Mercedes Classe X: Novo padrão nas pick-up

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

A Mercedes parece ter ganho a aposta de associar o prestígio do seu emblema a uma pick-up. Seguiu o caminho mais simples, partindo de uma base conhecida, a Nissan Navara que, em breve, também será declinada na Renault Askalan, mas, quantos deixarem levar-se pela ideia de que temos o mesmo produto apenas diferenciado pela estrela de três pontas, estarão enganados.
Foi um belo trabalho aquele que a Mercedes realizou com o X-Class – é essa a designação – e lhe permite dizer, ainda que com algum exagero, que da Navara sobram os puxadores do fecho das portas… Não é só a frente que muda e ganha peso com o grande emblema ao centro de grelha imponente. É praticamente toda a estampagem da carroçaria que está alterada na concretização de uma imagem conseguida e que respeita outro objetivo – e conseguido: materializar um Mercedes numa pick-up.
Desenvolvendo ainda o conceito de um automóvel que pretende, igualmente, dar outra dimensão à ideia de SUV, estamos perante uma pick-up, apenas em versão de cabina dupla e quatro portas, que pode ser um carro de trabalho, mas será sempre mais do que isso!. O X- Class leva o segmento das médias pick-up para outro patamar e isso salta à vista quando se abrem as portas e se respira o ambiente. Um tablier apurado na apresentação e no estilo, o requinte e a qualidade próprias de um Mercedes, um mundo novo neste tipo de veículos, claro que complementado com a oferta “up to date” em matéria de conectividade, marca a diferença.

Três níveis e dois motores
Três níveis de equipamento – Pure (a proposta mais simples, o carro de trabalho), Progressive (o veículo de compromisso, que combina trabalho e utilização urbana) e Power (o topo de gama, com tudo o que se pede num veículo para afirmar um estilo de vida) – e uma linha de acessórios a dar uma ajuda a personalização prática ou mais requintada, ajudam a dar corpo à ideia de que esta é mesmo uma pick-up muito especial, conceito para acompanhar com curiosidade porque abre a porta a outros mercados e novos clientes (e provavelmente a outra concorrência).Vamos a ver….
O Classe X vai ter, na fase de arranque, dois motores 2.3 diesel: 220 d, com 163 cavalos e 403 Nm de binário; 250 d, um biturbo a debitar 190 CV e 450 Nm. Para ambos, caixa manual de seis velocidades ou a automática G-tronic de sete velocidades e tração integral, o mesmo sistema da Navara, o qual permite a utilização em 4×2. Em 2018 chega o V6, bloco de 4.0 litros a valer 258 CV e 550 Nm, unicamente com a caixa automática, no caso a G-tronic de nove velocidades. A tracção será a 4-Matic, permanente.
Um pequeno “passeio” numa 250d, ao lado de um condutor da Mercedes, em alcatrão, na “race track” de uma fantástica quinta sul africana, nos arredores da Cidade do Cabo, e na pista de obstáculos ali improvisada, deu para perceber que o nível de conforto e a insonorização parecem acima da média. O comportamento em curva deixou a ideia de que a X- Class resiste bem às transferências de massas próprias de um veículo deste tipo e porte. Na terra, passou normalmente aquilo a que estamos habituados e passa por ser natural – cumpriu. Mas, é claro, falta um contacto alongado com esta pick-up e, naturalmente, ao volante, para apoiar a primeira impressão.

Muita capacidade

A Classe X é uma pick up com 5,34 m e comprimento e 1,92 de largura; a distância entre eixos é de 3,15m. Tem uma caixa de carga quase quadrada (1,587×1,560m) capaz de arrumar 1,1 toneladas, onde cabem, por exemplo, 50 barris de cerveja, e pode rebocar 3,5 toneladas, o que corresponde a um iate de 8,5 metros ou um “trailer” com três cavalos.

Quem pensa nas capacidades no todo-o-terreno pode registar que o ângulo de ataque é de 28,8º e o de saída 23,8º. A inclinação suportada chega aos 49,8º e a capacidade de passagem a vau é de 60 cm. As rampas não oferecem problema até aos 20,4º. Todos estes resultados podem ser melhorados com suspensão especial.

O equipamento de segurança é, obviamente, incomum: assistência ativa na travagem, sistema de manutenção na faixa de rodagem, reconhecimento de sinais, assistência na descida. E adicionalmente, sistema de controlo de estabilização para reboques, monitorização da pressão dos pneus, chamada de emergência, cruise control, iluminação por LED, câmara de 360 graus.

No que respeita à conetividade o mais simples é dizer que está praticamente tudo disponível e “estampado” no ecrã de 7”controlado pelo referencial sistema Comand. Quando a navegação esta é a primeira pick-up com sistema de informação do tráfico na hora.

O equipamento da oferta média, que não custa admitir como o mais popular, contempla jantes em liga de 17 polegadas (18 e 19 estão disponíveis), espelhos retrovisores elétricos e aquecidos, ar condicionado automático bizona, luzes de halogéneo, sensor de chuva, volante e seletor de velocidades revestidos a pele, painéis em alumínio nas portas, sistema áudio com oito altifalantes, Bluetooth, navegação, Comand.

Para transformar a X-Classe não faltam os estribos, uma cobertura soft e as rígidas simples ou de correr, nem a “canopy” na cor da carroçaria com vidros laterais que lhe confere uma certa imagem SUV. Roll bar e outro tipo de proteções bem agressivas compõem a imagem e ajudam na segurança para os mais diversos tipo de atividade. Nem faltam as cores pouco comuns na Mercedes, como um amarelo torrado que vai ser incluído na gama praticamente “a pedido”, dada a aceitação das imagens divulgadas.

A X-Class é produzida ao abrigo do acordo com a Renault-Nissan e sai das fábricas desta Aliança em Espanha (Barcelona), Argentina (Córdoba) e África do Sul.
A comercialização em Portugal está programada para Novembro. No que respeita a preços, apenas a estimativa de um intervalo: desde 38 000 euros até 57 000. As 30 primeiras foram todas sinalizadas!

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