Ensaio Toyota Auris Hybrid SQUARE Collection

Feito a regra e esquadro? Não, antes pelo contrário. Apesar do nome da nova série, SQUARE Collection, poder indiciar que estamos ao volante de um automóvel quadrado, anguloso e, metaforicamente, muito “direitinho”, o Auris Híbrido vestido com a nova coleção “SQUARE Collection” pretende ser exatamente o contrário: “sair fora da caixa”, apresentando uma imagem mais “cool” e menos “pesada”. E consegue!

Exterior

É precisamente no exterior que estão as maiores diferenças lançadas nesta série especial do Auris Híbrido, o Toyota que defende a honra da marca nipónica entre os veículos de carroçaria compacta, hatchback, no segmento C. Tal como os quatro lados do quadrado, o Auris SQUARE Collection conta com quatro apontamentos exteriores exclusivos de cor preta: tejadilho (e spoiler traseiro), retrovisores, grelha frontal e frisos laterais, fundamentais para o demarcarem dos outros “irmãos” com identidade Auris e ajudarem os mais atentos seguidores da marca a identificarem de imediato a versão. Nesse exercício, a disponibilidade de cores também pode ajudar, uma vez que a versão estará apenas acessível em “Branco Pérola”, “Vermelho Tokyo” e “Cinza Volframite”.

Ainda do lado exterior, é possível contar com jantes de liga leve de 17´´ maquinadas, vidros escurecidos, óticas traseiras e luzes de presença (DRL) em LED, tudo elementos que integram o pacote exclusivo SQUARE Collection. O conjunto final traduz-se num automóvel de estética moderna, com as indisfarçáveis linhas nipónicas a identificarem-lhe os genes.

Interior

Mas no interior também há elementos a lembrar que esta edição não faz parte de nenhum dos pacotes de equipamento do Auris Híbrido (Active, Comfort ou Exclusive), tendo, contudo, alguns elementos de um ou de outro. Os bancos desportivos dianteiros em tecido com detalhes em alcântara são talvez o mais evidente, mas no habitáculo também é possível contar com o ar condicionado automático, com volante ajustável em altura e profundidade, sensor de luz e chuva, espaços de arrumação à frente, atrás e na bagageira e apoio de braços dianteiro com ajuste longitudinal. Mais do que essencial, portanto, para ter bom ambiente a bordo.

De resto, nos lugares dianteiros viaja-se confortavelmente, com quotas de habitabilidade eficientes para um carro deste segmento, o mesmo acontecendo com os lugares traseiros (rebatíveis na proporção 60/40 e com apoio de braços com direito a divisão para copos), onde, como é habitual, dois passageiros vão relativamente à vontade e três já viajam ligeiramente contorcidos.

Na bagageira, os 360 litros disponibilizados não são um recorde de volumetria, mas dão para carregar as compras do mês de uma família convencional, sem grandes problemas.

Ao Volante

Guiar um híbrido é sempre uma experiência diferente e é bom que nos vamos habituando a ela, pois, o futuro a médio prazo passa por este tipo de veículos. Mas como este Auris SQUARE Collection não está dotado da tecnologia Plug-in, a experiência, em modo elétrico, não é especialmente longa, já que será difícil ter mais de dois quilómetros de autonomia. Por isso, o melhor é poupá-los para os engarrafamentos do trânsito. O princípio é o básico dos motores elétricos de que quanto mais levantar o pé do acelerador e com mais força atacar o pedal do travão, maior distância cumprirá sem emissões e em silêncio, poupando mais na fatura de combustível, aplica-se, neste caso, na integra e, pelo facto de não existir a possibilidade de ligação à corrente, deverá ser explorado ao limite.

Com três modos possíveis, “EV Mode” (totalmente elétrico), “Eco Mode” (elétrico e térmico) e “Pwr Mode” (térmico), a gestão acaba por não depender apenas do utilizador, uma vez, que terminada a carga elétrica e ainda não regenerada para os níveis mínimos, o sistema de propulsão toma as suas próprias decisões, passando automaticamente, na melhor das hipóteses, para o modo em que combina a propulsão elétrica com o sistema do motor de combustão interna. De qualquer modo, a transição é sempre muito suave e não fosse a quebra do silêncio, nem seria percetível.

Com uma potência combinada de 136 cavalos, há sempre força para explorar ritmos mais atrevidos, mas, quando o fazemos, a sensação nem sempre é positiva pois o excesso de ruído do motor a gasolina, obrigado a ligar com a caixa de velocidades automática de variação contínua e-CVT, pode não só tornar a experiência verdadeiramente desagradável, como dar a impressão de que o Auris vai muito mais devagar e em esforço, do que acontece na realidade.

Não fosse esse “pormenor”, esta versão Híbrida do Auris, preencheria, sem qualquer problema, os requisitos para proporcionar viagens descansadas e confortáveis, até porque, ao nível da suspensão (e mesmo sem os elementos ativos que alguns concorrentes já apresentam e permitem adaptar o nível de conforto à condução requerida), os técnicos nipónicos estabeleceram um excelente compromisso entre o conforto e a dureza (elementar para rodar a ritmos mais elevados), que nem a montagem de jantes de 17 polegadas consegue comprometer.

Sistemas de Assistência à Condução e Conetividade

Por se tratar de uma edição especial o Auris Híbrido SQUARE Collection não apresenta nenhuma novidade tecnológica importante ao nível dos sistemas de segurança e de conetividade. No entanto, isso não é sinónimo que a Toyota tenha descartado a proteção ativa e passiva dos seus passageiros, tanto mais conhecidas que são as exigências dos habituais adeptos da marca nesta matéria. Assim, não podiam faltar a este Auris os já convencionais sistemas de ABS (sistema de travagem antibloqueio), EDB (sistema de distribuição eletrónica de travagem), BA (sistema de assistência de travagem eletrónica), VSC (controlo de estabilidade), TRC (controlo de tração), HAC (controlo de arranque em subida), a que se juntam sete airbags (de joelhos para condutor, airbags SRS para condutor e passageiro, air bags laterais para os bancos dianteiros e air bags de cortina SRS para passageiros da frente e de trás).

Para além de tudo isto, é possível contar com o dispositivo “Toyota Safety Sense”, que engloba quatro sistemas auxiliares de segurança – Sistema de Pré-Colisão, Aviso de Saída de Faixa de Rodagem, Ativação Automática de Luzes de Máximos e Sistema de Reconhecimento de Sinais de Trânsito – e contribui, decididamente, para que qualquer passageiro se sinta mais seguro dentro do Auris. Para uma condução mais relaxada e segura, também há que contar com o sistema de Cruise Control e a câmara auxiliar de marcha-atrás.

No que concerne ao capítulo da conectividade, o sistema “Toyota Touch2”, integrado no ecrã tátil de 7´´ a cores, é a estrela de serviço para nos ligar ao mundo, possibilitando o controlo do iPod e MP3, sistema Bluetooth de telefone mãos livres, para além do sistema de navegação “Go”, onde o “Tom Tom – real time traffic” (com três anos de atualizações gratuitas) promete levá-lo até ao fim do mundo. O acesso à Internet, com o sistema “Toyota Online” também lhe permite estabelecer conexão com as ligações mais básicas, mas não é um tratado de versatilidade. Ao nível das ligações, existem três tomadas de 12V (frente, trás e bagageira), para além da entrada auxiliar USB e Aux-in.

Finalmente, o rádio CD com seis colunas, integrado no monitor, mas com comandos no volante, também é uma peça-fundamental no bem-estar a bordo.

Equipamento Opcional

Nesta versão SQUARE Collection, não existe linha de equipamento opcional. No entanto, é possível ter um Auris Híbrido ainda melhor equipado, passando para o Pack Hybrid Exclusive (+ 1980 €). Neste caso, poder-se-á contar o teto panorâmico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, assistência ao Estacionamento Inteligente Simplificado (Simple IPA), ar condicionado automático dual zona, Sistema Smart Entry & Start, bancos parcialmente em pele e aquecidos (condutor e passageiro), juste lombar elétrico e acabamentos interiores em pele.

Consumos

Grande parte da atração deste Auris reside no seu sistema híbrido de propulsão, que lhe permite obter consumos, senão de “abrir a boca”, pelo menos consentâneos com o que se espera de um modelo desta natureza, mesmo sem sistema “star & stop”. Nos híbridos, como nos motores de combustão interna, e enquanto quem de direito não regular convenientemente as homologações, já se sabe que os consumos anunciados são diferentes dos reais. Neste caso, os 3.9 litros/100 km que aparecem na ficha técnica, também não são a exceção, e é melhor apontar para valores da ordem 5.1 litros, se quiser ter uma perspetiva mais realista dos gastos que terá ao longo do ano com este Auris. Ainda assim, um valor ligeiramente abaixo da mais potente versão a Diesel (que tem apenas 112 cv em vez de 136), fator que pode, definitivamente, fazer pesar a balança para a versão Híbrida, na altura da escolha.

Preço

Ao custar 26.420 €, a versão SQUARE Collection, tem praticamente o mesmo preço que a versão Ative (base) do mesmo Auris Híbrido, com a vantagem da exclusividade e do superior equipamento.

Concorrentes

  • Audi A3 Sportback e-tron 1.4 TFSI tronic Sport (1.4 litros, 150 Cv, 222 km/h, 6.1s 0-100 km/h, 1.5 l/100 km, 38 g/km, 44.850 €)
  • Volkswagen Golf GTE 1.4 TSI e-power (1.4 litros, 150 Cv, 222 km/h, 7.6s 0-100 km/h, 1.6 l/100 km, 39 g/km, 43.535 €)

Uma das grandes vantagens do Auris Hybrid SQUARE Collection é praticamente não ter concorrência no segmento C. Na verdade, a maior parte dos construtores ainda não disponibiliza versões híbridas neste segmento e só os carros do Grupo VW, como o Audi A3 Sportback e-tron ou Volkswagen Golf GTE e-power, são a exceção. Contudo, as motorizações com que estão equipados oferecem outro tipo de performance, sendo destinados a quem não está interessado em abdicar de um carácter mais desportivo. E, assim sendo, o seu preço também nada tem a ver com o do Auris, que, pelo menos por enquanto, pode gozar do estatuto de rei neste segmento, com preço que não tem concorrência.

Balanço Final

Mesmo que não seja o automóvel mais emocionante do seu segmento, o Toyota Auris Híbrido não deixa de ser uma proposta interessante, ainda mais nesta versão SQUARE Collection, bem equipada e com apontamentos exclusivos, que vão ao encontro da filosofia da marca. O preço e os consumos também são convidativos, só é pena que a agradabilidade de condução fique comprometida pela sonoridade e pouca envolvência da caixa de variação contínua.

FICHA TÉCNICA

MOTOR

Tipo – 4 cilindros em linha, injeção eletrónica (EFI), gasolina + motor elétrico síncrono de magneto permanente (60 kW)

Cilindrada (cm3) – 1798

Diâmetro x curso (mm) – 80.5 x 88.3

Potência máxima (Híbrida) (cv/rpm) – 136/5200

Taxa de compressão – 13.00: 1

Binário máximo (Nm/rpm) – 142/4000 (207/n.d. – elétrico)

Transmissão e direção – Tração dianteira, Caixa automática e-CVT (Caixa de Variação Contínua); direção elétrica

Suspensão (fr/tr) – Independente McPherson/Barra de Torção

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 10.9

Velocidade máxima (km/h) – 180

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 3.9/3.9/3.9

Emissões de CO2 (g/km) – 91

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) – 4330/1760/1475

Distância entre eixos (mm) – 2600

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1515-1535/1505-1525

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – 1505

Capacidade da bagageira (l) – 360

Depósito de combustível (l) – 45

Pneus – 225/45 R17

Preço versão ensaiada (€) – 26.420

Filipe Mesquita

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