Toyota Prius Plug-in: Tantas razões para se ligar à corrente

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Enquanto prepara a sua aposta na vertente elétrica, que está também no horizonte, a Toyota mantém a sua posição de que os híbridos são, no imediato, a solução mais viável para a eletrificação do automóvel. Mais ainda quando se trata de um modelo Plug-in (PHEV), como é o caso deste Prius Plug-in.

Embora este seja o primeiro modelo criado de raiz com o intuito de ser um PHEV, com uma otimização de chassis para se adequar às exigências de um sistema Plug-in, não é o primeiro Prius com semelhante capacidade. Embora pouco recordada, o anterior Prius teve uma versão Plug-in, mas então com uma autonomia a rondar os 20 quilómetros. Estávamos nos primeiros passos da eletrificação no automóvel, em 2011, portanto ainda algo distantes de imaginar o salto técnico que viria a ser feito em pouco mais de meia década. É isso mesmo que surpreende – não se passaram dez anos. E, no entanto, cá estamos a falar de autonomias cada vez maiores e de modelos cada vez mais eficientes.

Hoje, há uma aposta cada vez maior nos elétricos, mas a Toyota é firme na sua convicção. Os Plug-in têm primazia neste momento. A comprová-lo está este modelo da marca liderada por Akio Toyoda, o Prius Plug-in, o qual deriva de um carro que palmilhou um caminho muito especial no segmento e no mercado automóvel mundial. Em conversa com um dos responsáveis da Toyota há não muito tempo e recordando a época do lançamento do Prius na sua primeira geração, brincou-se com o facto de muitas marcas terem olhado com desconfiança para o híbrido e para a tecnologia naquela época. Havia quem dissesse que não fazia sentido. Mal sabiam que aquela desconfiança é hoje uma tendência generalizada. Agora, o passo seguinte está dado com o Prius PHEV. Mas a Toyota também não quer perder o ‘comboio’ elétrico e prepara um modelo dedicado para o futuro.

Tão diferente que… é inconfundível!

Ponto prévio: o estilo é um fator polarizador e haverá quem adore e quem não goste. Mas é diferente. Muito, com tudo o que isso tem de bom e de menos positivo. Mas diferencia-se do que existe no restante mercado e até do Prius HEV, que é como quem diz híbrido puro, sem possibilidade de recarregar as baterias nas tomadas de eletricidade. Mas quem procura um Prius PHEV irá também à procura de um estilo de vida mais ‘eco’. Assim, porque não demonstrá-lo com o seu carro.

Para-choques dianteiro e traseiro, faróis e tejadilho marcam as principais diferenças deste ‘ecologista’. Além disso, a tampa da mala, com uma imagem curvilínea (fazendo lembrar uns lábios), também demonstra uma interessante preocupação com a eficiência ao recorrer a plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP) para a sua estrutura, dessa forma reduzindo o seu peso (leia mais no final do artigo). Mas, as alterações aqui verificadas não aconteceram por mero acaso ou por um qualquer sentido estético. Têm, ao invés, uma mais-valia de eficiência aerodinâmica, com este modelo a apresentar um coeficiente de arrasto de Cd 0.25, algo a que a tal secção curvilínea da traseira (com o óculo em dupla bolha a ajudar) e o visual em ‘cunha’ ajudam de forma evidente.

A melhor forma de ser Prius

Mas o que mais interessa nesta versão do Prius é a sua utilidade enquanto modelo híbrido Plug-in e os seus méritos são muitos nesta avaliação. Comece-se por um dado interessante: o consumo médio no nosso ensaio registou um total de apenas 2,1 litros de gasolina gastos por 100 quilómetros. Com muitos dos percursos feitos em modo EV (100% elétrico), o Prius Plug-In tira partido de uma autonomia real nesse modo em redor dos 45 quilómetros, mas que não se coíbe de atingir os 50 com alguma cautela exponenciada (oficialmente, a marca aponta para uma valor nessa ordem, entre os 50 e os 60 km, pelo que tudo está em ‘linha’, digamos assim). Além disso, pode ir sempre alternando entre o motor térmico e o elétrico quando a toada é calma e o piso é plano. Isso aumenta-lhe ainda mais a sua longevidade e competência na utilização alternada de combustível e eletricidade. No entanto, é claro e natural que essa média se obtém apenas com a utilização das baterias carregadas num percurso de 100 quilómetros, o que quer dizer que uma vez esgotada a carga das baterias ou se vai regenerando como pode com a condução (aproveitando descidas, por exemplo), ou se carrega o modelo de novo para se obter a desejada eficiência. Ainda assim, quantos se podem gabar de um consumo realista de 2,1/100 km?

O Prius Plug-in elimina de uma assentada a questão da ansiedade de autonomia dos elétricos, mas fornece também meios para uma condução ecológica e ‘ligada à corrente’. Além disso, fá-lo sem ter necessidade de se conduzir ‘à pastelão’. Este Toyota tem respostas muito enérgicas, sobretudo por causa da junção do binário do motor elétrico com o bloco 1.8 VVT-i a gasolina de 98 CV de potência – uma vez mais de ciclo Atkinson, que é considerado mais eficiente -, havendo aqui uma complementaridade de funcionamento que se adequa bem ao Plug-in, que regista uma potência total de 122 CV às 5.200 rpm. Não é entusiasmante, no papel, mas a sua essência é bem interessante, sobretudo com respostas prontas que disfarçam muito bem o seu peso.

Com uma tara mínima de 1.605 kg, a aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 11,1 segundos, o que não deixa de ser um bom valor e atesta a validade das prestações, mesmo que este não seja o carro ideal para andar ao despique nos semáforos. Pense-se que o Prius PHEV não irá deixar de lhe corresponder às expectativas sempre que precisar de elevar o ritmo, mas que o importante é ser ‘mansinho’ com o pedal do acelerador para conservar energia e estabilizar os consumos da preciosa gasolina.

Note-se que, para estas características, houve muito trabalho de fundo: o motor térmico foi revisto para aumentar a sua eficiência, com o labor a incidir no sistema de escape e bomba de óleo, entre outros, havendo ainda novidades no campo do sistema elétrico. A densidade energética das baterias – uma vez mais, de iões de lítio – foi ampliada em 36%, enquanto a sua capacidade duplicou dos 4.4 kWh para os 8.8 kWh. O peso das mesmas, alojadas no compartimento da bagageira, é de 120 kg. Isso permitiu que a velocidade máxima enquanto elétrico aumentasse para os 135 km/h.

Modos há muitos

Como não poderia deixar de ser, o Prius Plug-in dispõe de diferentes modos de condução. Além dos proverbiais ‘Normal’, ‘Eco’ e ‘Power’, a este modelo conta ainda com os modos específicos ‘EV’ e ‘EV City’. Podem parecer a mesma coisa, mas não são. O primeiro coloca o carro em modo elétrico, mas dá à unidade de gestão do sistema híbrido a capacidade de ‘chamar’ o motor a gasolina em casos de maior aceleração. O segundo é aquele que torna o Toyota num elétrico quase total. Isto porque dá ao motor elétrico a primazia em todas as operações. Pensado para uso citadino, este modo limita a potência – mesmo que não se sinta grandemente – e permite-lhe rolar em modo ‘VE’ durante os percursos pela cidade.

O carregamento das baterias deste Prius Plug-in pode ser feito a partir de tomadas elétricas, numa tomada doméstica, são precisas apenas três horas e 10 minutos para se proceder ao carregamento total, enquanto numa tomada de Tipo 2 Mennekes (de até 32 A), o tempo de carga esperado é de duas horas. As travagens e as desacelerações também recuperam energia para as baterias. O próprio motor pode fornecer energia para carregar as baterias elétricas, mas aí está a queimar combustível para o colocar a andar com o motor elétrico.

O Prius Plug-in estreia, igualmente, um Sistema de Duplo Motor EV, em que uma embraiagem unidirecional dentro do transeixo permite que o gerador do sistema híbrido atue como um segundo motor elétrico, funcionando em simultâneo para melhorar as respostas em modo elétrico, ou retardando ao máximo a entrada em funcionamento do motor térmico.

Confortável e seguro

O novo Prius Plug-in tem por base a mesma plataforma Toyota New Global Architecture (TNGA) do mais recente Prius, com um comprimento de 4.645 mm, largura de 1.760 mm e 1.470 mm de altura, sendo assim 165 mm mais comprido, 15 mm mais largo e 20 mm mais baixo do que o seu antecessor. A carroçaria foi melhorada em termos estruturais e a própria suspensão foi revista de forma profunda para oferecer uma condução capaz de agradar a ‘gregos e troianos’. Ou, como quem diz, para os momentos mais pacatos e aqueles em que é preciso acelerar o ‘passo’.

Fruto disso, o novo PHEV propicia uma interessante qualidade de condução, permitindo-se a oferecer até muita confiança ao condutor. Não tem uma dotação desportiva surpreendente – longe disso, notando-se um ligeiro adornar da carroçaria em curvas feitas com maior velocidade – mas seria injusto ‘cobrar-lhe’ essa ambição à qual não se propõe. O PriusPHEV é, sobretudo, competente na generalidade, primando pelo conforto e refinamento, com uma suspensão bem desenvolvida que lhe dá o equilíbrio de reações que oferece segurança e estabilidade para a grande maioria dos ritmos. Uma atitude muito completa que irá agradar a todos os que conduzem o Prius, sobretudo para os que sabem aproveitar o lado da eficiência que este PHEV tem para oferecer.

Ainda no capítulo da condução, nota muito boa para a insonorização de rolamento em condução normal com exceção para os momentos de aceleração forte, em que a caixa CVT (variação contínua) faz elevar o ruído proveniente do motor, ao promover o aumento das rotações. Estas caixas podem ser consideradas as soluções mais eficientes, mas ainda pecam por essa sua característica…

Tejadilho solar

Um dos pontos mais avançados deste Prius Plug-in é o seu painel solar ‘Power Sky’, embutido no tejadilho, que dinamiza a sua vertente da eficiência energética. Isto porque, durante a condução, o painel carrega uma bateria auxiliar de 12V, reduzindo assim o consumo de energia da bateria híbrida principal ao oferecer energia para alguns dos sistemas auxiliares do veículo. Além disso, exemplo ainda dessa criteriosa eficiência energética é o sistema de aquecimento do habitáculo por bomba de calor, que assim não exige recurso à bateria principal.

Interior evoluído

Este Prius apresenta um interior evoluído e, na generalidade, muito bem construído com recurso a excelentes materiais e a uma integração entre painéis sem problemas. De resto, o PriusPlug-in assemelha-se, nalguns pontos, a um sistema de entretenimento, em que se podem ver – no painel de instrumentos central – elementos como os consumos de combustível e de energia elétrica e o funcionamento do sistema híbrido. No ecrã central inferior – que serve de comando do sistema multimédia – há uma profusão de dados da condução que podem ser verificados, dos consumos ao perfil ecológico. Alguns comandos estão situados em posições pouco adequadas, como por exemplo, os dos bancos aquecidos.

O espaço para os quatro ocupantes é muito bom, com bastante folga para as pernas dos passageiros traseiros e também no que diz respeito à altura ao tejadilho. Porém, neste Prius só podem viajar quatro, sendo que o seu principal ‘pecadilho’ é mesmo a redução da capacidade de carga para 360 litros, o que, atendendo às suas dimensões, é muito curta. A razão, de resto, até está mais ou menos à vista: o pack de baterias está ali montado, elevando o estrado de carga em 160 mm.

Sendo um modelo extremamente bem equipado, o preço de 41.200 euros (43.200 euros na versão Power Sky) poderá ser o seu maior ‘handicap’ nesta fase. Ainda assim, a Toyota apoia-se nos importantes auxílios fiscais que o Governo tem à disposição para este tipo de veículos. Recorde-se que os Plug-in têm uma redução do ISV até 562,50 euros, dedução de 100% do IVA para empresas e empresários em nome individual e taxas de tributação autónoma reduzidas em 50% para os empresários em nome individual e em 64% para as empresas.

VEREDICTO

No âmbito dos híbridos Plug-in, o Prius PHV é, muito possivelmente, um dos mais competentes no mercado e a opção que muitos irão ter em conta no momento de escolher um modelo deste género. Super-eficiente e com uma poupança realista nos consumos sem que tenha de se ‘arrastar’ pelas estradas, este Toyota corporiza muito dos ensinamentos que a marca nipónica tem recolhido ao longo dos anos ao nível dos veículos híbridos, fazendo coincidir a suavidade de condução com a eficácia proporcionada pelas novas tecnologias de ponta.

Por outro lado, se o seu preço pode ser um fator de desmotivação (sobretudo, quando comparado com o de um Prius HEV, que é um ‘concorrente’ natural, dada também a competência deste), os incentivos e a certeza da eficiência acima da média podem fazer pender a balança a seu favor. Além disso, quantos carros é que têm a opção de um painel solar no tejadilho?


Engenharia de ponta

Para o novo Prius Plug-in, a Toyota investiu forte nalgumas soluções que são bem reveladoras da sua aposta ecológica. Uma dessas inovações está na traseira do modelo, no qual está alojada a bateria de iões de lítio de 8.8 kWh, 120 kg e 145 litros. Ou seja, colocando na secção traseira um peso tão grande, como é que se impede que o balanço dinâmico seja prejudicado?

Para a marca nipónica, a solução passou pelo plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP), que é na prática uma variação desse material. Atendendo ao aumento das dimensões da bateria, o Prius Plug-in Hybrid viu a sua extremidade traseira crescer em 80 mm no comprimento em comparação com o Prius de base, pelo que uma forma de manter o peso sob controlo foi utilizar o CFRP na estrutura do portão da mala (através de modelagem em resina) num processo avançado que, no total, permite uma poupança de 3 kg (cerca de 40%) naquele elemento face a um outro, produzido em alumínio. Ou, melhor dizendo, permite uma neutralização do peso, já que o portão ficou maior e assim quase com o mesmo peso do presente no Prius Híbrido. Ainda assim, uma solução que deixa bem patente o compromisso da Toyota para com a eficácia e segurança de condução.

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