Novo Nissan Qashqai reforça-se para enfrentar rivais

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

Dez anos depois o Nissan Qashqai renova-se para enfrentar uma concorrência cada vez mais diversificada e agressiva. Será que uma atualização tecnológica e um toquezinho nas óticas é suficiente para se manter líder do seu popular segmento?

A indústria automóvel é uma das mais racionais e avançadas do mundo. Cada passo, cada decisão, cada novo modelo é planeado ao mais ínfimo pormenor para poder satisfazer velhos clientes, atrair novos e gerar rentabilidade para reinvestir em Investigação e Desenvolvimento e remunerar os acionistas. Sobra por isso muito pouco espaço para arriscar e sair da zona de conforto, porque se as coisas dão para o torto, isso pode ter custos extraordinários e fazer rolar cabeças entre os executivos de topo das grandes marcas generalistas, onde um grande flop comercial pode levar anos a recuperar.

Se calhar, esta é uma das razões pelas quais todos os carros são tão parecidos, senão no design, pelo menos na sua proposta de valor e no conteúdo tecnológico. Ninguém quer arriscar ser o patinho feio do seu segmento, toda a gente diz que tem propostas diferenciadoras, mas só mudam os arranjos, porque normalmente “a banda” toca a mesma pauta.

Felizmente, e de tempos a tempos, há jogadores de casino que arriscam ir a jogo com uma carta fora do baralho.

Foi precisamente isso que aconteceu há dez anos com a Nissan quando lançou um carro de nome meio estranho, com um formato meio jipe, meio familiar, e um conceito que se não era inédito, pelo menos era pouco expressivo. A marca japonesa atravessava uma fase difícil no seio da Santa Aliança que fez com a Renault, e decidiu arriscar num novo conceito e filosofia para um automóvel familiar.

O Qashqai pode não ter sido o primeiro crossover da história do automóvel, mas foi pelo menos o carro mais influente da última década ao abrir um filão que uma década depois é o mais popular do mercado europeu.

A marca foi buscar a inspiração para o nome a uma tribo iraniana e chamou-lhe Qashqai

Dez anos depois a “febre” dos SUV está em alta, mas o Qashqai continua a ser a referência do segmento médio, líder incontestado de vendas. Mas como a concorrência aperta, com marcas coreanas, francesas e o grupo VW a lançarem uma série de novos modelos capazes de fazer sombra ao Qashqai, a marca japonesa decidiu voltar a marcar o ritmo com o lançamento de uma nova geração do seu bestseller.

O que mudou no Qashqai? Pouco.

Como em equipa que ganha não se mexe, as alterações estéticas são de pormenor e especialmente visíveis na secção frontal, com uma nova grelha, grupo ótico e pára-choques. No habitáculo a evolução é ainda menos percetível. O novo volante, ligeiramente cortado em baixo, é o que salta mais á vista, já que o resto é apenas atualização e “make up”.

Onde a Nissan meteu as fichas foi na renovação do equipamento de segurança, conforto e entretenimento, introduzindo novos sistemas e melhorando a conectividade para smartphones — agora já pode levar a sua playlist do Spotify e ouvi-la no novo sistema de som desenvolvido pela Bose.

No capítulo da segurança ativa destaque para os sistemas de alerta de ângulo morto, o reconhecimento de sinais de trânsito, assistente de parqueamento, travagem de emergência com deteção de obstáculos e o programador de velocidade ativo que em 2018 irá evoluir para o sistema Pro Pilot 1.0, que terá algumas capacidades de condução autónoma e deverá ser uma pequena revolução neste segmento.

No que respeita a motorizações, a gama é composta por um motor a gasolina (1.2 DIG-T de 115 Cv) e dois motores Diesel (1.5 dCi de 110 Cv e 1.6 dCI de 130 Cv). Todas estas motorizações podem ser conjugadas com caixa manual de seis velocidades, havendo opção de transmissão automática Xtronic para as versões mais potentes, bem como o sistema de tração integral, uma área onde a Nissan tem longa tradição e experiência.

Em estrada, o Nissan Qashqai mostra agora um comportamento mais refinado, graças aos novos amortecedores e às novas barras estabilizadoras. Há também um sistema que a Nissan chama de chassis control, que incorpora alguma funções de ajuda eletrónica à condução e que no seu conjunto, permitem ao condutor ter um melhor controlo sobre o seu carro.

Um equilibrado compromisso entre conforto e dinamismo continua a ser a receita do Qashqai, um carro que apesar da elevada altura ao solo, consegue limitar a natural tendência para adornar em curva e que se mostra o suficientemente versátil para enfrentar nas calmas todo os ecossistemas rodoviários: Cidade, autoestrada, estrada de montanha e caminhos em terra e fora de estrada.

Foi aliás essa versatilidade que apela a novos estilos de vida que fez o sucesso do Nissan Qashqai e que ainda se mantém atual.

Em Portugal os preços da nova geração do Nissan Qashqai iniciam-se nos 25 950 euros.

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