Ferrari 812 Superfast: V12 de 800 CV em luta contra a extinção

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Ainda que a estirpe dos motores atmosféricos esteja ameaçada de extinção, a Ferrari volta a apostar num motor V12 de elevadas performances para aquele que é o seu novo superdesportivo de excelência, o 812 Superfast. 

Enzo Ferrari sempre disse que o “melhor Ferrari é o próximo, que ainda está por construir”, pelo que a marca italiana tem sempre uma dificuldade adicional para se superar a si mesma na criação de cada novo desportivo. Se o F12 havia sido um modelo muito competente, o 812 Superfast tem por missão superá-lo. Não sendo uma nova geração, o mais recente Ferrari tem a mesma base mas todos os painéis da carroçaria são diferentes. Ou seja, embora semelhante ao anterior F12, o novo 812 Superfast é um modelo em que nada ficou por tocar nas formas.

Assim, nota para a secção dianteira com faróis Full-LED de novo recorte e entradas de ar no capot integradas, nova grelha dianteira no para-choques e ‘flaps’ automáticos que variam consoante as necessidades da aerodinâmica. Atrás, a traseira volumosa é sublinhada pelas óticas redondas escurecidas e pelo difusor no para-choques que serve propósitos aerodinâmicos em altas velocidades.

Novo V12 contra o fim ‘anunciado’

Homenagem ao Ferrari 500 Superfast, o novo 812 demonstra o empenho da marca italiana no prolongamento da tradição dos V12 de elevada capacidade, mas também eficientes, surgindo em Genebra com uma nova unidade para um modelo que estabelece uma ponte histórica para com o passado: em 1947, há 70 anos, a Ferrari nascia ‘oficialmente’ depois da sua existência prévia como Scuderia Ferrari.

O novo V12 tem uma capacidade de 6.5 litros (mais 200 cc do que o anterior V12 que era utilizado no F12 Berlinetta e no LaFerrari), atingindo a fasquia dos 800 CV de potência e 718 Nm de binário, havendo ainda que juntar à equação desportiva a caixa de sete velocidades de dupla embraiagem, que foi trabalhada para oferecer passagens mais velozes e com escalonamento específico. A sonoridade do escape, garante a Ferrari, mantém o carácter de modelos dos outros tempos.

Um dos predicados técnicos do novo motor utilizado pelo 812 Superfast está na adoção de sistema de injeção direta para o motor V12 com pressão de 350 bar, contribuindo para respostas mais rápidas e maior eficácia (consumo médio de 14,9 l/100 km e emissões de 340 g/km de CO2). A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em meros 2,9 segundos e a velocidade máxima está colocada nos 340 km/h.

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Mas este novo Ferrari esconde ainda outros ‘segredos’ no campo do dinamismo. Um dos mais relevantes está na adoção, pela primeira vez, de um sistema de direção assistida elétrica que a marca garante ter sido pensada e desenvolvida para oferecer uma experiência de condução mais desportva, atuando em consonância com o sistema Side Slip Control (SSC) para derrapagens mais eficazes e espetaculares. Outra estreia é o sistema Virtual Short Wheelbase 2.0 que, depois de ter surgido no F12tdf, melhora a agilidade por via do eixo traseiro com rodas direcionais.

Quanto ao interior, a Mara promoveu aquilo a que chama uma “revisão em linha com o exterior mais agressivo”, mas sem renegar o conforto e o luxo típico da marca. Assim, o tablier tem um visual mais estilizado, havendo novos bancos ergonómicos, nova unidade de informação no painel de instrumentos e novo volante, além do mais recente sistema de multimédia da Ferrari. A cor vermelha, mesmo que também não pareça, é igualmente nova: tem denominação Rosso Settanta e presta honra, muito apropriadamente, aos 70 anos da marca.

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