Mazda CX-3: Estilo, muito estilo!

Menino bonito num segmento em que a imagem é muito importante, o crossover japonês Mazda CX-3 recebeu, já este ano, importante renovação. Fomos descobri-lo em estrada, na nova e apetecível versão ‘Special Edition’, impulsionada pelo já conhecido 1.5 turbodiesel de 105 cv. Mas, acima de tudo, com estilo, muito estilo!…

Destinado a um dos segmentos mais populares – e competitivos! – do mercado como é o dos pequenos crossovers, rival assumido e declarado de verdadeiros best-sellers como são o Renault Captur, o Nissan Juke ou o Peugeot 2008, o Mazda CX-3, modelo de entrada na gama mais offroad do fabricante de Hiroshima, enquadra-se facilmente naquele tipo de carro de que é quase impossível não gostar! Pelas linhas de certa forma desafiantes e ao mesmo tempo aventureiras, pela postura irreverente marcada igualmente pela tecnologia vanguardista, mas também pela qualidade e até melhor desempenho dinâmico, a verdade é que não é difícil sentirmo-nos seduzidos pelo pequeno SUV nipónico que, espécie de “irmão pequeno” do familiar CX-5, faz do estilo uma das suas principais formas de afirmação. Ajustado na perfeição àqueles que são os gostos dos consumidores actuais; e, ainda mais, depois da actualização a que foi submetido já este ano!

O peso da estética

Disponível entre nós com apenas uma única motorização , o já conhecido turbodiesel 1.5 SKYACTIV-D de 105 cv, a que tanto pode ser acoplada caixa manual como automática (ambas de seis velocidades), tracção dianteira ou integral, além de um de três níveis base de equipamento – ‘Evolve’, ‘Excellence’ e o novíssimo ‘Special Edition’ -, foi, no entanto, com aquela que é actualmente a nova versão de topo – Mazda CX-3 1.5 SKYACTIV-D 2WD Special Edition Navi -, que decidimos sair para a estrada. Desde logo, conscientes do impacto que as linhas exteriores facilmente causam em quem o vê passar; ou melhor, já causavam, uma vez que o facelift desvendado já este ano poucas ou nenhumas alterações trouxe ao exterior. A não ser, talvez, as três novas cores – Machine Grey, Branco Pérola e Eternal Blue.

Desta forma, mantêm-se como principais elementos de destaque uma frente da qual sobressai a generosa grelha frontal de moldura metalizada e a interligar ópticas dianteiras com assinatura luminosa integrada, quase a fazer lembrar uma ave de rapina; as obrigatórias protecções em plástico de cor negra a emoldurar os limites da carroçaria; bonitas jantes em liga leve neste caso de cor cinza; assim como uma traseira onde, a par de farolins rasgados e também eles agressivos (no bom sentido!), destaca-se igualmente a solidez transmitida por um portão de óculo pequeno e subido, além da desportividade exalada pelas duas ponteiras de escape posicionadas individualmente nas extremidades da carroçaria.

Interior com mais qualidade… e as mesmas limitações

Hoje em dia com o peso e importância que lhe transmite o facto de, só ele próprio, ter conseguido quase um quarto da totalidade das vendas na Europa, em 2016, acaba sendo no interior e em particular para os ocupantes, que a actualização já em comercialização do Mazda CX-3 maiores novidades traz. Começando, desde logo, pelo elevar da qualidade e requinte a bordo, mercê, no caso da versão por nós ensaiada, de uma escolha mais cuidada dos revestimentos, com maior incidência no couro, na alcântara e no metal, em espaços como o frontal do tablier, as portas, os bancos e até mesmo o volante – o que não quer dizer que os plásticos rijos tenham acabado! Embora, tudo isto complementado por uma solidez e qualidade de construção que já era, anteriormente, de nível elevado.

Num habitáculo que continua a exibir melhor acesso para os ocupantes dos lugares dianteiros, que através das portas traseiras (principalmente ao sair, é preciso cuidado com a cabeça!), mantêm-se as linhas simples e sem grandes artifícios, a procurarem evidenciar de forma ainda mais acentuada o estilo e a qualidade, do que propriamente aspectos como a funcionalidade ou a utilização no dia-a-dia. Não tão conseguidas, entre outros aspectos, devido à fraca capacidade da grande maioria dos espaços de arrumação (no caso da prateleira na base da consola central, prejudicada inclusivamente por conter as entradas USB, AUX e de cartão); da colocação um pouco recuada e de acesso não muito fácil do joystick rotativo que permite comandar o sistema de info-entretenimento Human Machine Interface; ou até mesmo e já agora, de um ecrã táctil que, embora bem posicionado e a cores, não é muito grande, além de perder a sensibilidade a partir do momento em que nos colocamos em marcha – questões de segurança? Não percebemos…

Convincente, pelo contrário, a posição de condução, um pouco alta como já é de esperar em qualquer SUV, ainda que, neste caso, apurada com as várias mais-valias que fazem parte do (excelente) nível de equipamento ‘Special Edition’. Como é o caso dos bancos de bom apoio lateral, revestidos a couro e alcântara, e com regulações eléctricos; do volante ajustável tanto em altura como em profundidade, e com boa pega, ainda que com demasiados botões e nem todos muito intuitivos; ou ainda da inclusão de um Active Driving Display (sinónimo de Head-Display em linguagem Mazda…) agora a cores, com maior brilho e contraste, mas também todas as informações possíveis e imaginárias – não só a velocidade, até porque o mostrador TFT integrado no conta-rotações do painel de instrumentos não é a solução mais legível, mas também as indicações de navegação, sinais de limite de velocidade, e até um pequeno sinal de alerta de veículo no ângulo morto! Muitas informações que, embora importantes, surgem muito concentradas no centro da lâmina rebatível, tornando, por vezes e especialmente no início, os dados exibidos um pouco confusos.

Sem alterações na base rolante ou dimensões, o renovado CX-3 mantém igualmente um habitáculo mais vocacionado apenas para quatro ocupantes, até porque o túnel de transmissão, atrás, é bem saliente e o espaço para pernas não é assim tanto quanto isso, o mesmo acontecendo com a bagageira, onde uma capacidade de carga inicial de 350 litros, ainda que valorizada por um bom acesso, não seja propriamente uma referência. Nem mesmo quando rebatemos as costas dos bancos traseiros praticamente na horizontal e na sequência do piso da mala, garantindo assim 1.260 litros. Valor que, embora melhor, não chega para fazer esquecer a pouca funcionalidade de um alçapão por baixo do piso falso e a toda a dimensão do espaço, mas depois com pouca altura, ou até mesmo a inexistência de quaisquer soluções de funcionalidade, como ganchos porta-sacos ou tomadas de 12V.

Equipamento: uma satisfação!

Inatacável e até merecedor de fortes elogios é, pelo contrário, o equipamento que esta ‘Special Edition’ Navi congrega de série e do qual fazem parte, além de alguns elementos já citados, mimos como o sistema áudio premium BOSE, leitor de CD, Bluetooth, entradas USB (2), volante revestido a pele, retrovisores eléctricos, ar condicionado automático, computador de bordo, sistema de arranque inteligente (i-Stop), Start&Stop, sistema de monitorização da pressão dos pneus, jantes em liga leve, ópticas, faróis de nevoeiro e luzes diurnas em LED, Active Drive Display, sistema de acesso e ignição sem chave, bancos em pele e tecido, bancos dianteiros aquecidos, câmara de auxílio ao estacionamento traseiro, sistema de monitorização do ângulo morto, sistema automático de accionamento de máximos e sistema de navegação.

Já no capítulo da Segurança, não menos atenção, com soluções como o ABS com Distribuição Electrónica da Força de Travagem, Assistência à Travagem de Emergência, airbags frontais, laterais e de cortina, Controlo Dinâmico de Estabilidade, Ajuda ao Arranque em Subidas (Hill Launch Assist), Apoio Inteligente à Travagem em Cidade (Smart City Brake Support) e Mazda Radar Cruise Control.

Opcionais, podem ser adquiridos, principalmente, através de dois packs: o ‘High Safety’, que por 1.085€ garante a inclusão de sensores de estacionamento traseiros, Aviso de Transposição Involuntária da Faixa de Rodagem, sensores de luminosidade e chuva, e vidros traseiros escurecidos; e o ‘High Technology’, que por mais 1.310€, inclui o Sistema de Monitorização do Ângulo Morto (BSM), o Controlo Automático de Máximos (HBC), o Sistema Adaptativo de Iluminação Frontal (AFLS) e o Mazda Radar Cruise Control.

Já a inclusão de estofos em pele e alcântara como os que o nosso carro ostentava, implica o pagamento de 810€, valor do ‘Pack Half-Leather’, mas que, no entanto, também inclui o aquecimento dos bancos dianteiros. Ao passo que só o sistema de navegação, que só não é mais intuitivo porque não é possível introduzir quaisquer dados através do ecrã táctil, quando em movimento, “vale” 400€.

Motor competente… também nos consumos

Disponível entre nós apenas e só com um competente 1.5 Diesel, quatro cilindros em linha turbocomprimido a debitar 105 cv de potência às 4000 rpm e um binário máximo de 270 Nm logo a partir das 1600 rpm e até às 2.500 rpm, no caso do “nosso” CX-3 conjugado com caixa manual de seis velocidade e tracção apenas dianteira, a verdade é que, também na utilização, o pequeno crossover japonês faz questão de se afirmar com estilo.

Desde logo, graças a um motor que, embora deixando transparecer algumas (ligeiras) vibrações especialmente quando a frio, mas também prejudicado por uma insonorização do habitáculo que efectivamente poderia ser melhor (a Mazda reclama ter feito melhorias nesta área, mas ainda não chega), não deixa de garantir franca disponibilidade e capacidade de aceleração em todas as situações, especialmente, se mantido acima das tais 1.6000 rpm.

Acima desta marca e sempre que o propósito é recuperar rapidamente velocidade, basta uma aceleração mais a fundo para beneficiar de um boost momentâneo de potência, com o ponteiro do conta-rotações a subir célere até perto do red-line, às 5.000 rpm. Ainda que com a ponta final, em particular nas últimas mil rotações, a revelar já mais esforço que eficácia.

Mas se na desenvoltura o bloco SKYACTIV agrada, o mesmo se passa, por exemplo, no não menos importante capítulo dos consumos, com o CX-3 a cumprir na perfeição com médias de 5,7 litros. Valor que, embora acima dos 4,0 l/100 km anunciados pela marca em trajecto misto, não deixa de ser uma boa marca. Sendo que para isso também contribui a actuação da caixa de velocidades manual, não só com feeling “à la Mazda”, mas também com uma 6.ª relação claramente configurada para moderar o apetite do pequeno crossover.

Citadino até à medula!

Ajudado igualmente por uma direcção agradável, não ficam igualmente dúvidas de que é na cidade que este CX-3 se sente “como peixe na água”, não só por este ser o espaço onde mais rapidamente cativa olhares, mas também pela desenvoltura que consegue acrescentar às linhas desportivas e desafiantes. Agradando a condutor e ocupantes graças também a um comportamento que, agora melhorado com alguns acertos na suspensão e, principalmente, pela introdução do novo sistema G-Vectoring Control ( solução tecnológica que ajusta automaticamente a intensidade da aceleração em função da inclinação do volante, de forma a impedir balanços acentuados da carroçaria e garantir maior precisão na trajectória), surge agora mais estável e preciso. Mesmo se não dissipando totalmente as repercussões naturais da necessidade de garantir um permanente conforto. Algo que, aliás, o modelo tem sempre presente, desde que, por exemplo, nas aventuras offroad, não enveredemos por verdadeiros “caminhos de cabras”.

Aí, pouco há a fazer, a não sentir no corpo os balanços que a suspensão não consegue dissipar e, já agora, esperar que o trajecto não pior muito – é que, até mesmo na distância ao solo, o CX-3 não deixa de ser muito estilo, parecendo muito mais do que aquilo que é…

Em suma…

Até aqui um adversário de respeito num universo de crossovers compactos repletos de bons argumentos, o Mazda CX-3 mostra, com esta actualização, que está cada vez mais na luta para, pelo menos, incomodar os principais candidatos. Desde logo, por saber bem as linhas com que se pode, e deve, coser: uma estética exterior cativante, um interior a respirar requinte, muito equipamento e, já agora, um motor a diesel mesmo à medida dos gostos dos consumidores!

É certo que o preço não será o seu maior trunfo, nem as características familiares servirão para fazer a diferença, mas a verdade é que, especialmente num segmento como aquele em que vive, a Imagem, o Estilo, não deixam de contar – e muito!…

Francisco Cruz

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.499

Diâmetro x curso (mm): 76.0×82.6

Taxa compressão: 14.8:1

Potência máxima (cv/rpm): 105/4.000

Binário máximo (Nm/rpm): 270/1.600-2.500

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,1

Velocidade máxima (km/h): 177

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,8/4,4/4,0

Emissões de CO2 (g/km): 105

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,275/1,765/1,535

Distância entre eixos (mm): 2,570

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.525/1.520

Peso (kg): 1.820

Capacidade da bagageira (l): 350/1.260

Depósito de combustível (l): 48

Pneus (fr/tr): 215/60 R16/215/60 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 29.514,84€

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