muitas e diferentes novidades (ou renovações) a chegar. Mas este Q2 tem uma qualidade geral que o coloca numa posição muito particular de destaque, sobretudo ao nível da construção e da competência do chassis, o que conjugado com um motor 1.0 TFSI de elevada eficácia e surpreendentemente poupado o torna numa proposta altamente recomendável, mesmo que o preço possa ser alto para algumas bolsas. De qualquer forma, este é um SUV que respeita e dá seguimento à tradição Premium alemã da Audi. Nem seria de esperar outra coisa vindo de onde vem. Aliás, é fácil dizer que este é um dos modelos cumulativamente mais completos de toda a gama Audi.

Por outro lado, se na relação qualidade-preço este Q2 1.0 TFSI Sport tem atributos que justificam o ‘selo’ de recomendação, pode querer também optar pela variante Base com este mesmo motor (atrás mencionada) ou, até, caso não ‘morra de amores’ pelo seu estilo, considerar uma ‘evasão’ para alguma das propostas concorrentes, potencialmente mais acessíveis.

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