Volkswagen Arteon: Muita atenção a este chefe de família

Silva Pires
Silva Pires
Jornalista

Um coupé de cinco portas é o novo porta-estandarte da Volkswagen. Bem conseguido e bem recheado, com um notável pacote de segurança, assenta que nem uma luva na imagem de topo de gama do construtor. Merece muita atenção o VW Arteon que chega este mês, com um motor 2.0 TDI de 150 cv e preços a partir dos 43 286 euros

A Sigla CC tem acompanhado a ousadia e a diferença na Volkswagen. Nasceu para enriquecer a gama Passat e introduzir na marca a solução do coupé de cinco portas, ganhou depois individualidade passando a ser apenas o VW CC, posicionando-se no mesmo segmento. Um e outro foram sempre sinónimo de automóveis bem nascidos e conseguidos. E talvez por isso, também na linha de uma solução que o grupo potencia com êxito na Audi, a opção foi promovida a topo de gama do emblema com a designação Arteon.

O conceito deu lugar a um carro bem maior, proporções equilibradas, 4,86 metros de comprimento – entre os Audi A5 (+13 cm) e o A7 (-10 cm) com os quais se aparenta -, largo (1,87 metros), baixo q.b. (1,42 m). Com muita presença, formas apuradas, defende bem o conceito do desportivo familiar – a marca até reivindica, com algum exagero, a imagem de grande turismo. Tem uma frente agressiva e original (faróis muito bem enquadrados na grelha, que perde a barra ao etilo de para-choques, futuro rosto VW), perfil elegante e uma traseira muito bem resolvida. Parece difícil não gostar.

Muito espaço

Construído sobre a plataforma MQB, a mesma do Golf e do Passat, o Arteon aproveita muito bem uma generosa distância entre eixos (2841 mm) para oferecer um espaço invejável para as pernas dos ocupantes do banco traseiro e conseguir ainda uma bagageira de grandes dimensões: 563 litros que podem chegar aos 1557 com os bancos rebatidos. Dois argumentos de peso.

Registe-se que estamos perante um cinco lugares que, como é normal e generalizado, oferece o máximo conforto a quatro pessoas (o banco central rebate para apoio de braços). A inclinação do tejadilho não penaliza o acesso de alguém com estatura normal e o mesmo se passa uma vez sentado. Um passageiro mais alto, talvez não se sinta tão à-vontade.

Tudi isto acompanha um ambiente interior marcado por uma grande herança do Passat, na imagem e na qualidade dos materiais e dos acabamentos. Obviamente, há outro refinamento, afinal a diferença para o topo de gama que vai roubar brevemente o papel de porta estandarte ao Touareg, pronto para o adeus. (Nada, porém, que se compare com o desaparecido Phaeton, que pretendeu levar a VW onde parece que não tem lugar. O Arteon é um grande VW mas nada mais – e não é pouco – do que corresponde à sua imagem e posicionamento, enquanto construtor generalista.)

Segurança em destaque

Fulcral neste novo VW é o pacote da eletrónica no domínio da segurança. E conduzir o Arteon é levar a experiência da confiança ao volante a um nível muito elevado, mesmo que seja pelo casamento de uma série de sistemas e dispositivos já conhecidos que resulta numa rede impressiva – e, mais do que isso, convincente! Basicamente o cruise control adaptativo com reconhecimento dos sinais e ajustamento automático aos limites de velocidade, e ainda capaz de reagir entre os 0 e os 210 km/h, o que representa, associado a uma caixa DSG, a capacidade para se mover sem intervenção do condutor no trânsito citadino; está ainda associado à travagem de emergência em cidade e aos sistemas de manutenção na faixa de rodagem (lane assist), mudança de faixa (side assist) e assistência à direção no parqueamento, o que permite que o carro se imobilize no caso de algum problema com o condutor!

Luzes ativas e, pela primeira vez na VW, um sistema de antecipação de embates pela traseira que ativa os piscas e os pré-tensores dos cintos complementam esta oferta. Não falta, o controlo dinâmico do chassis (DCC), que permite escolher quatro modos de condução (Normal, Conforto, Sport e Individual) com interferência no controlo da suspensão, assistência da direção, caixa de velocidades e motor.

No domínio da tecnologia, registe-se ainda a possibilidade de poder dispor de intrumentação digitalizada (active info display) e de um ecrã de 9,2 polegadas (8″ de série) para a navegação mais evoluída (Discover Pro) . O Head-up display por projeção no pára- brisas integra igualmente a lista de opcionais.

Como é natural, no campo da conectividade, um sistema mirror link compatível com androide e IOS e as imprescindíveis aplicações da VW que permitem comandar uma série de funções a partir de um smartphone.

Oferta bem recheada

Uma revolução? Nem tanto, para o que começamos a estar habituados ao nível dos premium, incluindo no grupo VAG. Mas este é um VW, e mesmo sendo um topo de gama represente a garantia, ainda que para dispor de tudo isto seja preciso ir ao nível máximo do equipamento, que a democratização de um automóvel cada vez mais “inteligente” e não necessariamente autónomo está num horizonte próximo.

Para pôr tudo isto em marcha, um alargado conjunto de motorizações a gasolina e a diesel mas, para Portugal, uma aposta clara no combustível mais barato e no tão bem conhecido bloco 2.0 TDI, em versões de 150, 190 cv e 240 cv (este 4motion), com caixa DSG de 7 velocidades. A caixa manual de seis velocidades passa por ser mero pro-forma…

O mesmo se passa em relação à versão Basis: Elegance e R Line são os pratos-fortes da oferta, que inclui um nível de equipamento considerável, próprio de um topo de gama.

O Elegance vem com jantes de 18 polegadas, volante multifunções em couro, ar condicionado trizona, bancos em pele e alcantara, elétricos à frente, faróis traseiros em LED, Cruise Control automático, sensores de luz e estacionamento, sistema de deteção de fadiga, direção progressiva, Lane Assiste, Park Assist, câmara traseira, navegação e, claro App Connect. O R-Line distingue-se pelo Kit exterior, que passa por uma frente mais agressiva, com grandes entradas de ar e outras jantes também de 18 polegadas,um interior igualmente mais rico, Active Info Display e vidros traseiros escurecidos. As opções incluem o teto panorâmico, sistema easy open, e faróis dianteiros em LED.

A partir de 19 de Junho está disponível a motorização de 150 cv. Para os outros é preciso esperar por Outubro. Quem quiser um Arteon a gasolina (a oferta começa no 1.5 de 130 cv) vai ter de encomendar.

No que respeita a preços: 43 286 euros para um Basis de caixa manual e 47 815 euros para o Elegance com caixa DSG. O R-line custa 49 136 euros.

As versões de 150 CV e de 190 cv custarão, respetivamente, 49 914 e 51 138 com caixa DSG. O 240 cv 4motion começa nos 61 339 euros.

Ficha técnica

VW Arteon 2.0 TDI SCR

Motor: 1968 cc, turbodiesel, injeção common-rail
Potência: 150 cv/3500-4000 rpm
Binário máximo: 340 Nm/1750-3000 rpm
Transmissão: caixa manual de 6 velocidades ou DSG de 7 velocidades
Aceleração 0-100: 9,1 s*
Velocidade máxima: 220 km/h*
Consumos: média – 4,5 l/100*
Emissões de CO2: 114 g/km*
Mala: 563/1557 litros
Preço: desde 43 826 euros (caixa manual) e 47 815 euros (DSG)
*Valores anunciados para caixa DSG

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