Honda Civic: Um toque mais desportivo

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

Dois bons motores a gasolina, uma direção muito precisa e outra plataforma fazem do novo Honda Civic um carro agradável e divertido de guiar. Espaço também não falta, o estilo é que não será para todos. Os preços arrancam nos 23.300 euros.

A Honda tem uma longa tradição desportiva e a décima geração do emblemático Civic é um repositório do que de melhor a marca japonesa é capaz em termos de tecnologia. E por isso não custa aceitar que o fabricante nipónico apresente o seu novo modelo como o mais desportivo de sempre numa família que já vai em quatro décadas de história – e uma boa história.

Quem gosta de um carro eficiente do ponto de vista dinâmico, que junta a estas características ofertas referenciais em matéria de espaço e funcionalidade, tem aqui uma escolha a considerar. Mas, como nem tudo são rosas, aquela que parece a grande questão, tem a ver com a estética, essa, ainda que gostos não se discutam, tão especial que nos parece fazer do Civic um carro que não é para todos.

Linhas vincadas, formas acutilantes, o novo Civic é daqueles modelos que não passam despercebidos. As grandes (e falsas) entradas de ar dianteiras, replicadas na traseira, podem, com certeza, acentuar o caráter desportivo, ser até elemento distintivo, mas estarão longe de contribuir para a imagem de um carro de imagem consensual, mesmo para quem goste de um estilo mais agressivo e futurista. Mas, também é verdade, um carro com aerodinâmica muito conseguida, e beneficiando de o que isso significa. E ainda mais leve e com a rigidez aumentada.

Uma razão de razões

É um caminho que a Honda vem seguindo – aliás a exemplo de outros construtores japoneses – pelos vistos sem penalização, a julgar pelos resultados comerciais. E daí, provavelmente, até terá razão de ser e permitiu, inclusivamente, que o construtor, contrariando o que vinha fazendo, tenha agora no Civic um modelo global, o mesmo carro feito em Inglaterra para todo o mundo.

Do ponto de vista prático temos um carro maior, mais largo e mais baixo, assente sobre uma nova plataforma, centro de gravidade mais baixo e até uma posição de condução diferente, mais rebaixada e desportiva.

O ambiente a bordo tem vindo, progressivamente, a revestir-se de uma modernidade menos fantasista. Desapareceu de vez aquilo estilo alguns chamaram de “estilo nave espacial” para nos depararmos com um habitáculo que, por via de uma consola elevada (na verdade com dois níveis) e prolongada pelo braço de apoio, se desdobra num cockpit duplo, com posto de condução envolvente, desportivo e irrepreensível do ponto de vista ergonómico.

Instrumentação digitalizada, um volante multifunções de dimensão certa e boa, seletor de velocidades bem posicionado, comandos fáceis e intuitivos, até na lógica do ecrã central, ajudam a gostar de “viver “ o Civic.

Neste particular, o Civic começa a marcar pontos. Continua a somá-los em termos de habitabilidade (há mais espaço à frente e atrás), funcionalidade e na mala, outro elemento referencial com os seus 478 litros de capacidade (420 no Sport).

A diferença

O novo Civic começa a sua vida com a oferta de dois novos motores a gasolina, da família agora designada i-VTEC. E o mínimo que pode dizer-se, apesar do pouco que este motores ainda representam em Portugal, é que começa bem. A novidade maior quando se atende ao mercado nacional é um três cilindros turbo com 1.0 litro de capacidade, que debita 129 cv e o binário de 200 Nm às 2250 rpm. Está, sem dúvida, ao nível das melhores propostas do género. Faz o Civic mexer-se muito bem, acelera de 0 a 100 em 10,4 segundos, mas até impressiona mais nas recuperações. A insonorização é boa, mas ainda assim, há outra sonoridade a bordo. Deixa melhor impressão no que respeita às vibrações, quase impercetíveis. Em matéria de consumos, ficam-se pelo razoável. As emissões são de 110 g/km

O quatro cilindros 1.5 é outra coisa com os seus 182 cv e os 240 Nm de binário às 1900 rpm. Extremamente suave, entrega a potência com grande naturalidade e garante um conforto de condução elevado. Pode fazer 8,2 segundos de 0 a 100, mas tal como o três cilindros, deixa muito boa impressão nas recuperações. Os consumos andam nas casas habituais e as emissões são de 133 g/km.

Um e outro dispõem de transmissão manual de seis velocidades (com aquele ”toque” inconfundível) ou de uma caixa automática de variação contínua (com sete mudanças simuladas), solução em que a Honda insiste. Os progressos são evidentes, o conforto é outro, sobretudo porque o mecanismo é menos ruidoso, mas não se perde aquela sensação de “arrasto” inerente ao sistema que procura oferecer sempre a relação exata. Num e noutro baixam as emissões, no 1.0 há uma ligeiríssima melhoria nos consumos indicados, ao contrário do que sucede no 1.5. As prestações pouco se ressentem.

Tudo isto, na estrada, resulta num carro agradável de guiar e muito eficiente, também porque a direção assistida elétrica variável de duplo pinhão, derivada do Type R de 2015, garante outra sensibilidade e precisão assinalável. É mesmo um dos argumentos a realçar! A nova suspensão multibraços atrás contribui igualmente para este comportamento que combina eficácia e conforto em dose bem medida. Além, claro das múltiplas ajudas eletrónicas que podem contemplar os amortecedores adaptáveis.

Em Portugal

O novo Civic, que contará com uma garantia de cinco anos, estará em Portugal entre o final de março e o princípio de abril. Na versão de entrada, com o motor 1.0 turbo, vai oferecer quatro níveis de equipamento: Confort (23.300 euros), Elegance (25.530 euros), Executive (28.830 euros) e Executive Premium (29.730 euros). Logo na versão de entrada conta-se com travãoi de mão elétrico, buetooth, start/stop, ar condicionado automático, luzes diurnas em LED, sensor de Luz e sistema áudio com ecrã de 5”.

Para o motor 1.5 Turbo as escolhas são Sport (31.710 euros), Sport Plus (33.710 euros) e Prestige (34.710 euros). Acrescem ao equipamento referido a câmara traseira, retrovisores retráteis, ar condicionado automático com duas vias, escape central duplo e vidros traseiros escurecidos.

Em maio está prevista a comercialização do modelo de quatro portas (ao estilo de um coupé) e o Diesel deve chegar no último trimestre do ano.

Fichas técnicas*
1.0 i-VTEC
Motor: 1.0, três cilindros, turbo, start/stop
Potência: 129 cv/5.550 rpm
Binário máximo: 200 Nm/2.250 rpm (180 NM/1.700-4.500)
Transmissão: caixa manual de seis velocidades ou automática de variação contínua
Aceleração 0-100: 10,4s (10,2 s)
Velocidade máxima: não indicada
Consumos: média – 4,8 (4,7) l/100; estrada – 4,1 (4,2); urbano – 6,1 (5,5)
Emissões CO2: 110 (106) g/km
Mala: 478 litros (420 no Sport)
Preço: desde 23.300 euros
*Entre parêntesis valores com caixa CVT

1.5 i-VTEC
Motor: 1.5, turbo, start/stop
Potência: 182 cv/5.550 rpm (182 cv/6.000 rpm)
Binário máximo: 240 Nm/1.900-5.500 rpm (220 Nm/1.700-5.500)
Transmissão: caixa manual de seis velocidades ou automática de variação contínua
Aceleração 0-100: 8,2s (8,2 s)
Velocidade máxima: não indicada
Consumos: média – 5,8 (6,1) l/100; estrada – 4,9 (5); urbano – 7,4 (7,9)
Emissões CO2: 133 (139) g/km
Mala: 478 litros (420 no Sport)
Preço: desde 31.710 euros
*Entre parêntesis valores com caixa CVT

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