Mercedes-AMG A45: No circuito é que estamos bem!

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Para um veterano adepto da competição automóvel e, em especial, da Fórmula 1, o circuito de Hungaroring, na Hungria, sempre ofereceu um misto de sensações. Por um lado, é um traçado à antiga, criado na era em que a ‘Cortina de Ferro’ começava a apresentar rasgos mais largos e sem mão de Hermann Tilke (o visionário dos circuitos modernos), mas, por outro, é também um circuito algo aborrecido em termos de ultrapassagens, com poucos locais propícios para o efeito.

Mas não deixa de ser um circuito emblemático e com um passado rico de competição: quem não se lembra do dia em que Damon Hill quase ali venceu com um modesto Arrows em 1997 ou das ultrapassagens épicas de Nigel Mansell a Ayrton Senna em 1989 e de Nelson Piquet igualmente ao lendário piloto de São Paulo em 1986 na travagem para a primeira curva?

Assim, o convite da Mercedes-Benz para conduzir o AMG A45 em circuito estava revestido de um interesse especial: colocar aquele compacto desportivo com tração integral à prova num local onde os radares são unicamente miragens e onde os erros podem ser compensados em segurança.

Parece feito para a pista

Se há uma noção que se tem de reter deste modelo de ‘fornada’ AMG é a sua extrema competência em termos de motricidade. A passagem em curva é efetuada com enorme velocidade e, mesmo quando se pensa que se está perto do limite, há sempre um pouco mais de potencial para extrair. Com um equilíbrio salutar – até em modo Race -, o A 45 parece plantado ao asfalto, obedecendo com rigor aos golpes do volante e concedendo ao condutor/piloto uma enorme confiança na abordagem das curvas. Há alguma tendência para fugir de frente, mas é facilmente gerida pelo sistema de tração integral 4Matic deste Mercedes-AMG, tornando mais fácil a colocação da potência no chão à saída das curvas (mesmo aproveitando os largos corretores à saída das curvas).

Um carro que parece naturalmente feito para as pistas e que no circuito sinuoso de Hungaroring, não muito longe da belíssima cidade de Budapeste, mostrou os seus créditos. Surpreendentes. Ainda sobre o modo Race, este faz parte do pacote Dynamic Plus, que acrescenta amortecedores adaptativos e diferencial autoblocante. Além disso, o controlo de estabilidade adota uma postura tendencialmente de vigilância para uma situação extrema em que o condutor se julgue demasiado otimista. Geralmente, em condições normais, a entrega da potência faz-se ao eixo dianteiro, mas pode atingir uma proporção de 50:50 entre os dois eixos, oferecendo assim um dinamismo reforçado e eficiência sublimada.

Na chicane mais famosa ‘plantada’ no miolo do circuito, bastava girar o volante para a direita, apontar ao corretor, saltar por esse quase direto para o do lado esquerdo e sair largo para acelerar, quase de imediato, a esquerda veloz que se segue. Um local onde a agilidade deste A45 ficava bem à mostra.

Let’s talk about…

Técnica, claro. Entre os predicados dignos de destaque no AMG A45 estão a embraiagem multi-disco trabalhada especificamente pela AMG com controlo eletro-hidráulico integrado no diferencial do eixo traseiro, transferindo potência para as rodas traseiras de forma instantânea sempre que necessário. O sistema atua com base numa série de sensores de velocidade lateral e longitudinal, mas também a partir da rotação de cada uma das rodas, além de recorrer ao ESP de três estágios para melhor exercer a sua função.

Resta dizer que dificilmente um condutor irá atingir o máximo do potencial deste A45 AMG em estrada pública, mas que, mesmo com ¾ dessa sua energia e vivacidade numa boa estrada secundária, há já muita diversão e eficácia para se viver.

Por outro lado, toda essa facilidade de pilotagem é – obrigatoriamente – acentuada pelo motor, um 2.0 de quatro cilindros em linha com uma potência de 381 CV e 475 Nm de binário e respostas ‘fogosas’, sobretudo por ação do turbocompressor muito competente na sua ação ao longo de uma faixa longa de rotações. Graças a isso, o A 45 raramente se sente fora do ritmo pretendido (fruto da já mencionada elasticidade), o que em pista é um crédito muito bem-vindo.

A única exceção denotava-se quando a caixa automática de dupla embraiagem DCT 7 Speedshift insistia em manter uma relação mais alta quando as rotações desciam para valores que pediam ‘uma abaixo’ (quando mantinha a terceira em vez de reduzir para segunda, por exemplo), embora os comandos sequenciais atrás do volante resolvam essa questão, desde que o cérebro se lembre de processar tudo: o ritmo do carro da frente, o ponto de corda da curva, o posicionamento do volante e proximidade do ‘piloto’ que vai no A45 atrás. Porque em circuito, aparece uma veia de piloto algo estranha envolta em competitividade…

A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 4,2 segundos, mas o condutor não irá notar na prontidão com que os atinge, porque estará focado na forma rápida como o horizonte se aproxima. Dito isto, a reta da meta do Hungaroring ‘desaparece’ em poucos segundos, com a sonoridade grave do motor deste AMG a mostrar que há aqui um trabalho muito particular na elaboração deste compacto desportivo. A travagem, feroz, retém o Mercedes-AMG com confiança e permite, mesmo, algum abuso na abordagem aos pontos de travagem. Tal era particularmente evidente na travagem para a primeira curva, sendo aí que melhor evidenciava a sua capacidade.

Em suma, longe de ser um ensaio comum, o nosso contacto com o A45 AMG no Hungaroring foi apenas uma breve experiência para levar este desportivo ao seu limite – ou perto – sem grandes riscos. Sobretudo, permite verificar a tremenda eficácia com que este AMG ‘devora’ o circuito, mostrando que o visual ‘racing’ não é apenas para inglês ver, mas sim para compor o ramalhete aerodinâmico que faz, no seu conjunto, com que este seja um compacto Premium com um carácter muito especial.

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