Da costa da Normandia a Paris ao volante do Fiat 124 Spider

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

Uma viagem desde Deauville, a rainha das praias da Normandia, até Paris, seguindo pelas estradas que serpenteiam ao longo do rio Sena. Desembarque na Normandia até desaguar em Paris, ao volante do Fiat 124 Spider.

Quando se começa uma road trip numa praia da Normandia, não há como deixar de evocar o dia em que a Europa se começou a libertar do jugo de terror nazi.

O Dia D (4 de junho de 1944) marcou o início dos desembarques na Normandia pelas tropas aliadas na II Guerra Mundial. Nesse dia, cerca de 155 mil soldados com apoio de 600 navios e milhares de aviões, iniciaram as operações também conhecidas como Overlord e Neptuno que levariam à derrota da Alemanha de Hitler.

73 anos depois, o nosso desembarque é bem mais pacífico, ainda que feito numa força motorizada, neste caso o Fiat 124 Spider. É nele que desembarcamos em Deauville e tomando o curso do rio Sena, marcharemos para a “libertação” de Paris.

Deauville é uma estância balnear conhecida pelo seu Casino, pelos sumptuosos hotéis, pelas praias e pelo festival de ceinema americano que todos os anos ali se realiza. Para os franceses, Deauville é um refúgio chique, onde se respira o charme discreto da burguesia, celebrizada na intemporal obra de Marcel Proust — “Em busca do tempo perdido”.

Não temos tempo a perder, porque há muita estrada pela frente, cerca de 300 quilómetros ao volante do Fiat 124 Spider, integrados num comboio de tropas montadas neste descapotável italiano.

De Deauville a Paris

O nevoeiro matinal aconselha a fazer os primeiros quilómetros com a capota fechada e os bancos aquecidos. Este Fiat 124 Spider é um descapotável de dois lugares, tração traseira e motor a gasolina de 140 Cv. Resulta de um acordo de cooperação entre a Fiat e a Mazda, que permitiu à marca italiana utilizar muitos dos elementos mecânicos do popular roadster nipónico — o Mazda MX5. A Fiat faz a sua interpretação estilística tentando evocar a memória de um dos seus carros mais icónicos, o original Fiat 124 Spider da década de 60.

A capota de lona é de fácil manuseamento, mas não impressiona pelo isolamento acústico, o que nos obriga a aumentar o volume da música. Chanson française, evidentemente, Charles Aznavour para a neblina matinal.

A posição de condução é naturalmente baixa e leva-nos ali colados à estrada, bem amparados por bancos de correto apoio lateral. Como a caravana segue em ritmo lento, boa oportunidade para avaliar o equipamento a bordo. O ecrã táctil concentra toda a informação e gestão das funções de infoe-entretenimento. Ligações USB, conexão bluetooth e um sistema de som que não abandalha a voz aveludada de Aznavour. Em matéria de segurança o programador de velocidade ativo merece a notinha de destaque.

O sol primaveril começa a dissipar o nevoeiro à medida que atravessamos a região de Calvados, conhecida pela aguardente ali produzida. É primavera e estas estradas rurais de bom piso que deixam o Rio Sena como uma língua azul ao fundo da paisagem convidam a tirar a capota e aumentar o ritmo.

Se seguirmos em lume brando até aos 80 km/h, é ainda possível escutar o Aznavour, a partir daí, só se houve vento a desmantelar penteados. Mas é precisamente esse o apelo único deste tipo de automóveis. Tudo sensações. Sensações de condução, de estrada, de paisagem e de cabelos ao vento.

É assim que o Fiat 124 Spider vai devorando quilómetros na sua marcha sobre Paris. Ora fogoso e rápido, ora calmo e melancólico, para apreciar a paisagem. É um carro emocional que interpreta as emoções do condutor e dá rédea solta ao seu estado de espírito.

É um carro para ir ziguezagueando por esta belíssima França rural, como se movesse velozmente num quadro impressionista. A resposta do motor de 140 Cv é sempre alegre. A caixa manual de seis velocidades tem um tacto mecânico e preciso que extrai dos 140 Cv do motor Multiair todo o seu potencial.

Em zonas mais sinuosas de encadeado de curvas rápidas e lentas, a estabilidade e precisão autorizadas pela suspensão multilink e por um amortecimento que não penaliza em excesso o conforto, dá toda a confiança, mesmo aos condutores mais hesitantes. A direção parece ligada ao cérebro do condutor e o volante responde a cada ordem para entrarmos em curva com a graciosidade de uma bailarina.

E lá vamos nós, estrada fora galgando quilómetros com um sorriso estampado na cara até entrarmos, triunfantes, na cidade luz, para a atravessar sob os olhares meio curiososo, meio indiferentes dos parisienses.

Entramos na louca rotunda dos Campos Elíseos, onde as companhias de seguros não oferecem cobertura e contamos com a agilidade do Fiat 124 Spider para evitar encontros imediatos, agora ao som de “Aux Champs Elysées” de Joe Dassin.

Pouco mais de quatro horas depois de termos desembarcado na Normandia chegamos a Paris. Um dia libertador ao volante do Fiat 124 Spider.

Ficha técnica

Fiat 124 Spider

Motor 1.4 turbo

Potência 140 Cv

Aceleração 0-100 km/h 7,5 segundos

Consumo médio 6,4 l/100 km

Emissões de CO2 148 g/km

Preço 27 900 euros

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