MINI Cooper SD Countryman: Tão crescidinho que ele está!

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Há muito tempo que a marca MINI deixou de significar carros míni. Na verdade, essa sua desenvoltura criativa tem sido pródiga em modelos de grande sucesso e aumentos sucessivos nas vendas a nível global. Mínis eram os outros. Estes já são crescidinhos.

Quase se poderia dizer que a MINI é hoje uma marca antagónica com a sua própria designação. MINI de identidade, ‘maxi’ de constituição. O novo Countryman é disso um bom exemplo, sendo este o maior dos modelos da marca britânica pertencente ao Grupo BMW, mas com todo aquele ‘charme’ irrequieto que caracterizou os Minis do antigamente. Só que agora em versão SUV, num carro com 4,3 metros de comprimento, pronto para dar cartas num mercado cada vez mais em voga. Afinal de contas, este é o MINI para levar a família para o corta-mato. Ou só para as escapadelas de fim de semana por maus caminhos.

Compreendendo que este é o momento certo para apostar num modelo de estilo SUV mais do que nunca com um corpo e características específicas para o segmento, a MINI revelou recentemente o seu novo Countryman, que face ao modelo que substitui está maior e mais apto para uma convivência familiar, fruto do aumento de 20 cm no comprimento e de 7,5 cm na distância entre eixos (2.670 mm). Dados que comprovam a teoria da evolução das espécies e que fazem do novo Countryman um carro competente para levar cinco adultos nas férias para o campo ou para a praia. Atrás, aliás, há todo um manancial de espaço que há duas décadas ninguém associaria à designação MINI. Mas os tempos mudam. E no mercado até já há um MINI Plug-in híbrido!

No Countryman há espaço de sobra para as pernas dos ocupantes traseiros e em altura, tirando partido também dos bancos com regulação longitudinal (opcional, mas que vale muito a pena), que assim podem ser movimentados para a frente ou para trás e permitem ganhar espaço de carga ou funcionalidade para os ocupantes dos bancos traseiros. Só a largura limita um pouco a habitabilidade, mas não desvirtua grandemente a versatilidade a bordo, até porque esta é uma forma muito interessante de se viajar em ‘classe MINI’. Na bagageira, mais um destaque: 450 litros, os quais podem chegar aos 1.390 litros, ficando pouco atrás de modelos como o Mazda CX-5 (477 litros) ou Audi Q3 (460 litros), mas à frente de rivais como o Toyota C-HR (377 litros) ou Nissan Qashqai (430 litros).

Depois, há detalhes que são preciosidades intrínsecas deste MINI, como por exemplo, o pequeno banco acolchoado ‘Piquenique’ que se pode equipar opcionalmente (por 120€) e que serve para se sentar no ‘lábio’ do porta-bagagens. Não será a opção mais procurada, mas lá que é um toque engraçado… é. Quanto ao desenho do interior, há elementos que são já tradicionais, como o grande mostrador circular no meio – onde está agora o ecrã multimédia – ou os interruptores que servem para controlar muitas das funções deste SUV. A qualidade está também num patamar muito bom, com excelentes revestimentos e construção que não tem reparos.

Condução MINI à grande

Recorrendo à mesma plataforma modular de modelos como o BMW Série 2 Active, o Cooper Countryman Diesel não tem só uma maior versatilidade interior. Consegue também beneficiar de uma condução equilibrada, mais familiar, sem se afastar em demasia daquele traço de diversão de condução que pretende ser transversal à gama MINI. Contudo, há naturalmente diferenças no comportamento deste em relação aos mais ‘pequenitos’ de três portas ou até mesmo para a versão Clubman.

A direção precisa e a suspensão com amortecimento firme (neste caso, com o amortecimento dinâmico e com jantes de 19″), sem ‘beliscar’ em demasia o conforto dos ocupantes, proporcionam uma experiência de condução pautada pela solidez dinâmica, fiel à de um turismo com suspensão sobrelevada, com equilíbrio e estabilidade elevada em curva. Aliás, a frente é incisiva na inserção em curva e apenas um ligeiro rolamento da carroçaria (face a um MINI ‘rasteiro’) denuncia uma orientação um tanto ou quanto diferente. Percebe-se, no entanto e com algum alívio, que o ‘espírito’ Mini está salvo apesar do aumento das dimensões.

Quanto às suas pretensões fora do asfalto, o melhor é ir com calma. A altura ao solo é mais adequada para pequenos caminhos de terra com buracos ou poças de lama do que terrenos verdadeiramente todo-o-terreno. Além disso, tem tração dianteira nesta variante.

Motor com fulgor

Igualmente positivo é o motor. A versão SD recorre à unidade 2.0 Diesel de quatro cilindros em linha com potência de 190 CV e binário de 400 Nm logo às 1.750 rpm. Em virtude disso, apresenta fulgor convincente, subindo de ritmo com facilidade e dando azo a uma condução espevitada, com recursos mais do que suficientes para viagens em estradas sinuosas e para toadas mais tranquilas numa tarde de verão soalheira. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 7,7 segundos, o que mostra a competência do motor.

Oferecendo grande agilidade a este Countryman, o motor Diesel não esconde igualmente algum ruído característico, mesmo que seja apenas uma questão sentida a frio, de forma mais comum.

Benéfica para a extração do potencial do motor de 190 CV é a atuação da caixa automática de oito velocidades (com patilhas atrás do volante), com passagens de caixa suaves e, quando em modo Sport, de enorme eficácia para que ritmo nunca seja penalizado.

MINI de modos

Acerca dos modos… A dinâmica deste Countryman SD é igualmente alterada pela presença do sistema opcional MINI Driving Modes, que permite ao SUV alterar as respostas da direção, acelerador/caixa e amortecimento entre o mais ecológico (Green) e o mais desportivo (Sport), dotando este Countryman de múltiplas ‘faces’, notando-se uma distinção maior no nível Sport pela prontidão das respostas e pelas passagens de caixa mais velozes. Não se transforma num JCW, mas serve para elevar a adrenalina.

Pelo lado menos positivo, o consumo médio obtido no ensaio – 6,7 l/100 km – apresenta um desvio face aos 4,6 l/100 km anunciados pela marca, mas há sempre variáveis que influem nesta apreciação, como a possibilidade de rodar em modo Sport por mais tempo do que no Eco, proporcionando, desde logo, um valor que pode ser diferente. Porventura, 100 quilómetros feitos em modo ECO trariam mais economia. Nota positiva para o sistema start-stop, com excelente desempenho na cidade.

Se tudo no MINI Cooper SD Countryman tem uma componente muito apelativa em termos de produto, é o preço que pode desmotivar alguns dos potenciais interessados. Com um preço base de 41.040 euros, equipar este modelo implica somar mais umas dezenas de euros por intermédio de elementos como o Pack Chili (2.800€), que acrescenta a movimentação dos bancos traseiros, depósito de combustível com maior capacidade (61 litros), jantes de 19″ Edged Spoke com pneus 225/45 R19, espelho interior antiencadeamento, pack de arrumação, ajuste longitudinal dos bancos traseiros, modos de condução MINI e ar condicionado bi-zona, entre outros. A versão ensaiada tinha ainda o amortecimento dinâmico variável (500 euros) e o Pack Wired (2.100 euros), o qual acrescentava o sistema de navegação Profissional com ecrã de 8″,

VEREDICTO

A MINI repete fórmula de sucesso e fá-lo bem. O Countryman é um modelo que não renega à sua herança britânica de diversão e personalização, surgindo aqui mais funcional e muito melhorado em termos de ergonomia e de habitabilidade. O motor 2.0 Diesel volta a ser um exemplo de força e de disponibilidade nas suas respostas, sendo coadjuvado por uma dinâmica precisa e competente, mesmo que não seja tão divertido quanto o MINI de três portas. Arremetendo pela vertente dos SUV Premium, o Countryman em versão SD tem fortes e válidos argumentos para se destacar, desde logo pela oferta de personalização e daquele velho espírito que permanece inalterado (afinal, é um MINI…), mas os opcionais podem tornar o preço final muito elevado. Além disso, a diferença em termos de preço face a um Cooper D de 150 CV – com um custo inicial de 36.174 euros – pode também demover alguns dos seus clientes para este último.

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