Peugeot 308: Dar conteúdo à cosmética

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

O premiado Peugeot 308 chega em Setembro renovado na imagem e com mais conteúdos. Uma dianteira adequada à nova imagem de família, equipamento de segurança ao nível dos 3008 e 5008, novo diesel 1.5 Blue HDI, e genericamente motorizações mais limpas, caixa automática de oito velocidades são algumas das novidades para continuar a marcar pontos.

A cosmética é uma arte que os franceses dominam. Prova disso, o “lifting” que renova o Peugeot 308 e, aos quatro anos de vida, lhe dá mais oxigénio para as batalhas que tem de enfrentar até à sua substituição. O trabalho nunca é fácil quando se está perante um modelo que recebeu o título de Carro do Ano Internacional (2014) e mais 34 prémios e goza de um prestígio reconhecido pelo mercado (está no Top 5 europeu do segmento e o construtor mantém as ambições).

Com um toque de classe, os especialistas da marca dirigida pelo português Carlos Tavares conseguiram o suficiente para a diferença sem macular uma imagem que juntava o equilíbrio das proporções à elegância de um estilo fluido, muito conseguido e assente em formas naturais. Vai daí, a grelha que é novo rosto de família numa dianteira mais quadralizada (aproximação ao 3008), capô mais esculpido e um automóvel, tanto enquanto berlina como na carrinha, que parece ter ganho corpo, como se tivesse havido trabalho de “ginásio”. Na linha do habitual, junta-se uma nova assinatura luminosa, em que os LED diurnos assumem papel de relevo, e que se estende à traseira, com luz permanente nas três “garras”, solução que vinca a presença e aumento a segurança. Para-choques retocados e robustecidas, porta de combustível quadrangular (para integrar o bocal para o AdBlue nos diesel) e aí está o “novo” 308.

Por dentro, acrescem novos revestimentos e o mesmo ambiente, ou seja, nada de mexer no i-cockpit que resiste como aposta na originalidade e imagem de marca, mesmo que alguns continuem a queixar-se das dimensões do volante e das questões de legibilidade da instrumentação que o seu posicionamento levanta.

Democratização tecnológica

Mas não pode ficar por aqui a renovação, quando vivemos um momento de democratização dos mais recentes dispositivos de segurança e ao enriquecimento da relação entre o smarphone e o automóvel. Por isso, aquilo que a Peugeot chama de ofensiva tecnológica e que traz para o 308 os dispositivos já facultados nos 3008 e 5008. Entenda-se por isso o cruise control adaptativo capaz não só de regular a distância para o veículo da frente como de ajustar a velocidade aos limites sinalizados. As funções disponíveis são 30.

A isto impõe-se juntar o sistema de manutenção na faixa de rodagem (corrige a trajetória acima dos 65 km/h), agora também associado ao detetor de ângulo morto (com aviso luminoso no painel de instrumentos entre os 12 e os 140 km/h, e correção de trajetória se for ultrapassada a linha da faixa). E claro, não podiam faltar o alerta de risco de colisão e a travagem automática de emergência (ativa entre os 5 e os 140 km/h)

Acresce o Visiopark 1 que usa uma câmara com 180 graus de amplitude, a qual ajuda no estacionamento fornecendo imagens de 360 graus, em ecrã bipartido. Depois o assistente de estacionamento, o qual na versão de caixa automática de oito velocidades, permite que o condutor só tenha de travar durante a manobra…

Tudo dispositivos que vamos ter de olhar como cada vez mais comuns e não exclusivo de topos de gama e modelos premium. É um caminho irreversível!

No que toca à conectividade, para um novo ecrã tátil de 9,7 polegadas, todas a capacidades do Mirror Screen (Mirror Link, Apple Car Player, Android Auto) e a navegação 3D com reconhecimento de voz, possibilitando realizar chamadas, enviar sms, sintonizar estações de rádio ou até inserir um endereço na navegação. Pode havar Wi-Fi onboard e ligação ao sistema TomTom Traffic, o que significa informações em tempo real relativas a meteorologia, estações de serviço ou estacionamentos disponíveis com indicação de tarifas.

Antecipar as normas ambientais

Para animar um carro que também já constitua referência em termos de comportamento dinâmico, duas grandes novidades: enfim a substituição do 1.6 BlueHDI por um 1.5 mais potente (130 contra 120 cv) e uma transmissão automática de oito velocidades (como sempre da japonesa Aisin) para o 2.0 BlueHDI de 180 cv.

O novo diesel, que estará disponível a partir de Novembro, antecipa em três anos as limitações da norma Euro.6c. Aliás, em matéria ambiental, também o premiado três cilindros 1.2 Pure Tech vai ser otimizado, recebendo, por exemplo, um filtro de partículas que contribui para um melhor desempenho em termos de emissões de óxidos de azoto (NOx) .

 

Tivemos oportunidade de conduzir um e outro. A curiosidade maior recaía sobre o novo BlueHDI, um “downsizing” que não impede o aumento da potência. Este 308 é um bom rolador, mas o respeito pela Norma Euro.6c deve ter criado dificuldades no que respeita ao desempenho. Apesar dos 300 Nm de binário máximo (1750 rpm), quando a estrada empina e a condução exige mais empenhamento torna-se necessário o recurso ao seletor da caixa de seis velocidades. Os números oficiais, ainda por divulgar, tanto no que respeita a performances como consumos, poderão ser elucidativos.

Quanto ao 2.0 BlueHDI com 180 cv e a caixa de oito velocidades (dotada de um novo comando – shift and park by wire, inédito no segmento) é uma delícia. A caixa automática, com comandos no volante continua a provar que, às vezes, uma dupla embraiagem pode não ser tudo… Pronta e suave na resposta, custa ver nela qualquer motivo de penalização. É claro que os consumos são outros, mas o que se ganha em prazer de condução “paga” a diferença.

Família portuguesa

A gama portuguesa do renovado 308, disponível a partir de Setembro, assenta em oito motorizações (quatro diesel e outras tantas gasolina) e seis níveis de equipamento.

As motorizações diesel são, no arranque, o 1.6 BlueHDI com potências de 100 e 120 cv e o 2.0 BlueHDI, a debitar 150 ou 180 cv; a gasolina, haverá os três cilindros 1.2 PureTech de 110 e 120 cv e o 1.6 e-THP com 205 ou 270 cv.

Quanto a níveis de equipamento: Acess, Active, Allure, GT Line, GT e GTI. Escolha tão alargada significa propostas bem diferentes em termos de equipamento, mas tomando o meio de gama, Allure, integra, designadamente, cruise control, assistência ao arranque em subida, faróis de nevoeiro, ajuda ao estacionamento à frente e atrás (Visionpark), jantes em liga de 17 polegadas, ar condicionado bizona, luzes em LED, estofos em couro e tecido, ecrã tátil de 9,7 polegadas, USB, Bluetooth, Mirror Screen, navegação conectada 3D.

Quanto a preços, um Allure Aces, entrada de gama, tem preços a partir dos 23 000 euros (PureTech /110) e 25 5740 (1.6 BLuHDI/100). Para um Allure, 27 780 euros se for umPureTech de 130 cv e 29 190, tratando de um 1.6 BlueHDI/100 e 31 820 para a versão de 120 cv. As carrinhas (como se sabe com maior distância entre eixos) custam, em média, cerca de 1000 euros mais.

Ainda não há estimativa de preços para o 1.5 BlueHDI, que chega em Novembro, nem se sabe se a sua comercialização implicará, imediatamente, a descontinuação do 1.6 BlueHDI.

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