Fábrica da Bugatti abre portas e mostra como é feito o Chiron

M. Francis Portela
Investigador

Todos nós gostávamos de visitar a fábrica da Bugatti e ver onde o construtor francês dá vida ao automóvel de produção mais potente do mundo. Christophe Piochon, do Conselho de Administração e responsável pela produção, resolveu fazer uma surpresa ao resto do mundo e mostrar como é feita a magia, com uma galeria de imagens de vários aspetos da produção do Bugatti Chiron no renovado Atelier Bugatti.

Os primeiros 12 exemplares do Bugatti Chiron estão neste momento a ser montados no Atelier, em Molsheim, na Alsácia. O objetivo é construir 70 exemplares por ano, e para isso o Atelier Bugatti fez melhoramentos à fábrica para lidar com os novos detalhes de fabrico do modelo de 1500 cv, que utiliza 1800 peças diferentes. A Bugatti promete uma espera de apenas nove meses entre a encomenda online e a entrega ao cliente.

Para montar os carros, a Bugatti conta com 20 operários altamente especializados, distribuídos por 12 estações de trabalho. Dois meses após a encomenda, a carroçaria é montada e é completado o processo de pintura, que demora três semanas e pode necessitar de até oito camadas, especialmente com os revestimentos em fibra de carbono. Um mês depois desta fase estar concluída, os fornecedores externos entregam as peças específicas para cada exemplar.

O processo total de produção demora mais seis meses. O motor, com 16 cilindros e quatro turbos, é construído na primeira estação, em conjunto com o sistema de tração integral e a caixa de dupla embraiagem de sete velocidades. Na segunda estação, o motor é instalado no chassis, que mantém o mesmo peso de 628 kg do Veyron, mas consegue lidar com mais 300 cv que o seu antecessor. A secção traseira da carroçaria só é montada depois da instalação do motor e transmissão.

A estação onde a Bugatti fez mais investimento é a do dinamómetro. Este necessitou de ser melhorado, gerando uma corrente de 1200 amperes, pois antes nem conseguia medir a potência máxima que o Chiron agora consegue debitar. Este é o dinamómetro mais forte usado pela indústria automóvel mundial, podendo simular a utilização dos 1500 cv no equivalente a uma velocidade de 200 km/h. É também aqui que são testados os elementos de controlo eletrónico do chassis, como o controlo de estabilidade e o ABS, um processo que demora duas horas.

Quando os painéis finais são montados, após o dinamómetro, são verificados e eliminados defeitos na montagem e pintura, e é verificada a resistência à água, simulando uma tempestade tropical durante 30 minutos. É só depois que são aplicadas as especificações interiores, escolhidas individualmente por cada cliente.

Antes de ser entregue ao cliente, a Bugatti faz um teste de estrada, durante 650 km, tanto a alta velocidade como em velocidades de cruzeiro, e completa a inspeção da pintura e acabamentos, o que pode demorar até três semanas, dependendo da exclusividade dos componentes. Durante toda o processo de fabrico, o cliente pode visitar o Atelier Bugatti em qualquer ocasião para se informar do estado do seu Bugatti Chiron.

 

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