Dakar: O que pode fazer a Toyota?

A Toyota decidiu que estava na altura de dar a devida réplica à Peugeot e esquecer os benefícios dos 4×4. É difícil explicar como um tração às duas rodas pode ser mais eficaz
do que um veículo que tenha quatro rodas motrizes, mas a vantagem na redução do peso, tamanho do restritor da admissão e maior curso de suspensão explicavam esta opção dos japoneses, que deste modo tinham, aparentemente, preferido deixar o marketing de lado para se concentrarem unicamente na possibilidade de triunfarem na mais difícil prova do TT mundial.

No entanto, o projeto acabou por ficar fechado na ‘gaveta’, talvez para ser introduzido no próximo ano, com a Toyota a optar antes por levar a fiável e comprovada Hilux AWD (All-Wheel Drive), agora com um esquema de suspensão mais aprumado, e com a benesse de, devido ao regulamento e às características particulares desta edição (as etapas desenrolam-se a uma média de 2000 m de altitude), contar também com um restritor de 38 mm (+1 mm do que em 2016, enquanto os 4×2 perderam 1 mm). A liderar os esforços da marca sob a batuta da Toyota Gazoo Racing South Africa estão o sul-africano Giniel de Villiers (vencedor em 2009) e Nasser Al-Attiyah (vencedor em 2011 e 2015), respetivamente acompanhados pelos navegadores Dirk von Zitzewitz e Matthieu Baumel. “Além de um piloto muito popular, o Nasser é também excecionalmente rápido.

OS ASAS DA TOYOTA

Isso irá inspirar o Giniel a dar mais de si”, sublinhou o diretor de equipa da Toyota Gazoo Racing SA, Glyn Hall, satisfeito com a presença do duplo vencedor do Dakar. Com a mesma máquina, desta feita preparada na Europa, pelos belgas da Overdrive, está Nani Roma, outro antigo vencedor do evento. O campeão sul-africano Leeroy Poulter, que também tinha sido destacado para esta aventura dos japoneses no Dakar, acabou por ser uma baixa de última hora, após ter sido forçado a realizar no final de setembro uma intervenção cirúrgica para retirar um quisto que se encontrava junto ao cérebro. Quanto ao volte-face na estratégia da Toyota, este é explicado pelas vitórias de Al-Attiyah em todas as provas em que participou este ano com a pick-up japonesa. É por isso que o piloto qatari, acompanhado pelo francês Matthieu Baumel, é o mais sério candidato ao triunfo do lado da armada nipónica, com o patrão de equipa a reconhecer que a dupla está “extremamente contente” com o modelo. “Estamos todos muito excitados pela chegada da nova Toyota Hilux Evo, revelada no início deste ano”, disse Glynn Hall. “No entanto, apesar do desempenho promissor do carro, conseguimos extrair mais performance do modelo de quatro rodas motrizes ao longo de testes paralelos. Esta descoberta, em conjunto com os triunfos do Nasser e do Matthieu na Taça do Mundo FIA de Todo-o-Terreno, deixaram claro que a Hilux AWD [All-Wheel Drive] está mais do que capacitada para desafiar os melhores carros e pilotos do mundo”.

NOVAS OPORTUNIDADES
Só para que tenha uma ideia das diferenças, a versão Evo anunciava um peso de 1300 kg contra os 1915 kg da versão 4×4 da Hilux. Contava ainda com pneus e jantes maiores (de 940 mm contra os 805 mm da 4×4), um maior curso da suspensão e um sistema que permite aos pilotos ajustarem remotamente a pressão dos pneus a partir do cockpit da viatura. Outros segredos para o seu bom comportamento estava na ‘arrumação’ (o motor e a transmissão encontram-se entre os dois eixos, favorecendo a distribuição do peso ao garantir que os componentes mais pesados estão mais próximos do chão, baixando com isso o centro de gravidade). A Toyota acabou por optar pela variante 4×4, mas o que Hall disse no momento da revelação da nova aposta continua a fazer sentido, até porque ao todo estarão presentes oito carros com o seu emblema: “Vencer o Dakar não é fácil e requer mais do que pilotos rápidos, bons navegadores ou um carro fi ável. Possuímos todos esses elementos, mas também precisas da sorte do
teu lado. Quem sabe, talvez 2017 seja o nosso ano”.