Tesla S P85D: Uma corrente contínua de força

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista
Jornalista

O Tesla S quase dispensa apresentações. Tido como o desportivo elétrico mais rápido do Mundo e com uma autonomia que lhe permite encarar com alguma serenidade deslocações mais longas, o P85D (entretanto alvo de um upgrade) que o Motor24 experimentou tem acelerações de cortar a respiração. No modo “Insane”, os 691 cv de potência e o monstruoso binário de 931 Nm lançam as mais de duas toneladas num sprint furioso, que nos cola ao banco e faz os 100 km/h chegarem em 3,2 segundos!

Este desportivo faz virar cabeças por onde passa e se a estética é subjetiva (nós gostamos), as suas dimensões impressionam, seja pelos quase cinco metros de comprimento, pelos 1,96 metros de largura ou pelo silêncio com que se move.

Qualquer ultrapassagem no S não passa de uma mera formalidade, quase um fait divers. Pisa-se o acelerador e o “monstro” atira-se para a frente, furioso mas nunca raivoso, fazendo a paisagem desfilar a uma velocidade inaudita. É difícil encontrar as palavras certas para descrever a sensação de ficar colado ao banco e ver o carro a seguir a trajetória que desejamos sem se desviar um milímetro, graças às quatro rodas motrizes.

No limite, e em piso molhado, a traseira parece, por breves momentos, querer perder a compostura, mas rapidamente tudo volta aos eixos, até porque este P85D tem tração integral.

Facilidade de condução

O que nos espantou – tratou-se do primeiro veículo exclusivamente elétrico que conduzimos – foi a facilidade com que tudo se passava. No S quase nem damos uso aos enormes discos de travão. Basta levantar o pé do acelerador para as 2,1 toneladas começarem imediatamente a abrandar e mesmo a parar. Em aceleração convém ter um pouco de contenção no pé direito, pois não podemos esquecer que a potência e o binário fora do vulgar estão todos disponíveis mal carregamos no acelerador.

Quanto ao mais, este é um luxuoso carro, que se deixa conduzir com suavidade, sem barulho e mima os seus ocupantes com muito espaço a bordo. Mesmo a velocidades mais elevadas apenas se ouve o barulho dos pneus. Incrível!

Nota-se, nalguns pormenores, que a Tesla ainda não atingiu o mesmo patamar de maturidade que os seus concorrentes premium (há décadas estabelecidos no mercado) mas antes de falarmos deles destaque para a total ausência de barulhos parasitas nesta unidade (full extras), que contava já com 57 mil quilómetros, percorridos em menos de  um ano.

De qualquer forma é impossível de notar que o enorme S não dispõe de bolsas nas portas, que o alto apoio central de braços não permite guardar nada e que todos os nossos pertences apenas podem ser “despejados” num espaço largo, mas descoberto e de plástico, entre os bancos da frente. Existe uma prateleira para o smartphone e um porta luvas de dimensões normais. Nem os espelhos de cortesia dispõe de iluminação e a alavanca de velocidades no volante e os comandos dos vidros elétricos e retrovisores são compradas à Mercedes, mas não destoam do conjunto. Alguns destes pormenores já foram, entretanto, corrigidos pela marca.

Em contrapartida, o S pode ter quatro, cinco ou sete lugares (os dois últimos, destinados a criança, são colocados na bagageira e virados no sentido contrário ao da marcha.

Enorme “tablet”

O interior extremamente luminoso (tem teto panorâmico dividido em duas metades, sendo que a da frente abre) é dominado pelo enorme “tablet” de 17 polegadas onde tudo se comanda e a que rapidamente nos habituamos. Com a enorme virtude de limpar a consola de inúteis botões, alguns (poucos) colocados no volante de dimensões quase perfeitas.

A Zeev, empresa que comercializa os Tesla em Portugal, tem esta unidade à venda por 127 mil euros e já dispõe do monovolume X. Os veículos podem ser configurados no site da marca, acrescendo depois 2900 euros de despesas de transporte, legalização e homologação e os 23% de IVA.

Tendo sido impossível, nos dois dias do ensaio, aferir da real autonomia deste P85D (versão já descontinuada), que a marca anuncia ser capaz de ultrapassar os 500 quilómetros, fiquemo-nos pelos custos de um carregamento total das baterias, que ascende a oito euros se for efetuado durante a noite e em tarifa bi-horária, segundo a Zeev.

A manutenção preconizada resume-se a cada dois anos ou 40 mil quilómetros à substituição do liquido de travões e a cada quatro anos ou 80 mil quilómetros, à substituição do liquido de refrigeração de baterias de tração.

Correspondendo à crescente procura da marca no Norte do país, a Zeev vai inaugurar este mês instalações na Zona Industrial do Porto.

Entre a realização do teste e a sua publicação, a Tesla Spain&Portugal anunciou a sua entrada no nosso país, embora com instalações apenas em Lisboa, pelo menos numa primeira fase.

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