Peugeot 3008 GT 2.0 BlueHDi: Leão mais assanhado!

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Fazendo uma breve retrospetiva, os responsáveis pela metamorfose do 3008 num SUV de ‘corpo inteiro’ estarão a esfregar as mãos de contente, dado o sucesso que este modelo da Peugeot tem vindo a conquistar nos mais diversos mercados.

Com um visual arrojado e um interior que prima por ser dos mais interessantes do segmento na atualidade, o novo 3008 tem ainda outros méritos, como o da competência dinâmica e foco na tecnologia. Condimentos mais do que suficientes para ter no 3008 uma opção de bom nível no segmento dos SUV médios. Contudo, para quem procura um pouco mais de adrenalina e de ritmos fortes – dentro do género – a Peugeot criou uma versão GT para o seu 3008.

A marca francesa não entra, porém, na guerra que o novo SEAT Ateca Cupra parece na iminência de despoletar com uma versão mais extremada, mas isso não impede a Peugeot de surgir com a sua própria proposta mais afoita, com base no motor 2.0 BlueHDi de 180 CV e caixa automática EAT6 , naquela que é a combinação mais potente e dinâmica da gama 3008.

Indo por partes, o 3008 GT destaca-se por alguns elementos específicos, como as jantes ‘Boston’ de 19 polegadas com pneus de medida 235/50 R19, grelha dianteira com aparência cromada, faróis com tecnologia LED e maior arrojo no desenho, dupla saída de escape, tejadilho com pintura em tom diferente e proteções das cavas das rodas ligeiramente mais largas. Se o visual do 3008 é já bem apelativo na forma normal, também não haveria muito interesse em tornar o mesmo mais espampanante ou exuberante. Pode-se dizer que lhe assenta bem o foco um pouco mais desportivo sem cair no exagero.

Quase, quase Premium

Por dentro, nota para os pespontos em tonalidade cobre no tablier, painéis das portas e no descanso central dos braços, além de um muito ergonómico volante com base plana com inscrição GT na parte de baixo. Na verdade, o volante tem uma configuração muito retangular, fazendo lembrar um pouco aqueles que são utilizados na competição automóvel. Os bancos em pele têm uma das funções de massagem mais interessantes no segmento, com cinco opções de estilo (o ‘Catpaw‘ deixou saudades, acreditem) e três intensidades distintas, que fazem de viagens longas autênticas experiências sensoriais de requinte. Aliás, houve tentação de fazer viagens só porque havia ‘massagens’ incluídas (é um opcional por 1.100€)…

Para que se tenha uma visão clara e perfeita de todo o percurso, a posição de condução acaba por ter de ser um pouco elevada com as pernas mais fletidas. Quiçá seja um problema apenas derivado da estatura do condutor (no caso do escriba de serviço, 1,73 m). Quanto à visão da instrumentação, sem problemas. Configurável, a mesma é outra das características de destaque do 3008, com modos de visualização distintos.

De resto, competência máxima na qualidade dos materiais e na configuração do habitáculo, destacando-se a particularidade das teclas de piano na consola central que servem de atalho ao ecrã tátil e de controlo de funcionalidades diversas e as inserções em carvalho envelhecido genuíno no painel de bordo e nos painéis das portas. O saudoso Camilo de Oliveira dizia que ‘lá fora está-se pior’, mas neste 3008 está-se bem é lá dentro… Não sendo um SUV Premium, deixa muito boa impressão, sendo também funcional, com um ecrã tátil central de fácil leitura e com botões táteis maiores para alcance mais simplificado.

Espaço também é algo que está em muito bom nível para este 3008 GT, mesmo que atrás a sua pior cota medida seja a altura do assento ao tejadilho (que conta com o teto panorâmico para maior sensação de luminosidade no interior, roubando assim algum do espaço disponível em altura). Porém, reserva muito espaço para as pernas dos ocupantes e até mesmo em largura não se fica mal graças aos 2.675 mm de distância entre eixos, que ajuda no propósito da habitabilidade. A mala disponibiliza 520 litros, com formato regular e, no caso do modelo ensaiado, existe porta com abertura elétrica. A visibilidade traseira a partir do retrovisor interior não é excelente.

Condução ‘em forma’

O 3008 GT tem, como toda a gama deste SUV, um pisar muito competente, combinando de forma muito sábia a dinâmica mais desportiva com um refinamento elevado, o que pode alavancar este modelo para ritmos mais elevados em percursos sinuosos sem grandes riscos. Tanto mais que a carroçaria permanece em pose perfeitamente composta quando se entra em curva de forma mais aguerrida, traduzindo-se dessa forma numa condução confiante e, sobretudo, seguríssima. A plataforma EMP2 volta a dar excelentes resultados.

Além disso, a direção com movimento rápido e precisão também transmite elevada confiança na mudança de trajetórias. Claro que uma das responsabilidades por essa sensação está no amortecimento ligeiramente mais firme, também proporcionado pelas jantes de 19 polegadas, que retiram algum do conforto dos ocupantes, mesmo que nada de grave. Só em piso mesmo muito estragado ou com desníveis pronunciados e de elevada frequência sentirá algum tipo de desconforto.

No capítulo do motor, a marca recorre para esta variante a uma unidade de 2.0 litros BlueHDi com 180 CV em associação exclusivamente à caixa automática EAT6 desenvolvida pela Aisin, num conjunto que se pauta pela rapidez de reações e prestações que movimentam este 3008 com uma desenvoltura deveras apreciável, tanto em acelerações, como nas recuperações. Há, de facto, um espírito GT aqui inculcado e a forma como os seus 180 CV, mas sobretudo os 400 Nm de binário máximo, se espraiam permitem ao 3008 nesta configuração GT saltar para velocidades elevadas com facilidade, com o condutor a tirar assim partido do chassis muito eficiente.

A caixa tem passagens suaves em modo normal (mesmo que, por vezes, pareça querer prolongar uma relação por demasiado tempo) e mais decididas em modo Sport, havendo também a possibilidade de comandar as mesmas a partir das patilhas fixas colocadas atrás do volante. Quanto aos consumos, os 4,8 litros anunciados como média pela Peugeot são difíceis de obter, sendo antes muito mais fácil registar médias na casa dos seis litros ou de cinco altos, mas é preciso ser-se ‘mansinho’ com o pé direito. O start-stop continua a ser um dos melhores do mercado, suave e rápido a ligar o motor quando se volta a querer andar.

Equipamento generoso

Situando-se no topo da gama do 3008, a variante GT surge com muito equipamento de série, como o sistema de navegação, sensores de estacionamento nas duas extremidades, sensores de luz e de chuva e ar condicionado automático. Sistemas como o assistente de ângulo morto, travagem automática e assistente de manutenção na faixa de rodagem estão no lote de opcionais. O preço de 44.241€ atira-o para um patamar em que os seis rivais são já alguns dos modelos Premium, mas este Leão tem muitos méritos que merecem ser olhados com respeito.

Veredicto

Se o Peugeot 3008 nas suas configurações normais é já um dos SUV mais competentes no seu segmento, esta versão GT é aquela que melhor extrai todo o potencial deste Leão de segmento médio. Pelo seu preço, não será a versão mais procurada, mas é a mais competente em termos dinâmicos, alavancada pela combinação entre motor e caixa de primeira linha, pelo chassis com acerto preciso e com um interior que tem muito para oferecer aos seus passageiros. Os responsáveis da Peugeot bem podem esfregar as mãos de contente pelo 3008… porque o trabalho levado a cabo foi realmente bom.

CaracterísticasPeugeot 3008 GT 2.0 BlueHDi EAT6
Motor1.997 cc, quatro cilindros em linha, turbodiesel, injeção direta, intercooler
Potência180 CV/3.750 rpm
Binário400 Nm/2.000 rpm
TransmissãoDianteira, caixa automática de seis velocidades
0-100 km/h8,9s
Velocidade máxima207 km/h
Consumo (anunciado/medido)4,8 l/100 km (6,4l/100 km)
Emissões CO2124 g/km
Dimensões (C/L/A)4.447/1.841/1.624 mm
Distância entre eixos2.675 mm
Peso1.540 kg
Suspensão (Fr/Tr)Independente McPherson/eixo de torção
Mala520/1.482 litros
Preço (base/ensaiado)Preço: 44.520€/47.560€

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