Dakar: Peugeot é a grande favorita

Com a mesma equipa de pilotos e um novo Peugeot 3008 DKR, a Peugeot espera poder revalidar o triunfo obtido no ano passado. Peterhansel continua a ser o ponta-de-lança da equipa, mas Loeb quererá arrematar o triunfo que lhe fugiu em 2016

É a equipa a bater. Não só pelo resultado obtido em 2016 – a quinta vitória da marca no Dakar, depois dos triunfos entre 1987-1990. Mas também por contar com um quarteto de sonho, mantendo a ‘banda’ composta por Stéphane Peterhansel, Carlos Sainz, Cyril Despres e Sébastien Loeb.

Todos estarão ao volante de um novo carro, o 3008 DKR, cujas duas primeiras vitórias em etapas tiveram lugar no último Rali de Marrocos, por intermédio de Carlos Sainz. O espanhol conseguiu levá-lo ao segundo posto da geral, atrás do Toyota de Nasser Al-Attiyah, numa prova onde sentiu dificuldades na navegação. “No geral, a participação do Team Peugeot Total no Rali de Marrocos foi muito positiva. Os nossos dois carros chegaram ao fim e não registaram qualquer problema.

Quisemos usar este evento como um ensaio para o Dakar e obtivemos o que queríamos. Irá efetivamente ajudar-nos a preparar para a próxima edição da prova, depois de nos ter dado igualmente uma oportunidade para experimentar o novo pneu da BFGoodrich, o All-Terrain T/A KDR, que provou ser competitivo e resistente”, revelou o diretor desportivo Bruno Famin.

Embora a organização tenha reduzido o restritor dos ‘buggies’ franceses de 39 para 38 mm (e com isso a potência em 20 cv, que é agora de 340 cv), o novo ‘leão’ deverá representar um salto competitivo face ao modelo anterior, que cumpriu mais de 5000 km em testes. Razão para o dirigente francês querer revalidar o triunfo obtido pela sua equipa na última edição do rali. “O novo 3008 simboliza o próximo passo. O nosso objetivo com este carro foi melhorar os pontos fracos do anterior, capitalizando ao mesmo tempo nas vantagens existentes para torná-las ainda mais relevantes. Existem também novos regulamentos, que obviamente tivemos que respeitar”, lembrou Bruno Famin. Esse trabalhou traduziu-se numa aerodinâmica mais refinada e numa melhor distribuição do binário do motor (o V6 biturbo de 3.0 litros apresenta uma maior faixa de utilização a partir dos regimes mais baixos, tornando-o mais fácil de pilotar). Mas também numa suspensão evoluída (geometria e amortecedores) que potenciasse a agilidade do veículo e num novo sistema de ar condicionado, essencial para suportar temperaturas que podem atingir os 60 graus dentro do habitáculo. “Ainda assim, não é uma mudança tão grande como a que tivemos o ano passado, em que estreámos um carro totalmente novo”, adiantou Carlos Sainz. Já Cyril Despres sente as melhorias efetuadas na “estabilidade e suspensão”, com a equipa a trabalhar também na “fiabilidade” do modelo.

VENCER NOVAMENTE

Ter quatro pilotos com experiências tão distintas (ralis, motos, TT) e um total de 18 triunfos no Dakar (12 para Peterhansel, cinco para Despres e um para Sainz) diz-nos que a competição interna vai estar, mais uma vez, ao rubro. Enquanto o ‘Sr. Dakar’ se mostrou “encantado” por reclamar a sua 12ª vitória no Dakar com a Peugeot este ano, reconhecendo que quer “tentar vencer novamente” em 2017 e que irá seguir “com grande interesse o progresso de Carlos [Sainz] e de Cyril [Despres]”, Sébastien Loeb, que venceu mais etapas do que qualquer outro piloto e liderou na primeira semana do evento de 2016, espera ser capaz de melhorar nas zonas arenosas. Ter realizado um programa desportivo muito diversificado, que incluiu uma série de testes com a Peugeot e a presença com a marca no Mundial de Ralicross, aliado à sua vasta experiência, foi importante no desenvolvimento do novo 3008 DKR, diz a marca.

Já Loeb acrescentou que tem “obviamente muito a aprender acerca do TT e o Dakar”, considerando que 2016 foi apenas a sua primeira experiência. “No entanto, completei muitos quilómetros de testes no ano passado, por isso começo a sentir-me à vontade neste tipo de terreno. É nas etapas de areia onde sinto que poderei dar um salto, daí ter sido esta a área em que mais me concentrei”. A ajudá-lo nessa tarefa estão os 800 Nm de binário máximo do Peugeot 3008 DKR às 5000 rpm, a carroçaria em carbono, a suspensão independente à frente e atrás com amortecedores ajustáveis que permitem regulação de 460 mm, duas barras estabilizadoras e jantes em magnésio de 17 polegadas. Tudo assente numa carroçaria com 4,31 m de comprimento e uma distância entre eixos de 3,0 m. O depósito de gasolina suporta 400 litros de combustível.

José Luis Abreu/Autosport