Opel Astra BiTurbo CTDI: Domingo desportivo

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Levar a família a passear nas tradicionais viagens de domingo pode ser uma atividade bem interessante, desde que se esteja ao volante de um carro apelativo de conduzir. O caso do Astra com o novo motor 1.6 BiTurbo CDTI de 160 CV é disso um bom exemplo, naquela que é uma visão desportiva simplificada sem extremismos, mas com muita eficácia.

A Opel tem na nova geração do Astra um verdadeiro caso de sucesso, tendo granjeado para as prateleiras da marca diversos troféus distintivos, como os de Carro do Ano Europeu e Carro do Ano em Portugal em 2016. Mas, a este modelo faltava um pouco de condimento na forma de uma versão que pudesse proporcionar uma sensação mais desportiva. Se a imagem pode ser potenciada com o Pack OPC Line, que dá ao Astra uma imagem um pouco mais aguerrida, mas assumidamente discreta (realce para os para-choques e para as jantes de 18 polegadas com desenho especifico, além de ponteira de escape cromada oval e cidros traseiros escurecidos), os dois novos motores – 1.6 Turbo de 200 CV e 1.6 BiTurbo CTDI de 160 CV – que a marca lança agora encarregam-se de oferecer um pouco mais de adrenalina, posicionando-se no topo das respetivas opções a gasolina e Diesel. E, se não são ‘OPC’ verdadeiros, são uma boa forma de aliarem prestações elevadas à condição de familiar prático.

Melhor de dois mundos

Ao volante da opção a gasóleo com dupla sobrealimentação, percebe-se que o motor empresta ao familiar compacto da Opel uma outra faceta, bem mais desportiva, indo ao encontro das intenções da marca, que não quer colar a este modelo uma imagem extrema, mas sim um compromisso entre prestações de elevado nível, eficácia e versatilidade de utilização. Olhando de forma simples para aquilo que Opel Astra consegue fazer, é fácil reconhecer-lhe a virtude de cumprir com nota elevada todos os seus objetivos.

O motor Diesel, com dois turbocompressores de funcionamento sequencial, em dois patamares, prima pela competência na disponibilização da potência numa regime tão baixo quanto as 1.200 rpm, demonstrando dessa forma um ‘pulmão’ exemplar do qual se consegue tirar partido até às 3.500-4.000 rpm. Nessa faixa, é fácil ganhar velocidade, mas também obter recuperações muito eficazes graças ao binário de 350 Nm, diminuindo dessa forma o recurso à caixa manual de seis velocidades, a qual tem manuseamento corretíssimo e uma configuração que facilita a extração de todo o potencial do propulsor. Polivalente, a unidade BiTurbo consegue ser uma ‘cruzadora’ de longas distâncias tranquila para autoestrada, apta a incrementar a rapidez quando necessário, mas também um aliado de valor para percursos em estradas secundárias com subidas e descidas constantes.

Em condução mais aguerrida é a curva de binário tão pujante e ampla que coloca a condução mais próxima à de um desportivo ‘a sério’, sobretudo quando em modo Sport, que modifica a resposta do acelerador e coloca o motor pronto para subir de nível de maneira mais contundente (intervindo também na direção, que fica mais reativa). Por outro lado, confirmando o já referido compromisso entre performances e eficiência, o consumo médio está longe de ser exagerado: no nosso ensaio (com cerca de 60% de trajeto feito em ambiente urbano e os restantes 40% em nacionais e autoestradas a velocidades legais estáveis), obtivemos um meritório registo de 5,4 l/100 km. Muita desta economia é conseguida por obra do competente sistema Start-Stop.

Além disso, para completar o rol de atributos positivos deste Astra em ‘disfarce’ OPC, é obrigatório salientar o seu refinamento, tanto ao ralenti, como em andamento, numa prova do bom trabalho de insonorização e supressão das vibrações feito pela marca de Rüsselsheim.

Eficácia de topo

No lado do comportamento, não há melhorias na técnica que prefigurem uma dinâmica adequada à de um desportivo. Mantém-se, contudo, a impressionante competência com que consegue filtrar o mau piso (mesmo com jantes de 18 polegadas) e curvar de forma rápida com segurança. A ligeireza de movimentos e a contenção do rolamento da carroçaria em curva são dois dos seus méritos, mesmo que o motor CDTI acarrete igualmente um ligeiro aumento do peso (total de 1.410 kg com o condutor), que não se traduz de maneira evidente na dinâmica do eixo dianteiro. Até porque a nova plataforma do novo Astra permite obter uma sensação de agilidade inerente a este modelo, qualquer que seja o seu motor, ajudada igualmente pela direção precisa.

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Por dentro, à sobriedade alia-se a qualidade bastante elevada em praticamente todos os aspetos, tanto nos materiais como na construção, sendo também um dos modelos que mais espaço oferece aos ocupantes dos bancos traseiros no segmento.

O equipamento da versão Dynamic Sport (31.760€) conta com itens dignos de registo como o IntelliLink de nova geração para reforço da sua conectividade (ensaiado com o sistema de topo com custo de 650€, NAVI 900), sensores de estacionamento (os engenheiros da Opel têm mesmo de rever o volume dos apitos…) e o Opel OnStar de assistência à condução e à segurança, naquele que é um conjunto adornado pelo kit OPC Line, o qual surge em dois patamares na versão Diesel (é de série no 1.6 Turbo a gasolina). O Pack OPC Line I tem um custo de 900 euros e inclui para-choques mais agressivos, saias laterais e forro do tejadilho em preto, ao passo que o Pack OPC Line II custa 1.250 euros e acrescenta jantes de liga leva em 18″ e vidros traseiros escurecidos.

No capítulo da segurança, vale a pena mencionar a presença de série no nível Dynamic Sport da câmara dianteira Opel Eye de nova geração, com sistema de Reconhecimento de Sinais de Trânsito (que combina as imagens da câmara e as informações do sistema de navegação para fornecer indicações ainda mais precisas), o Alerta de Saída de Faixa com correção automática da direção e o Alerta de Colisão Iminente visual e acústico. Desta função faz parte a Assistência Integrada à Travagem e a Travagem Autónoma de Emergência, que trava automaticamente o veículo contribuindo assim para evitar colisões, ou reduzir a sua gravidade, a velocidades relativamente baixas (o sistema funciona a velocidades entre 8 km/h e 80 km/h – abaixo dos 40 km/h, poderá até imobilizar o veículo completamente).

Veredicto

A Opel sabe que é importante ter presença numa faixa que empresta estatuto à gama, mesmo que a representatividade de vendas não seja enorme no nosso mercado. Ao unir o seu novo motor 1.6 BiTurbo CDTI de 160 CV à carroçaria de cinco portas, a Opel fá-lo com significativa excelência, já que à reconhecida eficácia de comportamento e de habitabilidade do novo Astra juntam-se prestações elevadas com baixo consumo associado. Uma versão que não é desportiva ‘pura e dura’, mas que se afigura como uma das propostas de topo deste segmento com uma relação preço/equipamento/qualidade extremamente apelativa.

Características 
Motor4 cil. em linha, injeção direta, turbos de geometria variável (2), intercooler
Cilindrada1.598 cc
Potência160 CV/4.000 rpm
Binário350 Nm/1.500-2.250 rpm
TransmissãoCaixa manual de 6 velocidades, tração dianteira
Vel. máxima220 km/h
0-100 KM/H8,6 seg
Consumo4,1 l/100 km
Emissões CO2109 g/km
Comp/larg/alt.4.370/2.042 (com espelhos)/1.485
Distância entre eixos2.662 mm
Peso1.410 kg
Mala370-1.210 litros
Depósito48 litros
Suspensão dianteira/traseiraIndependente McPherson/eixo de torção
Pneus série/ensaiado225/45 R17 (225/40 R18)
Travões dianteiros/traseirosDiscos ventilados/discos
Preço (ensaiado)31.760€ (34.360€)

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