Peugeot 3008 1.6 BlueHDi: Este leão quer ser o ‘rei da selva’ SUV

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Eleito Carro do Ano em Portugal e na Europa, o 3008 representou para a Peugeot um impressionante passo em frente para a marca. O mais recente modelo da marca do ‘leão’ integrado numa ofensiva de novos SUV que terá muito em breve também o contributo do 5008, cujos códigos genéticos se podem até partilhar de forma muito íntima com o 3008, mexeu com o segmento e tratou de chamar para si um até então inédito protagonismo.

Face ao anterior 3008, que estava, tal como o anterior 5008, a meio caminho entre um SUV e um monovolume, o novo modelo da Peugeot afirma-se plenamente como um crossover, vendo o seu comprimento aumentar em 8 cm para 4,45 metros, enquanto a largura se mantém (1,84 m) e a altura é reduzida em 2 cm (para 1,62 m), mas com uma maior altura ao solo, agora na ordem dos 22 cm. A distância entre eixos também aumentou em 6 cm e com isso ganhou também o espaço interior, mas isso fica para mais tarde.

O que tem de tão especial, então, este novo 3008? O estilo ‘felino’ é um chamariz evidente, mas os seus maiores predicados estão no interior, que é verdadeiramente uma mais-valia face a muitos dos concorrentes.

Painel de instrumentos ‘camaleão’

O foco está na evolução do sistema i-Cockpit que foi estreado já há alguns anos – como o tempo passa… – no 208. Desde então, melhorou-se o conceito de muitas formas e aquele que se pode ver no 3008 é já uma visão impressionante de tecnologia integrada a bordo em consonância com desenho criativo do habitáculo.

O painel de instrumentos é uma das peças chave deste puzzle, com personalização avançada em que todos os parâmetros são de fácil observação. Aliás, este jogo ‘camaleónico’ é mesmo um dos pontos altos de toda a experiência a bordo, já que um simples botão no volante permite alterar o tipo de informação que é apresentado. O Grupo Volkswagen, por exemplo, tem um sistema semelhante, mas o grafismo deste Peugeot é algo de muito diferente.

O mesmo se passa com o sistema de infoentretenimento, igualmente uma evolução face ao da anterior geração. A sua integração na consola central está depois muito bem conseguida num estilo em que muitas das teclas parecem replicar as de um piano. Um toque muito agradável que marca pontos, assim como a qualidade dos materiais presentes no interior, a par da construção, mesmo que nalguns pontos pudesse estar um pouco melhor, como na junção entre a porta do porta-luvas e a zona inferior do tablier. Nada de grave que afete a boa sensação de qualidade geral de um modelo que se destaca ainda pelo muito espaço a bordo e pelos muitos espaços de arrumação.

Também o espaço para os ocupantes é um predicado a ter em conta no 3008, com conforto e cotas de habitabilidade interessantes para todos os passageiros, mesmo atrás, onde adultos poderão viajar com conforto e tranquilidade.

Evolução na condução

Ao volante, este ‘leão’ faz ‘peito cheio’ e assume um estatuto de referência, com uma conceção técnica que faz dele muito competente na forma como entra e sai das curvas, muito composto e com movimentos limitados da carroçaria. Um modelo que não se coíbe de mostrar uma apetência dinâmica de bom nível mesmo sendo um familiar dedicado. Conta com um pisar mais firme – mas não incómodo – que lhe permite essa tal destreza em curva, sendo um dos melhores do seu segmento neste capítulo.

O volante de diâmetro reduzido ajuda a manter o 3008 sob controlo total, sendo a direção igualmente um predicado elogiável pela sua precisão e feedback. Está mais perto de um ‘turismo’ do que de um SUV. Mas, fica a dúvida, não serão hoje os SUV cada vez mais ‘turismos’ disfarçados?

Quanto ao motor, a Peugeot sabe que os gostos dos europeus estão a mudar e os motores a gasolina estão a ganhar espaço, mas é no 1.6 BlueHDi de 120 CV que a grande maioria das vendas do 3008 irá assentar. Contrariando alguns receios de submotorização, esta unidade Diesel mostra uma destreza digna de registo, muito por culpa da sua reconhecida elasticidade e, não menos relevante, da competência da caixa automática de dupla embraiagem de seis velocidades (desenvolvida pela Aisin), a qual é exímia a dinamizar todo o potencial e binário do motor 1.6 Diesel. Não sendo um portento de força a ganhar velocidade e preferindo não subir muito de regime – a bem dos consumos – o 3008 tem rapidez q.b. para as situações do dia-a-dia.

O consumo médio no nosso ensaio foi de 5,4 l/100 km, o que atesta também um cunho de eficiência muito bem-vindo para este 3008.

O equipamento da versão Allure contempla itens tão interessantes como o head-up display, o sistema de infoentretenimento avançado com navegação e o ar condicionado bi-zona. A versão ensaiada, já com muito equipamento, tem um preço de 32.680 euros, mas a motorização 1.6 BlueHDi de 120 CV pode ser também adquirida a partir dos 30.680 euros no nível Active.

VEREDICTO

Merecedor de diversos galardões internacionais de Carro do Ano, o 3008 revela um conjunto repleto de boas qualidades, percebendo-se ao cabo de poucos quilómetros de condução a razão pela qual tantos elogios lhe são garantidos. Como um dos modelos SUV mais competentes do mercado, o novo 3008 alia forma e função tecnológica de forma muito elogiável, destacando-se, por exemplo, o desenho do painel de instrumentos e da consola central, verdadeiramente impressionantes. Quanto ao motor 1.6 BlueHDi de 120 CV, não é uma surpresa nem um velocista, mas ganha muito na sua junção à caixa EAT6, tornando-se expedito na forma como lida com as recuperações. Não é difícil recomendar o 3008 por tudo o que representa: um tiro em cheio no ‘alvo’.

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