Opel Zafira 2.0 CDTI 170 CV: ‘Todos a bordo…”

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Um dos modelos mais competentes no segmento dos monovolumes é o Zafira, que se afigura como a aposta da Opel para um mercado que, embora ameaçado pelo dos crossovers, permanece como um daqueles que continua a merecer bastante atenção. Assim, submetido a uma renovação de meio de ciclo no ano passado, o Zafira surge com muitos e interessantes argumentos, um dos quais é a conectividade, enquanto a competência dinâmica transforma-o num modelo de condução muito eficaz.

Com a primeira geração lançada em 1999, a marca alemã abriu a porta para um caminho de sucesso que se mantém até aos dias de hoje, com este modelo a aproximar-se dos três milhões de unidades vendidas desde então. O leque de clientes é heterogéneo, variando entre as famílias mais numerosas e os profissionais que procuram um monovolume versátil com sete lugares e estatuto muito próximo ao do Premium.

Este acaba por ser um aspeto importante para este modelo da Opel, uma vez que a renovação operada transforma o Zafira numa opção de qualidade assinalável, sobretudo no interior, que agora está até bem mais simples de apreender, dada a simplificação da consola central. Fundamental para uma vivência a bordo interessante é a chegada do ecrã tátil de sete polegadas que surge bem posicionado e com fácil leitura, reunindo agora uma grande parte dos comandos e de funcionalidades. Uma escolha bem efetuada por parte da Opel, o que a par dos já referidos materiais de boa qualidade tornam o Zafira numa opção de relevo neste segmento.

Exteriormente, as novidades abarcam o estilo dos faróis, para-choques e a grelha, para um visual mais moderno e em consonância com aquilo que se vê por exemplo no Astra de nova geração, que continua a dar cartas no segmento C. Sem nunca abandonar a temática da ‘asa’, que povoa os faróis e os farolins traseiros, o Zafira está muito mais moderno e isso é um ponto a seu favor naquela que é uma geração ‘apenas’ refrescada.

Versatilidade é ‘nome do meio’

Se há algo em que o Zafira merece mesmo nota muito relevante é na sua capacidade de versatilidade, com espaço para sete lugares com o reconhecido sistema de bancos Flex7, que permite adotar diferentes configurações no habitáculo consoante as necessidades. Com cinco lugares, o espaço em todos os aspetos é bastante interessante, tanto em altura como em largura e espaço para as pernas, permitindo dessa forma viagens com conforto e desafogo.

De igual forma, o sistema modular de bancos proporciona também a ‘criação’ de dois lugares suplementares na zona da bagageira, que permitem acomodar mais dois passageiros. O espaço acaba por ser interessante até para adultos, desde que não sejam muito altos, uma vez que a amplitude para as pernas é a característica que menos sobressai. Mas não deixa de ser uma opção real e válida para quem leva mais de cinco passageiros a bordo com frequência. O acesso a esses lugares também não é complicado, o que apenas reforça o seu carácter prático.

Dito isto, a capacidade da bagageira tem como valor mais comum os 710 litros com os cinco lugares, mas isso não é tudo. Rebatendo os bancos da segunda fila, abrem-se alas a um volume que pode chegar aos 1.792 litros. Com os sete lugares operacionais, já a tarefa é mais difícil para levar muita ‘tralha’ de férias, uma vez que a capacidade é limitada a 152 litros. Ponto de relevo é também o elevado número de espaços de arrumação no interior, que permitem acomodar pequenos objetos.

No capítulo técnico, o Zafira volta a contar com o sistema opcional FlexRide (900€) de controlo eletrónico da suspensão, que permite ao condutor escolher entre amortecimento mais confortável ou mais dinâmico graças a três modos de atuação: Normal, ‘Sport’ (com maior firmeza, direção mais pesada e menor intervenção do ESP) e ‘Tour’ (mais orientado para o conforto de rolamento e de utilização). O ‘Normal’ analisa cada momento e adapta os parâmetros atrás descritos consoante o estilo de condução, fazendo um equilíbrio interessante entre desportividade e requinte.

A este respeito, a dinâmica é um predicado muito interessante do Zafira, sendo capaz de conter bastante bem a inclinação da carroçaria, apostando igualmente num pisar composto que nem as jantes de maiores dimensões desvirtuam. Ainda assim, pode não ser tão suave sobre irregularidades mais severas como alguns dos rivais, sobretudo gauleses, mas a condução mais desportiva compensa – de certa forma – essa tendência. O conforto acústico é também uma nota interessante, embora a velocidades mais baixas se oiça facilmente o motor Diesel.

Além disso, o motor 2.0 CDTI de 170 CV continua a ser um motivo de destaque na casa de Rüsselsheim, permitindo respostas muito intensas desde regimes baixos, sobretudo em modo ‘Sport’. Os 400 Nm de binário ajudam a explicar essa vivacidade, que pode ser perfeitamente explorada até às 4.000 rpm, auxiliando também nas recuperações, aqui muito beneficiadas pela caixa manual de seis velocidades com bom tato e proximidade entre relações. Em suma, um motor com ‘genica’ para viagens em família sem que se mostre, igualmente, sedento: no nosso ensaio, obtivemos uma média de 6,4 litros por cada 100 quilómetros. Ponto a melhorar é a sonoridade do bloco em baixos regimes, deixando-se ouvir de forma evidente.

Ligado ao mundo

Outro ponto relevante: o da conectividade e serviços de assistência. O novo Zafira surge repleto de tecnologias inovadoras, como o IntelliLink de nova geração, com navegação e integração de smartphones através dos sistemas Apple CarPlay e Android Auto, sendo no caso premente importante notar igualmente a presença do sistema OnStar, o qual serve de assistente e ‘salvaguarda’ de segurança. Além de ter um operador sempre disponível, 24 horas por dia e em todos os dias do ano, a partir de um centro de resposta em Inglaterra (mas com operadores na língua materna), este sistema oferece também resposta automática em caso de acidente, naquela que é uma ajuda preciosa num momento em que o ‘e-call’ se apresta a ser obrigatório na União Europeia. Caso haja um acidente e não exista resposta por parte do condutor ou passageiros, é automaticamente acionada uma chamada de emergência que fornece os dados de localização exata do veículo. Num lado mais ‘light’, pode também ajudar a recuperar o veículo em caso de roubo ou servir de ‘hotspot’ Wi-Fi 4G/LTE com ligação até sete dispositivos.

O sistema Opel Eye (750€) de nova geração também está presente com outras soluções relevantes como o indicador de distância para carro da frente, reconhecimento de sinais de transito e controlo dos faróis inteligentes AFL, compostos por tecnologia LED e que ajustam automaticamente os feixes de luz a cada situação de condução para oferecer sempre a melhor visibilidade. A mesma câmara garante a atuação do Alerta de Colisão Dianteira Iminente e previne acidentes. A versão ensaiada contava ainda com o vistoso pack OPC Line (1.100€). A entrada na gama faz-se a partir dos 36.000 euros, mas a versão ensaiada (Innovation), com os seus extras aproximava-a dos 40.000 euros (39.950€), ainda assim um valor interessante atendendo ao conjunto de equipamentos.

VEREDICTO

Para grandes famílias, grandes soluções. Este é o pensamento da Opel para a sua renovada Zafira e, na prática, tudo se encaixa para fazer deste monovolume de visual muito dinâmico uma opção de destaque num momento em que os SUV ‘pairam’ ameaçadores sobre estes modelos mais convencionais. Qualitativamente muito interessante, bem equipada e com uma condução que aposta numa toada mais desportiva, logo competente, a Zafira está em posição de relevo no seu segmento. A versatilidade interior é ponto muito forte num modelo em que ninguém quererá ficar em terra a olhar para a sua traseira enquanto se afasta.

‘Devo comprar?’ A Opel tem enorme confiança na Zafira e percebe-se que os seus pontos positivos foram muito reforçados nesta renovação de meio de ciclo. Muito recheada em termos de equipamento e eficaz na condução, este monovolume é também um garante de solidez para longas viagens com soluções interessantes para grandes famílias e tecnologias que, apesar de avançadas, nem são muito dispendiosas. Em conclusão, tem uma relação preço/potência/equipamento que a destaca!

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