Dakar: Mini à espera de uma oportunidade

Com uma estrutura profundamente renovada no último ano, a X-Raid entra para esta edição do Dakar sem o estatuto de ‘favorita’. No entanto, um novo MINI ajustado ao gosto de Mikko Hirvonen poderá surpreender a ‘armada’ Peugeot e Toyota

Novamente secundado pelo experiente navegador francês Michel Périn, Mikko Hirvonen irá alinhar pela segunda vez na mítica maratona do TT mundial com o objetivo de melhorar o quarto posto registado no ano passado. A temporada em curso incluiu diversas participações em provas de todo-o-terreno, incluindo a primeira vitória na Baja da Hungria e uma visita a Portugal, por ocasião da Baja Portalegre 500, como mecânico-chefe de Ricardo Porém, pela terceira vez o vencedor da prova. “Estou desejoso de participar no meu segundo Dakar. Aprendi muito na edição transata e trabalhámos forte em conjunto com a equipa para que a preparação fosse a melhor possível. É uma prova difícil e tudo pode acontecer, mas com alguma sorte iremos ser um nome a ter em conta na batalha pela vitória”, referiu o finlandês.

A formação da X-Raid

Novidade na X-Raid é a presença de Yazeed Al-Rajhi e do alemão Timo Gottschalk, que se preparam para participar pela terceira vez no Dakar, mas que alinham pela primeira vez com a equipa. Ambos trazem confiança dos bons resultados obtidos no Abu Dhabi Desert Challenge, Sealine Cross Country Rally e no Silk Way Rally. “Será emocionante para nós participar no Dakar com um novo carro e uma nova equipa. O MINI é fantástico”, garantiu o saudita, antes de alertar para a qualidade dos adversários: “Temos noção de que a competição é muito forte e que não será fácil para nós”. Já o norte-americano Pete Mortensen fazem a estreia na prova, depois de uma temporada surpreendente no mundo dos Rally Raids, terminando em quarto no Abu Dhabi Desert Challenge e rodando no segundo posto na Baja da Hungria.

“Há muito que tenho o sonho de competir no Dakar. Mal posso esperar por iniciar o evento em conjunto com a X-Raid, uma das equipas de maior sucesso da prova”. A fechar o lote dos pontas-de-lança da Mini está Orlando Terranova, novamente a ‘jogar’ em casa, e também com a ambição de chegar ao pódio, depois de contar como melhor resultado dois quintos lugares. Seguem-se Boris Garafulic/Filipe Palmeiro, Jakub Przygonski/Tom Colsoul, Stephan Schott/Paulo Fiúza e Mohamed Abu Issa/Xavier Panseri. Os dois navegadores portugueses têm honras de destaque num artigo à parte deste especial. Além do MINI All4 Racing que continuará a ser utilizado pelos pilotos privados, a X-Raid leva para este Dakar três unidades do novo MINI John Cooper Works Rally, modelo que conta com mais 20 cv do que o antecessor (a potência sobe de 320 para 340 cv às 3250 rpm, distribuída por uma caixa sequencial de seis velocidades e limitada por um restritor de 38 mm), uma nova carroçaria aprumada no túnel de vento da BMW e a imagem da nova geração do MINI Countryman.

Destaque ainda para o novo desenho do chassis tubular, que permite que o terceiro pneu suplente viaje debaixo do carro, libertando espaço na traseira. Aí reside agora um novo sistema de refrigeração. Tudo junto fez com que o centro de gravidade do carro baixasse substancialmente, como poderá ler na entrevista que realizámos a Sven Quandt. O mapeamento do motor também foi aprumado, registando-se agora “uma maior velocidade de ponta e melhor aceleração acima dos 140 km/h”, revela. A movê-lo mantém-se o motor TwinPower Turbo da BMW, um Diesel de seis cilindros em linha e 2993 cc com 800 Nm de binário máximo às 1850 rpm. Pesa 1952.5 kg, apresenta uma distância entre eixos de 2,9 m e mede 4,35 m de comprimento. O depósito tem capacidade para 385 litros de combustível.

José Luis Abreu/Autosport