Fiat Fullback: Como num western spaghetti

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

A Fiat também já tem uma pick up à grande e à americana. Ágil, robusta e versátil, é a “montada” ideal para os modernos cowboys da pradaria ou da planície alentejana.

Os western spaghetti foram um género cinematográfico muito popular nas décadas de 60 e 70 do século passado. Depois do declínio do western clássico americano da década de 50 e dos filmes da era dourada de John Ford e John Wayne, foi a vez da Itália ressuscitar as aventuras do faroeste americano, produzindo filmes de baixo custo em Itália ou Espanha, que acabaram por se tornar objetos de culto.

A trilogia de Sergio Leone com Clint Eastwood é o epítome deste subgénero. “O bom, o mau e o vilão” acabou por se tornar dos western mais populares de sempre e há muito boa gente que tem os acordes da banda sonora de Enio Morricone como toque do telemóvel.

Mas o que é que os western spaghetti têm a ver com uma pick up da FIAT? Provavelmente nada, a não ser dizer que uma pick up é o género ideal de montada para os cowboys contemporâneos. Liberdade para explorar novas fronteiras, percorrer as pradarias do Arkansas ou as planícies do Alentejo, em estradas, caminhos e trilhos longe da civilização.

Este é o maior apelo das pick up como veículo de lazer, já que a sua essência e vocação principal é o trabalho e a utilização profissional. A Fiat não quis deixar de calçar umas “botas de cowboy” mas em vez de fabricar umas próprias encomendou as botas a um samurai – a Mitsubishi.

160503_fiat_professional_fullback_29O gigante italiano, aliás italo-americano (após a sua fusão com a Chrysler), repete a fórmula que já havia seguido com o 124 Spider, que utiliza a mecânica do Mazda MX-5.

Neste caso, usa a mecânica da consagrada e competente Mitsubishi L 200 e com um design e alguma tecnologia própria chama-lhe Fiat Fullback. A fórmula de baixo custo faz mesmo lembrar os western spaghetti, neste caso de uma marca italiana que está apostada em crescer no mercado americano e, simultaneamente, diversificar a sua gama na Europa e no resto do mundo.

 

Ágil e enérgica 

Pronto para uma cavalgada pela planície alentejana, confirmo que a Fiat soube aparelhar o seu Fullback. Esta é a versão de cabina longa (há outra de cabina curta). Tem uma aparência robusta e um tamanho que impressiona. Mais de cinco metros de comprimento e é quase da minha altura – 1,78 metros.

É preciso um pequeno esforço para subir para a “sela”, mas uma vez tomando as rédeas, vejo que as pick up mudaram bastante na última década.

Apesar de continuarem a ser mecanicamente simples e relativamente pobres nos acabamentos, os habitáculos estão agora mais refinados e com melhores pormenores de conforto. Os bancos são altos, talvez um pouco duros e sem apoio, mas a posição de condução é boa e típica deste género – alta e com olhar posto no horizonte.

Arranco. A imprecisão na engrenagem das caixas de velocidades de pick up é um fenómeno que se suavizou, mas não desapareceu. Esta Fullback recorre a uma caixa manual de seis velocidades que transmite a potência às quatro rodas através de um diferencial Torsen. Potência que é extraída do motor 2.4 Diesel de 180 cv, um poço de força a baixas rotações, que responde com vigor logo às 2000 rpm.

Apesar do seu elevado peso – 1805 quilogramas (se não levar uns troncos de lenha na caixa), a relação peso/potência é equilibrada – 10 kg por cada cavalo de potência. Quando soltamos a rédea ao motor em estrada, percebemos que as recuperações são enérgicas e que não é preciso estar sempre a recorrer à caixa para ganhar embalo.

A velocidade máxima é de170 km/h, mas não é para sprints de asfalto que esta Fullback está talhada. Mesmo admitindo que 90 por cento do tempo de utilização de uma Fiat Fullback seja em asfalto, a parte interessante de ter uma, está nos 10 por cento de utilização em ambiente de off road.

Em estrada, sobretudo molhada, a tendência para uma traseira “escorregadia” e “dançarina” (como quase todas as pick up) é largamente compensada pela eficácia da tração integral e da ação do diferencial Torsen que vai fazendo a gestão do esforço entre os dois eixos.

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Cavalgando pelo Alentejo

Já não há comanches no deserto, nem salteadores de estrada nos confins do Alentejo, por isso em descontraído modo “off road” podemos apreciar as qualidades desta pick up italo-japonesa. A primeira de todas é o nível de conforto que as suspensões já oferecem e que dão para rolar com alguma suavidade em estradões de piso irregular.

Isto é um salto quântico para as pick up, já que há meia dúzia de anos, as suspensões eram simplesmente arcaicas e cada trilho mais agreste era uma sessão de karaté.

Obviamente que estamos ainda longe da sofisticação tecnológica e eletrónica dos modernos SUV, mas aqui, mais importante do que a eficácia, é a robustez e robustez é coisa que não falta a esta Fullback. Enfrento agora um corta fogos em piso de cascalho e com um grau de inclinação que quase dá vertigens.

Os pneus são submetidos aqui a uma carga mais intensa, mas aguentam a tração que é transmitida às rodas. Na estrada, na planície ou num corta-fogos na Serra da Ossa, a Fiat Fullback distingue-se pela sua agilidade e capacidade de oferecer divertidos momentos de condução.

Peca apenas por ter um habitáculo mais espartano e pobre do que os seus rivais e por realizar consumos médios bem acima dos 6,4 litros anunciados, mas isso também se pode dever à fogosidade própria com que este cowboy se imaginou a cavalgar ao lado de Clint Eastwood para um duelo ao pôr do sol com o Eli Wallach, Lee Van Cleef ou outro bandido qualquer.

 

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FICHA TÉCNICA

Fiat Fullback Cabina Longa 2.4 180 cv 4×4 Adventure

Motor: 4 cilindros Diesel

Potência: 180 cv/3500 rpm

Binário: 430 Nm/2500 rpm

Transmissão: Caixa manual 6 vel, tração integral c/diferencial Torsen

Peso: 1805 kg

Vel. Máxima: 170 km/h

Consumo médio: 6,4 l/100 km

Emissões CO2: 169 g/km

Preço: 32 500 euros

 

Por um punhado de euros A Fiat tem em curso uma campanha para um contrato de renting desta versão de 180 cv. A marca garante um desconto de 14 por cento no PVP do modelo o que significa que com contrato de renting o preço é de 31 105 euros com cinco anos de garantia, ou seja 418 euros por mês mais entrada e valor residual.

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