Suzuki Swift: Mais espaço e outra imagem

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

Chega em maio o novo Suzuki Swift e com ele regressa dos mais populares modelos da marca em Portugal. É inconfundível mas mudou bastante. Mais espaçoso e com mala bem maior, tem dois motores a gasolina, um geniquento 1.0 três cilindros turbo (111 cv) e o mais económico 1.2 Dualjet (68 cv), ambos também em versão semi-híbrida. Nem falta um quatro rodas motrizes

Vai na terceira geração e foi sempre uma das bandeiras da Suzuki. O que é fácil de aceitar quando se sabe que em 12 anos de vida o pequeno Swift já vendeu 5,4 milhões de unidades, um milhão das quais na Europa.

O conceito das formas, sempre originais e consensuais e até motivo de elogio, foi bastante burilado. O rosto é bem diferente, mais trabalhado e desportivo, grelha dominadora, luzes LED. As ilhargas são levemente esculpidas, acentuando as cavas das rodas e conferindo músculo ao lançamento da roda traseira – um toque de elegância por contraponto à antiga “folha lisa”. Mais baixo (-15 mm), mais largo (+40 mm) e até mais curto (-10 mm) pisa de outra forma a estrada e transmite uma imagem com outra dinâmica e mesmo outro peso.

Assumidamente desenvolvido em termo de design para se adaptar ao gosto europeu (até os testes foram realizados no Velho Continente), continua a ser um automóvel facilmente identificável, conseguido e simpático à vista, enriquecido com pequenos pormenores com os fechos das portas da retaguarda incorporados no pilar traseiro, agora com uma barra negra, a cor usada nos outros dois pilares, numa solução destinada criar a ideia do tejadilho flutuante. Resulta!

Nova plataforma

Uma nova plataforma contribui também para importantes mudanças: mais 20 mm na distância entre eixos que beneficiam a habitabilidade, sobretudo atrás; e uma grande contribuição para os 120 quilos (!) de redução no peso do Swift (840 kg na balança), o qual, com isso, ganha em matéria de eficiência – agilidade e consumos. Estas alterações vieram ainda potenciar a capacidade de carga: foi possível aumentar consideravelmente o espaço da mala, um dos aspetos mais criticados nas anteriores gerações: agora a bagageira ganha mais 56 litros e totaliza 265, valor mais consentâneo com a oferta a este nível. Com os bancos rebatidos atingem-se os 579 litros.

O interior mantém uma filosofia de simplicidade na costumada linha desportiva, mas é mais elaborado. Ganha outra imagem sobretudo devido ao ecrã tátil central de sete polegadas, instalado na projeção da consola, que o transporta para uma modernidade obrigatória. Neste capítulo, acrescenta-se o outro ecrã LCD, no painel de instrumentos, que permite visualizar uma série de informações sobre o estado e o rendimento do carro, incluindo a distribuição do binário e a forças G a que está submetido – dados interessantes mas sem grande utilidade prática.

O ambiente, mais uma vez, é marcado pelo excesso de plástico, ainda por cima pouco dúctil nas grande áreas do tablier e frio nas portas e consola, mas a construção é cuidada e a montagem parece garantir aquele nível que os “velhos” Swift deixaram em plano passível de poucas críticas, designadamente no que respeitava a ruídos parasitas. Uma barra branca, brilhante, ameniza as coisas e transmite a jovialidade exigível num modelo destes.

Quatro motorizações

Sob este embrulho, a Suzuki propõe, para já, quatro motorizações: o Boosterjet, três cilindros turbo de 111 cv; e o mais económico (cerca de 5%) e menos brilhante 1.2 Dualjet de 75 cv. A novidade é o tricilíndrico, a exemplo do 1.2, poder agora contar também com o SHVS (Smart Hybrid Vehicle by Suzuki), sistema idêntico ao utilizado em alguns modelos híbridos. Na prática, em situações que requerem um elevado consumo de combustível, como o arranque e a aceleração, o SHVS ajuda a reduzi-lo ao proporcionar suporte do motor elétrico ISG (Integrated Starter Generator) utilizando a eletricidade gerada através da travagem regenerativa. A gama inclui ainda uma versão de quatro rodas motrizes combinada com a motorização 1.2. A exemplo do Ignis trata-se do sistema 4×4 AllGrip Auto, o qual distribui automaticamente o binário às quatro rodas quando deteta perda de tração na dianteira. Maximiza o comportamento do veículo e aumenta a segurança na condução em pisos com pouca aderência, na terra ou na neve.

Beneficiando da redução de peso, com suspensões redesenhadas, o Swift, que conta com uma caixa manual de cinco velocidades (o 1.2 pode ter uma automática de variação contínua), é um carro divertido de guiar, sobretudo na versão de três cilindros. Enérgico e despachado responde prontamente às solicitações do acelerador e a curvar mostra um desembaraço que ajuda a fruir a condução. O ruído e as vibrações próprias dos três cilindros estão muito atenuadas e os consumos podem ser comedidos se não houver exageros no pisar do acelerador. Conseguimos baixar dos seis litros, num misto cidade-estrada, com duas pessoas a bordo e a respeitar os limites do razoável. Bom relacionamento entre conforto e eficácia em curva.

Duas versões

O Suzuki Swift chega em Maio e vai ser proposto em duas versões: GLE e GLX. O equipamento base é satisfatório. A versão de acesso já integra computador de bordo, bancos dianteiros aquecidos, câmara de visão traseira e écrã tátil. A versão GLX acrescenta, designadamente, faróis de LED, sistema de navegação, controlo de velocidade adaptativo com limitador, climatizador automático e arranque sem chave.

Outra novidade é o enriquecimento da gama cromática com as opções bitom, que combinam as sete cores de catálogo com o tejadilho em preto pérola ou prata metalizado, uma série de opções vistosas.

Pela primeira vez, o Swift incorpora um sistema de deteção da Suzuki que combina a câmara monocular com um sensor laser, os quais oferecem funções de segurança como a travagem de emergência autónoma, alerta de mudança de faixa e assistência de luzes de largo alcance. Também utiliza um radar milimétrico no controlo de velocidade adaptativo.

Os preços durante o lançamento beneficiam de uma campanha que oferece um desconto de 2 033 euros e outros 1000 euros para quem utilizar o financiamento através da Suzuki. Os preços de arranque, com a campanha de lançamento, são os seguintes: 1.2 GLE – 14 036 euros; 1.2 GLE CVT – 15 524 euros; 1.2 GLX SHVS – 16 272 euros; 1.2 GLE 4WD – 15 687; 1.0T GLE –14 916 euros; 1.0 GLX SHVS – 17 265 euros.

Ficha técnica

1.2 Dualjet
Motor: 1242 cc, injeção multiponto
Potência: 90 cv/6000 rpm
Binário máximo: 120 Nm/4400 rpm
Aceleração 0-100: 11,9 s (11*)
Velocidade máxima: 180 km/h (175*)
Consumos: misto – 4,3 l/100; estrada – 3,7; urbano – 5,4 (4,6/4/6,6*)
Emissões de CO2: 98 g/km (103*)
Mala: 265/579 litros
Preço: desde 14 038 euros (campanha)
*Valores com caixa automática CVT

1.0 BoosterJet
Motor: 998 cc, três cilindros, injeção direta
Potência: 111 cv/
Binário máximo: 170 Nm/2000-3600 rpm
Aceleração 0-100: 10,6 s
Velocidade máxima: 195 km/h
Consumos: misto – 4,6 l/100; estrada – 4; urbano – 5,7 (4,3/4/4,8*)
Emissões de CO2: 104 g/km (97*)
Mala: 265/579 litros
Preço: desde 14 916 euros/17 265* (campanha)
*Valores para a versão SHVS

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.