A marca inspirada no cão mágico do Popeye vai crescer em Portugal

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

“O Jeep é o único genuíno desportivo americano”. A provocatória frase é de Enzo Ferrari, que não evitaria uma gargalhada se soubesse que este símbolo da indústria automóvel americana está agora na lapela do Grupo Fiat, que passa a representar diretamente a Jeep em Portugal, dando-lhe cobertura de rede com o objetivo de duplicar as vendas.

“O Jeep é o único genuíno desportivo americano”, Enzo Ferrari dixit. Obviamente que a opinião e ironia de “Il comendatore” estava contaminada pela rivalidade e desprezo que nutria pela Ford, marca que tentou, sem sucesso, comprar a Ferrari, mas a verdade é que o Jeep é um símbolo da indústria automóvel americana e uma marca que conquistou o imaginário do mundo inteiro graças aos seus modelos de combate para cenários de guerra e para o off-road de trabalho ou lazer.

Se fosse vivo, Enzo Ferrari não deveria conter uma sonora gargalhada se soubesse que um dos grandes símbolos da indústria americana está agora integrado no portfólio de marcas do grupo FCA — Fiat Chrysler Automobiles, logo ao lado, na lapela, dos quatro trevos da Alfa Romeo.

Reza a lenda que uma personagem de Banda Desenhada inspirou o nome de uma das mais icónicas marcas americanas. A personagem é Eugene, The Jeep, o cão mágico do Popeye, que tinha poderes especiais, como atravessar paredes ou ultrapassar obstáculos intransponíveis.

Talvez por causa dessa sua capacidade mágica de se mover em todos-os-terrenos, os soldados americanos começaram a chamar ao Willys Overland-Ford, simplesmente Jeep. O original veículo resultou de uma encomenda feita pelo Exército americano para um veículo TT leve e robusto, de baixo peso (cerca de 560 kg) capaz de transportar armamento ligeiro e ser levantado em peso pelos quatro ocupantes.

As primeiras unidades foram entregues no final da década de 30 e ao longo do período da II Guerra Mundial foram entregues mais de meio milhão de “jeeps” fabricados sob licença por outros construtores, como a Ford. No final da II Guerra Mundial a Willys registou a marca Jeep que a partir daí ficaria para sempre associada a veículos multiusos todo-o-terreno, ou seja o antepassado direto dos modernos SUV.

Em Portugal a palavra “jipe” é usada para definir um tipo de veículos, o que só por mostra o potencial da marca

A marca americana passou a fazer parte do portfólio da FIAT quando o gigante italiano comprou em 2014 a Chrysler formando a Fiat Chrysler Automobiles. Três anos depois dessa fusão e correspondendo aos objetivos de crescimento da marca Jeep no mercado europeu, quer em quota, quer em volume, a FCA Portugal passa a assumir a representação direta da marca Jeep em Portugal, que até agora era comercializada pelo Grupo Bergé.

Rede com cobertura nacional

Com 15 novos pontos de venda e 18 de pós-venda, a Jeep passa a ter uma rede com cobertura nacional em novos espaços de exibição partilhados com a outra marca Premium da FCA, a Alfa Romeo: “Além do cuidadoso planeamento das áreas de exposição, que serão partilhadas, mas diferenciadas da outra marca Premium do grupo, a Alfa Romeo, foi feito um grande investimento na formação. A Jeep vai ter equipas de vendas próprias e orientadas para servir o tipo de cliente Jeep e vamos ainda apostar em maiores facilidades de financiamento para os clientes através de modalidades específicas criadas para a Jeep pelo FCA Bank “, explicou Artur Fernandes, diretor-geral da FCA Portugal.

O objetivo é duplicar as vendas de uma marca que está por definição associada à aventura e à liberdade de veículos 4×4: “Em Portugal é mesmo uma palavra, “jipe”, que define um determinado tipo de veículos, o que só por si demonstra o seu potencial” explica Sara Bravo, diretora de marketing da FCA.

Com um investimento a rondar os 6 milhões de euros e a criação de novos postos de trabalho, a FCA vai a jogo com a Jeep, com o objetivo claro de reservar uma maior fatia do segmento dos SUV que cresce a todo o vapor. Em 2016 o segmento de mercado dos SUV cresceu 36 por cento, representado já uma quota significativa do mercado nacional — 20 por cento. A FCA pretende replicar o êxito da entrada da Jeep no mercado europeu, conforme antecipou Dante Zilli, presidente da Jeep para a Europa e Médio Oriente. “Batemos sucessivos recordes de vendas nos últimos cinco anos e temos aumentado a nossa quota no mercado . Pelo terceiro ano consecutivo vendemos mais de um milhão de unidades e temos tido excelentes resultados com o Renegade, o primeiro modelo da Jeep a ser também produzido na Europa. Agora, com o lançamento do novo Compass em outubro, esperamos manter este ritmo de crescimento, que acredito vai ser idêntico em Portugal.”

Além do Renegade e do Compass, a gama da Jeep é ainda composta pelo “puro e duro” Wrangler e pelos icónicos Cherokee e Grand Cherokee, modelo com que tivemos a oportunidade de fazer um exigente percurso de TT em Belas, tendo assim um pequeno “cheirinho” das capacidades de mobilidade total desta marca que nasceu para ajudar a vencer uma Guerra e ficou para a história do automóvel como a criadora do Todo-o-Terreno como uma das belas artes da condução.

 

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