Dakar: Game quase over para a Toyota

Nunca os pilotos do Dakar vão saber se o ritmo que estão a impor em determinada altura de um Dakar é bom para os objetivos que defendem.

Se estivermos a falar dos pilotos que lutam pelos lugares da frente, todos eles se entregam à sorte, pois numa prova como o Dakar nunca vão saber se de repente surge uma qualquer armadilha que lhes ‘acaba’ com as aspirações que traziam à partida. Se não for armadilha, a fiabilidade também conta muito numa prova destas e nesse caso já estamos a falar de uma situação ‘controlável’.

Veja-se o dia horrível que passaram os homens da Toyota na etapa de ontem. A equipa da marca japonesa, com raízes sul africanas e ‘ajuda’ belga tinha três carros no top 5, e até meio de uma etapa que tinha uma neutralização para ‘respirar” a 5.000 metros de altitude, parecia mesmo que a Toyota iria recuperar a liderança da corrida, com Nasser Al-Attiyah. Mas, a segunda parte foi fatal para as aspirações da equipa. Al-Attiyah bateu numa pedra e danificou seriamente a sua Hilux, chegando ao fim 2h17 minutos depois do primeiro, Giniel de Villiers perdeu 36 minutos com um problema na bomba de combustível e Nani Roma esteve parado vários minutos na tirada. Até o ‘privado’ Erik van Loon ficou sem gasolina.

No final da segunda etapa, Al-Attiyah era segundo a 28s de Loeb, de Villiers quarto a 2:05 e Nani Roma quinto a 2:55, mas no fim da terceira etapa, Nani Roma manteve a posição, mas agora a 13m04s do líder, de Villiers caiu para 10º a 35m20s e Nasser al Attiyah para 25º a 2h14m58s. Portanto, como se percebe, ‘acabou-se’ a Toyota porque Roma já não tem andamento para discutir a vitória (a não ser que seja perfeito na navegação), de Villiers ainda não está totalmente afastado, mas está com a tarefa muito mais complicada e o grande ponta de lança, aquele que já se tinha percebido poder ‘chegar lá’, está agora a mais de duas horas. “É assim o Dakar, num dia tudo pode estar perfeito e no outro, tudo ao contrário” disse Villiers.

Na verdade, o que aconteceu a Attiyah pode acontecer a qualquer um, mas pelo que se viu, os pilotos da Peugeot parecem conseguir ter um ritmo alto sem arriscar demais. Já Attiyah, anda que se ‘desunha’ e expõe-se bem mais ao azar. Foi o que aconteceu. Quanto aos restantes pilotos, a fiabilidade voltou a falhar na Toyota, e essa é a grande diferença dos que ganham para os que perdem. Compreende-se bem melhor que Attiyah estivesse a atacar, pois sabia que só assim bateria os Peugeot, do que ao terceiro dia de prova já todos os Toyota terem tido pequenas ‘gralhas’ mecânicas que lhes fez perder minutos precisos. Attiyah logo na primeira etapa, agora de Villiers, Nani Roma… assim é muito difícil vencer um Dakar.

José Luis Abreu/Autosport