Renault Koleos: uma aproximação ao segmento Premium

Mendes Nunes
Mendes Nunes
Jornalista

A segunda geração do Renault Koleos, apresentada no Salão de Pequim de 2016 e já comercializado na Austrália, nos países do Golfo, em alguns países da América do Sul e na Ásia chegou agora à Europa. É mais SUV que Crossover, bem equipado com algum requinte e bastante conforto.

O topo de gama da linha SUV da Renault, a nova geração do Koleos, já está à venda em Portugal. A primeira impressão visual é que se trata de um automóvel com alguma imponência própria de um modelo de gama alta, bonito e muito harmonioso que sai da linha de montagem da fábrica que a marca tem em Busan, na Coreia do Sul e que até agora produzia modelos derivados da gama Renault com o emblema Renault-Samsung para o mercado asiático.

Embora utilize a plataforma modular CMF-C/D da Aliança Renault-Nissan, comum a vários modelos, entre eles o Espace, o Talisman e o Kadjar para a Renault, o X-Trail e o Qashqai para a Nissan, é ligeiramente maior do que o seu irmão lançado no início do ano Renault Kadjar (tem mais 23 cm de comprimento) e tem mais 6 cm de distância entre eixos, o que lhe permite espaço de sobra para cinco passageiros (sobretudo a nível dos joelhos no banco de trás) e também um espaço na bagageira (579 litros na configuração de cinco passageiros ou 1795 litros com os bancos traseiros rebatidos), que sendo bom não é, no entanto, referência no segmento a que pertence.

Testámo-lo há cerca de uma semana nas estradas da Finlândia, percorrendo ruas de cidade, autoestrada, estradas nacionais e também secundárias daquelas cheias de gravilha onde os finlandeses aprendem a conduzir para virem a ser excelentes pilotos de ralis.

Houve também oportunidade de testar o Koleos numa pista de TT suavezinha, preparada para o efeito.

Evolução notória

Há uns anos, um responsável da Renault referindo-se ao lançamento de uma nova geração do Mégane afirmava que se tratava de um automóvel com uma mecânica super fiável, mas que ninguém esperasse que não houvesse ruídos parasitas da carroçaria daí a um par de anos. Creio que alguma coisa mudou em casa do construtor francês: nota-se que a qualidade de montagem dos seus modelos tem subido, sobretudo nos seus topos de gama, bem como os materiais utilizados em forros e estofos. O Koleos é um exemplo disso.

Em termos estéticos é notório o seu parentesco com o Talisman e o Talisman Sport Tourer, nomeadamente em toda a dianteira, desde a grelha, faróis e capô, e na traseira, a nível do desenho dos grupos ópticos e nas saídas de escape.

A bordo o ambiente é mesmo muito agradável, com bom conforto e espaço, quer nos lugares dianteiros, quer nos traseiros, com materiais muito agradáveis ao tacto. Na versão mais bem equipada, a Initiale Paris, os bancos dianteiros dispõem de regulações eléctricas em seis vias mais a regulações ao nível lombar, de aquecimento do assento e do encosto, bem como de uma função de ventilação com dois níveis de intensidade. Os bancos traseiros também podem dispor da função aquecimento.

Dois motores, mas só um em Portugal

A nível de motorizações, são dois os blocos disponíveis, o 1.6 dCi de 130 cv e o 2.0 dCi de 175 cv, este último o único a ser comercializado normalmente em Portugal, já que pela legislação em vigor é o único que paga classe 1 nas portagens quando equipado com Via Verde. Parece um contrassenso (e é) mas pela legislação portuguesa actual o 130 cv paga classe 2. No entanto também estará disponível por encomenda.

Qualquer destes motores pode estar associado à caixa automática X-Tronic, em duas e quatro rodas motrizes, ou à caixa manual de seis velocidades, mas esta não será comercializada em Portugal.

Segundo os técnicos da Renault, a caixa automática X-Tronic foi concebida para melhorar o prazer de condução e reduzir o consumo relativamente a uma caixa automática clássica, e ao contrário das antigas caixas CVT, a caixa X-Tronic do Novo Koleos reproduz o comportamento das caixas automáticas de relações múltiplas nas acelerações rápidas.

No entanto, esta transmissão de variação contínua elimina a perda de binário nas passagens de caixa, o que otimiza o conforto em caso de acelerações ligeiras, nas situações de grande fluxo de trânsito, por exemplo.

Graças à sua relação de desmultiplicação variável, a caixa X-Tronic propõe uma infinidade de relações e explora plenamente todas as potencialidades de funcionamento do motor (em regime e em carga) em benefício do consumo e da acústica. Na verdade, esta caixa de velocidades já não faz o barulho irritante dos primeiros modelos da Nissan onde foi montada. De qualquer modo ela já está bem testada pois é o equipamento usado pela Nissan quer no Qashqai, quer no X-Trail.

Em condução não há grandes surpresas, mas também as estradas nacionais da Finlândia não são o melhor local para se experimentarem automóveis: a velocidade é muito limitada e há controlo radar quase em permanência. Valha a verdade que os radares fixos estão todos (bem) assinalados…

Como já foi referido houve a possibilidade de testar o Koleos numa pista de TT com as lombas desencontradas para permitir os sempre espectaculares cruzamentos de eixos, uma passagem a vau com 15 cm de profundidade de água, uma inclinação lateral razoável e a inevitável subida e descida acentuada em que a maior limitação são os pneus. O Koleos mostrou que pode servir para mais do que simples passeios em estradões de terra, até pelos seus ângulos TT: 19º de ataque e 26º de fuga e pela altura ao solo, de 19 cm na versão de 130 cv e 21cm na versão de 170 cv, a que será vendida em Portugal.

A versão 4×4 tem três modos possíveis de operação. Pode ser conduzida apenas com tracção dianteira, em estradas de bom piso e boa aderência. Com o modo Auto permite ao sistema, automaticamente enviar até 50/50% de potência para cada um dos eixos conforme a necessidade de maior ou menor tracção. Finalmente o modo Lock, como o nome indica, bloqueia a potência fixa para cada um dos eixos permitindo progredir em terrenos mais complicados.

 

EQUIPAMENTO

O Novo Koleos dispõe do sistema multimédia R- LINK 2. De série nas versões topo de gama da Renault, operado através de um tablet de 7”, gere a maioria das funcionalidades do automóvel: multimédia, navegação, comunicações, rádio, dispositivos de ajuda à condução e ao estacionamento, etc.

Como já é habitual nos Renault topo de gama o som é da responsabilidade da Bose. O sistema é constituído por 13 altifalantes: Um altifalante de médios-agudos de 8 cm no centro do painel de bordo, dois altifalantes de agudos em neodímio de 2,5 cm nas extremidades do painel de bordo, dois altifalantes de banda larga de 16,5 cm nas portas dianteiras, dois altifalantes de agudos em neodímio de 2,5 cm nas portas traseiras, dois altifalantes de banda larga de 16,5 cm nas portas traseiras, dois altifalantes de médios-agudos de 7 cm nos pilares traseiros, dois altifalantes de graves de 11,5 cm alojados num subwoofer colocado sob o piso do porta-bagagens.

Preços

ENERGY dCi 175 4X2 X-Tronic com nível de acabamento e equipamento Zen custa 41 250 euros. No patamar seguinte, com o nível Intens custa 44 000 euros. Com o nível mais apurada, a Initiale Paris custa 49 500 euros.

Na versão 4X4 só está disponível o nível Initial Paris e custa 52 900 euros.

São extras as pinturas metalizadas, os estofos em couro (1700€), à excepção da Initiale Paris, que são de série; Sistema de ajuda ao estacionamento “Easy Park Assist” (500€); Pack Easy Parking + Portão traseiro eléctrico c/função mãos-livres (770€); Sistema de aquecimento dos bancos dianteiros e traseiros + Pára-brisas aquecido + volante aquecido (750€); Banco do condutor eléctrico regulável em 6 vias + regulação lombar (500€); Tecto de abrir panorâmico (1100€).

Em conclusão

O Renault Koleos seria uma boa opção se a marca do carro, em Portugal não fosse muito importante para o estatuto pessoal… e uma boa parte dos carros deste segmento não fossem vendidos em Leasing ou Aluguer de Longa Duração (ALD).

É que ter um BMW X3, um Volvo XC60 ou um Audi Q5 (todos com versões de preços um pouco mais altos do que o Koleos) é muito mais valorizado socialmente do que ter um Renault. Em Portugal (e provavelmente outros países da Europa) a marca do carro ainda é importante para a promoção social.

Por outro lado, numa compra em ALD ou Leasing o valor residual de um carro de marca premium é superior ao de uma marca generalista. Assim sendo, embora o preço de venda de um automóvel premium possa ser, à partida, mais elevado, o valor das rendas de aluguer é mais baixo, porque ao fim de quatro ou cinco anos, o valor de um Audi, BMW ou Volvo é mais elevado do que de um Renault.

Por essa razão vão vender-se bem poucos Renault Koleos em Portugal.

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