Alerta de calor: Carro pode causar cancro de pele?

Nos Estados Unidos tem estado a circular uma mensagem “viral” de que nos dias de maior calor estar dentro do carro é uma situação que aumenta potencialmente o perigo de exposição a cancros de pele. Substâncias cancerígenas emitidas pelos plásticos do automóvel, juntamente com períodos prolongados de condução são os casos referidos. Mas será mesmo verdade esta situação e quando os termómetros sobem o carro pode “causar” cancro de pele? Nós esclarecemos…

Estamos numa altura em que o calor começa a apertar. Já só pensamos em praia, piscina, esplanada, festivais de música, e o nosso fiel amigo que nos leva a todo o lado, condenado a torrar ao sol. É complicado arranjar sempre lugar para o carro à sombra e as altas temperaturas podem ter os seus efeitos.

Está a circular nos Estados Unidos uma mensagem que destaca os elevados níveis tóxicos no interior dos carros quando deixados ao sol durante horas a fio. Mas será verdade que, como indicamos no início do artigo, o carro pode causar cancro de pele? O post refere que a quantidade de benzeno emitido pelo tablier, bancos e filtros do ar condicionado nestas circunstâncias está bem acima dos valores normais, tornando-se perigoso respirar o ar que circula no carro.

A publicação refere que “para além de causar cancro, o benzeno é um autêntico veneno para os ossos, podendo causar anemia e a redução de glóbulos brancos no sangue”. Ainda segundo o post, os efeitos não ficam por aqui: fígado e rins são dois orgãos que podem facilmente ser afectados.

No entanto, o Instituto Americano de Pesquisa para o Cancro da Pele sentiu a necessidade de entrar em cena para acalmar os ânimos e esclarecer que, embora não seja desejável entrar no carro com temperaturas tão elevadas, o post acaba por lançar informação deturpada. Ou seja, não é verdade que o carro pode “causar” cancro de pele! A organização sublinha que a maior parte dos estudos desenvolvidos a nível de benzeno foram feitos em situações de trânsito e que, de facto, os estudos apontam para que os níveis de benzeno dentro do veículo excedam largamente os do exterior, mas principalmente devido a emissões do tubo de escape.

No único estudo que o instituto realizou em carros estacionados os resultados foram mais benignos porque o carro está desligado. Os cientistas submeteram animais e pessoas ao ar de um veículo desligado exposto durante horas ao sol e não detetaram níveis de toxicidade relevantes.

Independentemente deste estudo, o Instituto Americano de Pesquisa para o Cancro de Pele aconselha, em caso de dúvida, a abrir as janelas para deixar o ar circular antes de entrar no carro, uma vez que não deixa de ser verdade que as elevadas temperaturas podem acelerar o processo de formação de benzeno. Mas nestas contas entram fatores tão variáveis como a idade do automóvel, as suas dimensões bem como as qualidades e cores dos materiais. Por isso, por mera precaução, abra as janelas do carro antes de iniciar marcha para renovar o ar ou tape o tablier e os bancos.

O perigo maior…

Apesar desta polémica em redor dos plásticos e do benzeno, existe na verdade um outro fator que demonstra que o carro pode “causar” cancro de pele. Não se trata de algo imediato, mas antes do resultado de uma exposição prolongada. Também dos Estados Unidos chegam registos de dermatologistas que a quantidade de danos na pele dos pacientes, em que se incluem células cancerígenas, é muito superior do lado esquerdo da cara. Por outro lado, investigações efetuadas em países onde se conduz do lado direito da via (como ocorre, por exemplo, no Reino Unido) mostram maior preponderância de cancro da pele e outras lesões no lado direito da cara dos automobilistas.

Isto sim pode ser um exemplo de causa-efeito entre a condução durante períodos prolongados durante as horas de maior calor e sol, com exposição aos raios UV, e o surgimento de doenças. Segundo os especialistas, 90% dos cancros da pele são causados pelos raios ultravioletas que chegam à Terra, sendo que os raios UV A conseguem penetrar pelas janelas laterais do carro.Todos os vidros de automóveis bloqueiam os raios UV B, e curiosamente os para-brisas são tratados para bloquear os UV A, mas esta preocupação não alcança as janelas laterais, tornando-as numa área desprotegida, o que potencia o perigo. Segundo é referido a exposição aos raios UV vai-se acumulando pelo que, não apenas nos veículos mas também em outros espaços como os locais de trabalho, a prolongada e contínua exposição ao sol pode causar problemas na pele. Portanto, e estando demonstrado que o carro pode causar cancro de pele ao longo dos tempos, nada como ter cuidado e colocar um pouco de protetor solar para se proteger deste perigo.

 

Foto: Lanmodo