O visionário e empreendedor britânico Richard Branson quer fazer regressar as viagens aéreas supersónicas, procurando assim ajudar a preencher a lacuna criada com a saída de cena do Concorde, antigo recordista no que aos voos comerciais diz respeito.

Neste sentido, o fundador da Virgin está a trabalhar em parceria com uma empresa tecnológica de Denver para desenvolver um avião que promete cumprir a viagem entre Londres e Nova Iorque em apenas três horas e meia. Isto tendo em conta um atributo de acessibilidade a um maior número de pessoas. Confesso adeptos de novas tecnologias e de projetos de mobilidade arrojados, Branson tem na sua companhia espacial, a Virgin Galactic, o expoente máximo da ambição em termos de transportes, sendo também essa a plataforma escolhida para ajudar a start-up norte-americana Boom a desenvolver o seu protótipo e a fazer com que as viagens transatlânticas a velocidades supersónicas sejam, novamente, uma realidade.

A Boom não carece, no entanto, de espírito de inovação. Ao seu leme está Blake Scholl, ex-piloto e um antigo executivo da Amazon, gigante do retalho eletrónico, sendo assim a figura ideal para trabalhar em associação com Branson no estabelecimento desta ideia.

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“Desde há muito tempo que sou apaixonado pela inovação aeroespacial e pelo desenvolvimento de voos comerciais de alta velocidade. Enquanto inovadora no espaço, a decisão da Virgin Galactic de trabalhar com a Boom foi fácil. Estamos entusiasmados por contarmos com um direito de opção sobre os dez primeiros aviões da Boom”, referiu Branson, em declarações citadas no The Guardian, afiançando ainda que os serviços de produção e de engenharia serão comissionados à sua empresa de produção, a Spaceship Company.

Corrida contra o tempo

Na mira da Boom está a ambição de se lançar no mercado de voos comerciais supersónicos antes de muitas outras companhias rivais. A Boeing, por exemplo, está igualmente a trabalhar num avião supersónico, mas Scholl está confiante de que os seus jatos serão mais rápidos a chegar ao mercado, mesmo que os primeiros voos comerciais não estejam para breve.

“Sessenta anos após o início da idade dos jatos, ainda estamos a voar às velocidades da década de 1960″, Blake Scholl, Boom.

Com efeito, os voos comerciais apenas estão previstos para 2023, de acordo com as expectativas de Scholl, devendo os ensaios dos protótipos começar em breve na Califórnia. O executivo acredita que a evolução tecnológica dos últimos anos servirá em benefício da sua empresa, melhorando capítulos em que o Concorde e a própria aviação continuam a tardar em progredir.

“Sessenta anos após o início da idade dos jatos, ainda estamos a voar às velocidades da década de 1960. Os projetistas do Concorde não tinham a tecnologia para viagens supersónicas acessíveis, mas agora temos. Hoje, estamos orgulhosos por revelar o nosso primeiro avião enquanto ansiamos pelo nosso primeiro voo no final do ano”, acrescentou Scholl.

Este novo avião supersónico resultante da união de esforços entre a Virgin e a Boom terá por objetivo atingir uma velocidade máxima Mach 2.2, cerca de 2.700 km/h.

Scholl promete custos acessíveis em termos de bilhetes, apontando a um mercado cada vez mais diversificado e recetivo para uma proposta deste género. Quanto à lotação, estão previstos entre 45 e 50 lugares no interior e as rotas iniciais centrar-se-ão em redor de três eixos básicos numa fase inicial: Londres-Nova Iorque, São Francisco-Tóquio e Los Angeles-Sidney.

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