Maior, espaçoso, rigoroso e frio. Quatro adjetivos para o Skoda Kodiaq que inaugura a ofensiva SUV da marca checa. Não surpreende no estilo, agrada na condução, satisfaz nos aspetos práticos, tem a qualidade do costume, chega em abril e ainda se discutem os preços.Não surpreende no estilo, agrada na condução, satisfaz nos aspetos práticos, tem a qualidade do costume, chega em abril e ainda se discutem os preços.

A Skoda prepara-se para o esperado “ataque” ao mercado dos SUV. E começa por cima com o Kodiaq, 4,70 metros de automóvel para permitir a opção dos sete lugares e oferecer aquela que será a maior bagageira do segmento. O espaço também é apontado como referencial, mas considerando aquilo que a marca oferece, por exemplo com o imbatível Superb, esperava-se mais.

O estilo não perde aquela imagem de sobriedade típica das formas clássicas que privilegia a robustez. Até faz sentido num produto como o Kodiaq, mas – e os gostos valem o que valem – não será por aqui que este Skoda parece capaz de afirmar-se. Na chamada linguagem estética, para reforçar a ideia dos “quatro olhos” estampada nos grupos ópticos, surge uma nova grelha, preta e apelidada de tridimensional. Traz peso, compõe a imagem SUV de um carro que assenta bem na estrada, mas nem por isso vinca muito a expressão. Ou a originalidade. Uma questão de escola.

Esta frieza transpõe-se para o interior – rigoroso como sempre. Bons materiais, construção cuidada, e, marcante, uma qualidade percebida que salta à vista mal se abrem as portas. O ambiente, esse, continua pautado pela discrição, numa ideia de conforto construída na prioridade aos valores mais ligados ao que e palpável do que àquilo que se respira. É a imagem padronizada da Skoda no grupo Volkswagen. E tem adeptos este princípio que contempla uma instrumentação tradicional, grafismo banal, a preocupação mais simples da ergonomia. Pouco latino, sem surpresa.

Versatilidade satisfatória

Quando chega a altura de viver o Kodiaq, evidencia-se o acompanhamento da concorrência nessa corrida imparável à valorização do equipamento e, agora, principalmente, ao domínio da conectividade, um campo onde tudo quanto se anuncia impressiona cada vez menos, a tanto nos habituámos. Torna-se fastidiosos enunerar a lista de equipamentos, de tão vulgares se terem tornado e de tanto dependerem do pacote que cada comprador escolhe e que a marca decide oferecer em cada mercado. Vamos esperar para ver. A Skoda está pronta para oferecer tudo quanto se espera num “embrulho” destes.

Na prática, o Kodiaq satisfaz nos aspetos da versatilidade. Já se disse que, para os parâmetros Skoda, o espaço, sendo bom, não é de arregalar os olhos. Mas, afinal, embora não pareça, estamos face a uma proposta que só mede mais 38 mm do que um Octavia Break (a diferença faz-se nos 10,5 cm a mais na distância entre eixos)… Os sete lugares nada trazem de novo em termos de habitabilidade. Uma criança não se queixará…  O rebatimento é simples, patilha nos ombros dos bancos, e estes, quando não estão levantados, encaixam no fundo da mala de forma a deixar o fundo plano, A segunda fila (60×40) avança 18 cm para facilitar o acesso, com as limitações próprias – e comuns – desta solução. Sobra como melhor a maior mala do segmento na formação de cinco lugares (720/2065 litros/270 com sete lugares).

Diesel 2.0 ou 1.4 a gasolina

Surpresa, ou talvez não, o abandono da opção 1.6 TDI na lista das motorizações. A obrigação de respeitar as regras ambientais “empurra” a marca para as escolhas que, afinal, até fazem sentido – o mercado não é só Portugal… Daí, para “fazer preço” e satisfazer uma minoria, o recurso ao bloco a gasolina 1.4 TSI, com potências de 125 e 150 cv. Daí, ainda, a esperada aposta diesel no 2.0 TDI em versões de 150 e 190 cv. E aqui, ainda, a opção 4X4 que deve ser pouco mais do que residual entre nós. Caixas manuais de seis velocidades, ou a DSG com seis ou sete relações.

Conduzimos as duas opções diesel, 4×4 na mais potente. A condução do Kodiaq agrada e até nos apercebemos de que o automóvel nem é tão grande quanto a imagem deixa transparecer, mais pela largura  (1,88 m) e pela altura (1,65 m). Na versão de tração integral, com caixa DSG de sete velocidades, a chuva ajudou a valorizar as qualidades dinâmicas, tal a confiança que o carro inspira. No 4×2, ainda por cima menos potente, a suspensão continuou a assegurar um comportamento convincente. Bom compromisso entre a eficácia, com relevo para a resistência aos balanceamentos da carroçaria, e o conforto. A potência e o binário (340 contra 400 Nm), este sobretudo, fazem diferença significativa, mas a versão de 150 cv “digere” bem o peso do Kodiaq, pelo menos com duas pessoas a bordo e sem bagagem.

Prestações e consumos afinam por valores normais face a uma concorrência que a Skoda aponta para quatro adversários maiores: o novo Nissan X Trail, Hyundai Santa Fé, Kia Sorento e Mitsubishi Outlander.

A versão 2.0 TDI de 150 cv, exclusivamente com caixa DSG de 7 velocidades é apontada como aquela capaz de conquistar mais mercado em Portugal. Os preços, ainda em discussão, e os pacotes dos três níveis de equipamento – Active, Ambition, Style – ditarão muito sobre a sorte do Kodiaq no mercado Nacional. Em abril, saberemos.

Silva Pires, em Palma de Maiorca

 

Duas originalidades

A Skoda habituou-nos à valorização do princípio do Simply Clever, que tem trazido aos modelos da marca algumas originalidades, regra geral bem práticas. No Kodiaq são cerca de três dezenas, mas o destaque vai para duas novidades: um sistema que evita as batidelas com as portas e uma proposta de mais conforto para quem admite descansar nos bancos traseiros.

O mais original e merecedor de atenção é o sistema de proteção das portas: um dispositivo mecânico traz para a moldura da porta, quando esta se abre, um protetor de borracha que encosta ao metal e evita aqueles toques que deixam marcas; quando a porta se fecha, volta a recolher. Engenhoso e eficaz.

O segundo dispositivo passa por umas “orelhas” móveis que estão dissimuladas das faces laterais dos recostos de cabeça. Quando se quer descansar, roda-se a “orelha” e fica a dispor-se de um apoio lateral que evita os movimentos da cabeça. Menos simples do que o sistema dos aviões, mas interessante.

CaracterísticasSkoda Kodiaq 2.0 TDI 150 CV DSG7
Motor1.968 cc, turbodiesel, injeção direta
Potência150 CV/3.500-4.000 rpm
Binário340 Nm/1.750-3.200 rpm
TransmissãoDianteira, caixa DSG de sete velocidades
0-100 km/h10,1s
Velocidade máxima199 km/h
Consumo4,5 l/100 km
Emissões CO2129 g/km
PreçoA definir

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.