A Serra da Malcata na Beira Baixa é um santuário natural de rara beleza, ideal para uma escapadela de fim de semana. E para visitar o ecossistema que é casa do lince ibérico, nada como um híbrido, o Outlander da Mitsubishi

Até onde precisamos de ir para escutar o som do silêncio? No meu caso até aqui, ao cimo da Serra da Malcata, nos confins de um Portugal que só conhecemos do mapa das aulas da quarta classe, onde se decoravam as linhas do comboio e as nascentes e afluentes dos rios portugueses. Tudo conhecimentos de uma utílissima inutilidade, agora que algumas dessas linhas de comboio servem para apenas para instagramar o mato a crescer entre os carris abandonados, como num velho western spaghetti, e que os rios só servem para fazer barragens e andar de canoa. Por aqui também nasce um rio, que sobe da Malcata até ao Douro.

Um rio ascendente que atravessa o país das pedras da beira interior. Chama-se Rio Coa e na sua reta final é um museu paleolítico, um Louvre ancestral, gravado na pedra. Mas não é das gravuras que não sabem nadar que hoje vamos atrás. Aqui no topo da Serra da Malcata esperamos ver o animal que a celebriza e que lhe dá estatuto de reserva natural – estamos em pleno território do lince ibérico.

Os escoceses têm a Nessie, nós o gambozino

Os escoceses têm a Nessie do Loch Ness, os tibetanos o abominável Yeti, os red knecks americanos têm o Bigfoot e nós por cá, temos os míticos gambozinos e o lince ibérico. Um animal tão raro e tão extinguido que ascende à categoria de lenda. Para não fazer do latim uma língua morta, chamemos ao pequeno felino o seu científico nome, Lynx Pardinus.

Os escoceses têm a Nessie do Loch Ness, os tibetanos o abominável Yeti, os red knecks americanos têm o Bigfoot e nós por cá, temos os míticos gambozinos e o lince ibérico

Para o reconhecer, as orelhas pontiagudas, as pernas curtas e a respeitável barbicha, que parece um cavagnac de mosqueteiro ou de vocalista de tuna académica. É o felino mais ameaçado de extinção na Europa, e caso desapareça da face da terra, será a primeira espécie a dar baixa desde a pré-história. Com uma dieta baseada em coelhos (uma fêmea grávida precisa de se alimentar com três coelhos por dia) o lince sofreu com o gradual desaparecimento dos coelhos e também com a erosão do seu habitat – a mata mediterrânica.

Outlander híbrido nos trilhos da Malcata

Outlander híbrido nos trilhos da Malcata

Sei que a probabilidade de encontrar um lince aqui na Serra da Malcata é tão remota como este cume, o Alto da Machoca – a 1078 metros de altitude – de onde se avistam as vertentes norte e sul da serra. Mas numa road trip como deve ser, o melhor nunca é o destino, mas o caminho. E este caminho estou a fazê-lo ao volante daquele que é provavelmente o melhor carro do mundo para avistar linces, ou pelo menos, não os espantar – o Mitsubishi Outlander PHEV – um pioneiro crossover de motor híbrido que quando rola em modo elétrico é tão silencioso como este lugar onde o único som que se escuta é o do vento.

Não há tomadas elétricas na serra

Para começar uma pequena aventura, nada melhor do que no barbacã de um castelo. O de Penamacor é um bom sítio para iniciar a demanda do Lynx Pardinus. Esta pacata e simpática vila beirã é conhecida por ter o maior madeiro de Natal do país, por ser a terra natal do antigo secretário-geral do PS, António José Seguro e pelo seu altaneiro castelo, erguido em 1209 sob a batuta dos Cavaleiros da Ordem do Templo e do seu mestre Gualdim Pais. Um castelo de importância estratégica para vigiar as excursões fraticidas de nuestros hermanos, que naquele tempo não vinham cá comprar cavacas, como nós não íamos lá comprar caramelos.
Desço as ruas estreitas da zona antiga de Penamacor com alguma dificuldade em fazer passar o Outlander – que é largo e comprido – pelas Betesgas medievais que aqui há. Lição número 1 do viajante Dan Brown com a mania dos castelos templários – vai mas é a pé.
Depois de umas manobras dignas de Grande Houdini, lá consigo descer até à planície e apanhar a estrada nacional 233 em direção ao Sabugal. Um bom tapete de asfalto, pintadinho de novo e com uma bonita paisagem de primavera, campos cultivados e ovelhinhas pastando, dão o ambiente certo de ruralidade para apreciar as qualidades estradistas deste Mitsubishi Outlander PHEV.
O motor híbrido – em que a gasolina e a carga elétrica se unem e combinam para dar movimento às rodas – responde bem e silenciosamente a uma aceleração cuidadosa até aos 100 km/h. Aceleração cuidadosa e suave que permite ao sistema operativo do Outlander manter o carro em andamento apenas com energia elétrica que lhe é oferecida por dois motores elétricos – um no eixo da frente, outro no traseiro. Desta forma, alcançamos consumos reduzidos e emissões zero, ideais para o orçamento da viagem e para entrar numa reserva natural, como a da Serra da Malcata. A única coisa que se gasta é a carga das baterias, que pode durar 52 quilómetros em velocidades não superiores a 120 km/h. A partir daí temos de recorrer ao velho motor a combustão a potenciar o gerador, que no caso deste Outlander não é propriamente frugal.

A Malcata parece as highlands da Escócia

A Malcata parece as highlands da Escócia, só que mais perto

Mas, aquilo que distingue (para melhor) o Mitsubishi PHEV de alguns dos seus rivais híbridos é a capacidade auto-regenerativa das baterias – que é continuamente reabastecida com a energia gerada pelas travagens e desacelerações. Isso, e sabermos que não precisamos de andar à procura de uma tomada elétrica no meio da Serra da Malcata ou explicar ao senhor do reboque do ACP que estamos mais ou menos perdidos no meio de uma serra deserta.
Para recarregar completamente as baterias do Outlander, podemos simplesmente ligá-lo à tomada ao fim do dia.

Por maus caminhos, bem bom

Mas agora chega de conversa sobre híbridos, que me aproximo do desvio para a Serra da Malcata, pouco mais de 10 quilómetros depois de sair de Penamacor. A placa à direita indica o caminho do campo de tiro e a primeira entrada a Sul deste santuário do lince ibérico, que é, obviamente, o símbolo da reserva.
O alcatrão degrada-se e a estrada estreita, pondo a nu algumas deficiências de construção do Outlander, que perde conforto, ganha vibrações a bordo e não consegue disfarçar uma suspensão demasiado seca. Vale o silêncio e suavidade de rolamento para compensar esses pecados.
Inicio a subida da serra, deixando um imenso vale verdejante dentro da moldura da janela do pendura. A vegetação rasteira, colorida pela primavera e a imensidão da paisagem, sem uma única casa ou edificação, abrem logo o apetite para me meter por maus caminhos e partir à descoberta dos cantos mais escondidos da serra e quem sabe, ver o famoso lince.

Portugal pode estar perdido, mas continua a ser um ótimo país para nos perdermos

Quem tiver um carro ligeiro e for zeloso da conta do mecânico pode subir a serra por esta vertente a Sul e cerca de quatro a cinco quilómetros depois iniciar a descida em direção à barragem da Meimoa – na descida, o piso é de terra, mas é um estradão sem buracos que contorna toda a barragem. Quem, como eu, estiver montado num veículo 4×4, que ainda por cima não é meu, pode aventurar-se em subir imediatamente por um inclinado corta-fogos que vai dar acesso à estrada que percorre o cume da Serra da Malcata, de Norte a Sul. É isso que faço, recorrendo à transmissão integral e à potência e motricidade oferecida por dois motores elétricos e um a combustão num total de 203 cavalos (121 cavalos do motor a gasolina e 82 cavalos do elétrico).
Com uma boa distância ao solo e força para subir, o Outlander arregaça as mangas e leva-me ao cimo da serra sem perder a respiração – a dele e a minha. Em dias de chuva e sem pneus de combate o melhor é ficar à lareira. Mas como hoje é um dia de primavera de sol frio – o melhor, tal como o champanhe – não conheço melhor sítio do mundo para estar.
Uma paisagem imensa de onde se avistam sete concelhos e a vizinha Espanha. Há pinhas no chão, apanho algumas para o inverno, como a formiguinha de La Fontaine. Mas como sou mais cigarra, vou-me perdendo pela estrada, pelos estradões e caminhos que serpenteiam no ventre pançudo desta serra. Ter uma montada que nos dá segurança para estas aventuras por maus caminhos é sempre bom, especialmente quando a tarde vai caindo.
As horas passam a correr, num tempo parado no fim do mundo. Há horas que não vejo vivalma. Nem um pastor, nem um caminhante, nem um tipo de BTT, nem outros extraterrestres, nem sequer um lince, nada. Apenas vi uma rara cegonha negra, espécie única que não se deixa fotografar.
Há pegadas de javalis por todo o lado e as corças e os coelhos parecem regressar a este habitat. Qualquer dia haverá por aqui linces – há velhos e nunca concluídos planos para os reintroduzir. Numa tarde inteira na Serra da Malcata não vi nenhum lince, mas em compensação, também não vi nenhuma pessoa. Só por isso, já valeu a pena cá ter vindo. Se o leitor viajante for mais madrugador do que eu, pode e deve vir dar este passeio de manhã, descer até às aldeias da Malcata, Meimoa e Meimão e ir comer um cabritinho assado ao restaurante “O Tear” na Meimoa, para ganhar balanço e visitar a orla norte e as aldeias no sopé da Serra – Quadrazais, Vale de Espinho e Foios. Terras de velhas histórias de contrabandistas e no verão das famosas Capeias Arraianas – festa brava com pega de toiros com forcão, manifestação etnográfica única no mundo e exclusiva destas terras de Ribacoa.
Para concluir a jornada, ver o pôr-do-sol no intacto e imponente castelo do Sabugal e deitar um último soslaio à Serra da Malcata, imaginando-a povoado por cavaleiros templários, guerreiros mouros, castelhanos e tropas napoleónicas. Imaginando o lince, que um dia regressará a esta sua terra, tão no fim do mundo, como perto de nós.
Por hoje, fico-me pelo cabritinho assado, enquanto o Mitsubishi PHEV, rocinante ecológico, está ali na esplanada ligado à tomada, perante o olhar curioso e gozão dos velhotes da bisca lambida e do tinto de fim de tarde. Portugal pode estar perdido, mas continua a ser um ótimo país para nos perdermos.

 

As vinhas plantadas no sopé da Malcata

As vinhas plantadas no sopé da Malcata

Road Book

Onde: A Serra da Malcata estende-se entre os concelhos de Penamacor e Sabugal, na Beira Interior. A fronteira com Espanha está desenhada no seu dorso.

Quando: A primavera verdejante e o outono castanho das folhas caídas, com temperaturas mais amenas, são as melhores épocas do ano para visitar a Serra da Malcata.

Cama: Moinho do Maneio: Na margem da ribeira de Baságueda, perto da aldeia das Aranhas. Não tem wifi nem modernices, apenas conforto e a paz de passar uns dias no campo, num antigo moinho reconvertido. Excelente localização para partir à descoberta da Serra da Malcata.
telefone: 277394399 /Email: moinhodomaneio@gmail.com Preços: A partir de 65 euros

Mesa: Restaurante “O Tear”: Na aldeia da Meimoa: Do cabritinho ao bacalhau assado, com as batatinhas a murro da ordem, passando pelos maranhos e a sopa da pedra. Cozinha e ambiente familiar e simpático a preço muito convidativo. Se pagar mais de 10 euros é porque bebeu alguma coisa carota. Morada:Estrada Nacional 233, Meimoa Telefone: 277377177

Montada: Mitsubishi Outlander 2.0 Mivec PHEV