Novo Mercedes-Benz Classe S: O luxo não é um pecado

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Quanto luxo pode existir a bordo de um carro? Uma pergunta pertinente que, no caso do renovado Mercedes-Benz Classe S, tem múltiplas respostas. Isto porque o luxo assume múltiplas formas…

Lançada em 2013, a atual geração do navio-almirante da marca alemã submete-se a um profundo trabalho de atualização técnica e visual, que culmina com uma série de novas tecnologias, motores de seis cilindros a gasolina e Diesel de nova geração e uma estonteante versão AMG S 63 4Matic+ com o motor V8 de 4.0 litros que tantos frutos tem oferecido à marca.

Mas, neste mundo de luxo, em que tudo parece orientado para uma experiência máxima de requinte, tanto para o condutor, como para os ocupantes (e que bem que se vai no banco de trás…), o Classe S dá continuidade a um legado que, desde 2013, leva já mais de 300.000 unidades vendidas a nível global para um modelo que tem nos mercados chinês, norte-americano, japonês e alemão bons clientes. No ano passado, o Classe S voltou a ser a berlina de luxo mais vendida a nível global e este foi um ponto que os elementos da equipa de desenvolvimento e de marketing da marca enfatizaram por mais do que uma vez. Talvez mais repetida tenha sido a ideia de que o novo Classe S pretende ser o melhor Mercedes-Benz de sempre.

“Queremos sempre produzir o melhor Mercedes-Benz possível. É isso que nos motiva e creio que este é o melhor Mercedes de sempre”. A frase é-nos proferida pela gestora de produto do novo Classe S, Andrea Ruland, e revela bem a confiança que a marca deposita neste seu novo ‘grandalhão’. Porém, percebe-se que essa confiança tem uma razão de ser no momento em que se ingressa no interior do Classe S. E a expressão ingressar faz todo o sentido, pois aqui ingressa-se numa experiência de topo em termos de viagens de conforto.

Bendita vaidade da estrela

O Classe S altera-se, mas o seu estilo não é propriamente diferente da versão que foi lançada em 2013. Mudam, porém, muitos aspetos numa renovação que, no total, abarcou mais de 6.500 novos componentes. Assim se percebe que há mais do que o olho alcança. Na dianteira, a grelha alterou-se e ganhou desportividade, com as versões de seis e de oito cilindros a disporem de três lâminas duplas cromadas e perfis verticais de cor negra. Diferentes são também os para-choques, onde os cromados surgem em maior destaque e as aberturas de refrigeração ganham amplitude, sobretudo na linha AMG.

Na frente, um dos pontos de destaque é a iluminação com faróis Multibeam LED, que em termos de desenho oferecem três linhas que formam uma espécie de ‘pestanas’ e um foco central cuja iluminação pode atingir 650 metros com a luz Ultra Range. Incidentalmente, é também a intensidade luminosa máxima permitida pela legislação atual. Na traseira, os farolins recebem um novo aspeto com a particularidade estilística ‘stardust’ a pautar o interior dos mesmos (na zona vermelha). Ponto que é comum a todos os Classe S – a estrela ‘imponente’ e elevada na ponta do capot. Seja qual for a linha escolhida, mesmo na AMG, a estrela nunca sai do seu sítio.

“Sim, senhor ministro”…

No interior, aborda-se então uma experiência de luxo, com revestimentos impressionantemente integrados entre si e uma atenção ao detalhe que faz do Classe S uma experiência sensorial por excelência. Aplicações em madeira genuína e pele em diversos locais elevam o Classe S para um outro patamar.

Os bancos elétricos com múltiplas regulações são um luxo dentro do luxo, oferecendo ainda uma característica de massagem, ventilação e aquecimento. Tudo isto ao abrigo da nova tecnologia de conforto Energizing. Na prática, este sistema conjuga uma série de elementos de comodidade para se adaptar a diferentes momentos emocionais dos passageiros.

Conectando diversos sistemas de conforto, o sistema Energizing pode, por exemplo, mudar a iluminação ambiente, a temperatura interior e dos bancos, a música e a massagem nos bancos. Os comandos ganham igualmente uma outra cor, consoante o modo escolhido, havendo um total de seis à escolha: ‘Frescura’, ‘Calor’, ‘Vitalidade’, ‘Ambiente de Prazer’, ‘Bem-estar’ e ‘Treino’, este último com três séries de exercícios. Cada programa tem uma duração de dez minutos e o seu efeito prático é interessante, mesmo que a escolha musical para cada modo seja verdadeiramente dispensável.

Felizmente, há opção de recorrer à nossa própria música (por exemplo, através do Media Interface), mas ainda assim o sistema analisa automaticamente e em segundo plano a música adicionada pela nossa escolha e remete-a a diferentes programas consoante o número de batidas por minuto (bpm).

O requinte é exponenciado nos bancos de trás, onde os passageiros podem tirar partido de amplo espaço para as pernas, com bancos igualmente ajustáveis eletricamente ao estilo de poltronas de elevado conforto. Para quem aí viaje, a marca propõe ar condicionado independente, bancos aquecidos e ventilados, ecrãs táteis para ligação de sistemas de infoentretenimento e espelho de cortesia com luz. As fragrâncias também são específicas do Classe S, mesmo que este não seja uma novidade absoluta em termos tecnológicos.

Para o condutor, há muitos pontos de interesse nesta renovação. A instrumentação recorre agora ao sistema de dois ecrãs de alta definição de 12.3 polegadas cada um (na diagonal) posição horizontal para um estilo ‘widescreen’ com três estilos de visualização – ‘Clásico’, ‘Desportivo’ e ‘Progressivo’, cada qual com as suas diferenças. No volante, também há inspiração do Classe E, com o recurso a botões táteis que comandam as informações do computador de bordo e a vertente de infoentretenimento. Funciona com suavidade e competência.

Condução assistida

Com o passar dos tempos, a Mercedes-Benz vai-se libertando de velhos hábitos. Primeiro foi o travão de parque com acionamento pelo pedal a ser trocado pelo comando elétrico no tablier e, agora, é o sistema de cruise control Distronic que se ‘libertou’ da alavanca atrás do volante. Tal como sucede já no Classe E de nova geração, também o Classe S surge com a mesma panóplia de funcionalidades ao nível da condução pilotada.

Tal como no seu ‘primo’ lançado no ano passado, o Classe S pode assumir as ‘rédeas’ com o cruise control ativado, tanto em estradas nacionais, como em autoestrada, embora no caso das primeiras seja pouco prático e tenha relativo interesse pela necessidade constante de estar a intervir sobre o sistema, por exemplo, em curvas de ângulo mais apertado.

Já em autoestrada, a ‘conversa’ é outra e o sistema assume-se como um auxiliar interessante que mantém a velocidade e até consegue mudar de faixa para ultrapassar um carro mais lento no seu caminho, desde que o condutor assim o ordene com o comando do indicador de mudança de direção, vulgo pisca. A luz ambiente com 64 tonalidades distintas para o interior é outra novidade que transita do Classe E, assim como o sistema head-up display. De série em todos os Classe S é a entrada e o arranque sem chave ‘keyless’ para a ignição.

De seis em linha ao oito endiabrado

A gama de motores do renovado Classe S tem como grande destaque a chegada do motor a gasolina de seis cilindros em linha com dois níveis de potência que fazem as duas versões de entrada e que apresentam um importante sistema elétrico de 48 V que permite a esta unidade de seis cilindros uma maior eficácia, de acordo com os responsáveis da Mercedes-Benz.

No S 450, este motor oferece 367 CV (estando disponível também com versão 4Matic) e 500 Nm de binário (6,6 l/100 km e 150 g/km de CO2), ao passo que a mais potente S 500 debita 435 CV e 520 Nm de binário (com exatamente os mesmos valores de consumos e emissões do S 450). Relevante neste motor é a adoção de um sistema inteligente de sobrealimentação que recorre a um compressor de atuação elétrica que tem como principal atributo a eliminação do sempre indesejado ‘turbo lag’ para uma maior eficácia das respostas em aceleração e recuperações, uma vez que esse turbo elétrico funciona até que o turbo ‘comum’ entre em funcionamento.

Grande destaque para a estreia do sistema de 48 V, o qual é composto por um compressor elétrico adicional e um alternador de arranque integrado (sem correia) que permite uma atuação do motor em arranque muito mais eficiente e que lhe permite mesmo desligar o motor por completo quando em modo ‘roda-livre’ no modo de condução ECO. Através desse alternador surgem adicionalmente e por breves instantes, mais 250 Nm e 22 CV adicionais. Em comparação com o anterior S 500 de motor V8 e nível de potência semelhante, a marca garante uma redução das emissões de CO2 na ordem dos 22%. As perdas energéticas através da bomba de óleo também foram combatidas (graças ao tal sistema elétrico de 48 V), havendo ainda uma melhor circulação dos gases de escape para permitir uma maior eficácia na gestão térmica, sobretudo nos arranques a frio. Alojado entre o motor e a caixa 9G-Tronic, este sistema permite assim mais eficácia em diversas fases de funcionamento recorrendo a energia que é armazenada em baterias de iões de lítio.

Outras variantes incluem o recurso a motores V8 bi-turbo na forma dos S 560 4Matic de 469 Cv e 700 Nm de potência (8,5 l/100 km e 195 g/km de CO2) e da Maybach S560 4Matic, com iguais valores. Em virtude de melhorias, estes motores V8 beneficiam de uma redução de 10% nos consumos, muito por ação do sistema de desativação de quatro dos oito cilindros. O S 600 recorre a um motor V12 de 530 CV e 830 Nm para se situar como um dos pontas-de-lança da gama, embora na variante S 560 Maybach ofereça 630 CV e 1.100 Nm de binário máximo

Mais entusiasmante é o Mercedes-AMG S 63 4Matic+, que recebe agora o motor V8 bi-turbo AMG de 4.0 litros (e desconexão de quatro cilindros para consumos mais reduzidos), debitando emocionantes 612 CV, sendo batido por pouco pelo AMG S 65 com motor de 12 cilindros em V, o qual debita 630 CV e 1.000 Nm de binário.

Pelo lado dos Diesel, a Mercedes-Benz aposta nos S350 d 4Matic e S 400 d 4Matic com novos motores de seis cilindros em linha em variantes, respetivamente, de 286 CV e 600 Nm e de 340 CV e 700 nm. Se a potência é algo muito interessante, também chamativo é o facto de se saber que os consumos foram reduzidos em cerca de 7%, beneficiando de evoluções como a utilização pela primeira vez do comando variável das válvulas Camtronic. A construção do motor caracteriza-se pela combinação do bloco em alumínio e pistões em aço, assim como pelas camisas dos cilindros com revestimento aperfeiçoado Nanoslide. Todas as versões – com exceção da AMG com uma caixa Speedshift – contam com caixa automática 9G-Tronic de atuação suave e muito competente no aproveitamento do binário.

Ao volante

No evento de apresentação que decorreu entre a extremamente zelosa Suíça e a não menos rigorosa Alemanha (mas com as sempre emocionantes Autobahn sem limites de velocidade…), houve tempo para experimentar quase todos os modelos, com destaque para o bloco a gasolina de seis cilindros com 435 CV do S500, aquela que era uma coqueluche desta apresentação.

Extremamente rápido a responder às solicitações do acelerador, esta unidade permite uma condução desportiva e eficaz, com vibrações nulas e enorme refinamento a bordo também pelo silêncio que proporciona. A capacidade do motor acaba por permitir, até, uma condução desportiva que mostra a qualidade e fôlego desta unidade de seis cilindros, que se assume como uma opção muito interessante num panorama em que os Diesel continuarão a ser muito procurados. Agradou-nos, sobretudo, a sua capacidade de ganhar ritmo de uma toada calma para uma mais ‘agressiva’, sem registo de dificuldades na subida de regimes. Claro que a caixa de velocidades automática cumpre com o seu objetivo de mostrar serviço, permitindo ao motor exibir a sua pujança num largo leque de atuações.

Por outro lado, o modelo AMG 63 S 4Matic+ assume-se como um pequeno ‘monstro’ de preciosa convivência. Se o Classe S parece grande, não há que temer. Na versão AMG 63 S AMG, com motor V8 bi-turbo de 612 CV (mais 2 CV do que no modelo E 63 S 4Matic+, que tem basicamente a mesma unidade motriz) e 900 Nm de binário, a agilidade é impressionante, denotando um excelente trabalho do chassis, com direção precisa e bem ‘assistida’ consoante o modo escolhido – entre o Sport+ e o Comfort – além de uma notável sensação de rigor nas trajetórias. Com o ‘Launch Control’, a tração integral 4Matic+ com distribuição variável do binário, mostra um fulgor impressionante nos arranques, colando-nos ao banco em virtude de uma aceleração de 3,5 segundos dos 0 aos 100 km/h. A caixa de velocidades AMG Speedshift MCT9 tem passagens rapidíssimas e o ‘borbulhar’ dos escapes é uma banda sonora apropriada para uma condução… de ‘faca nos dentes’. Uma prova de que luxo e desportividade extrema podem coexistir de forma quase sublime.

Em termos dinâmicos, a sensação de agilidade é mesmo uma constante – até mesmo nas versões não-AMG – enfatizando que este conjunto de chassis está muito bem concebido. Sobretudo, quando equipado com o sistema Magic Body Control, que torna as suas reações controladas.

Preços… de luxo

Com tanto luxo, os preços acompanham o seu posicionamento, estando disponível com dois comprimentos – normal e longo. Em relação ao primeiro, o modelo mais acessível, a S 350 d (286 CV) tem um custo de 116.500 euros, seguindo-se o S 400 d (340 CV) por 120.750 euros. No topo das opções ‘curtas’ está o S 560 4Matic (469 CV) por 154.450 euros. Há ainda variantes 4Matic dos S 350 d (121.500 euros) e S 400 d (125.750 euros).

Por outro lado, as opções Longas iniciam-se com os 120.100 euros do S 350 d L de 286 CV, passando pelos 124.250 euros do S 400 d L e culminando nos 207.700 euros do AMG S 63 4Matic+ L. As versões 4Matic estão igualmente disponíveis.

Modelo Potência Preço
Classe S Normal
S350 d 286 cv 116.500 €
S350 d 4MATIC 286 cv 121.500 €
S400d 340 cv 120.750 €
S400d 4 MATIC 340 cv 125.750 €
S560 4 MATIC 469 cv 154.450 €
Classe S Longo
S350 d 286 cv 120.100 €
S350 d L 4MATIC L 286 cv 125.100 €
S400 d L 340 cv 124.350 €
S400 d L 4MATIC L 469 cv 129.350 €
S560 4MATIC L 469 cv 158.050 €
AMG
AMG S63 4MATIC L 612 cv 207.700 €
MAYBACH
S560 4MATIC 469 cv 181.500 €

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