F1: ‘Coisas’ estão a aquecer bastante na Force India

O ano passado tivemos todo o ano uma “guerra aberta” entre Lewis Hamiton e Nico Rosberg, e este ano, a outro nível, é a vez da Force India, entre Sergio Pérez de Esteban Ocon. São boas e más notícias para a equipa de Silverstone. Por uma lado estão a dar nas vistas, por outro, estão a perder possíveis melhores resultados…

O GP do Azerbaijão de F1 marcou mais um capítulo da ‘guerra’ que está a florescer na Force India e que já não passa despercebida a ninguém. Otmar Szafnauer já disse que foi “inaceitável” o que aconteceu com os seus dois pilotos em Baku, e os sinais que estão estão a dar são verdadeiramente preocupantes, já que se no Canadá, se Sergio Pérez tivesse feito jogo de equipa, provavelmente a Force India tinha conseguido um pódio, e desta feita, sem o toque entre os dois pilotos da equipa, as hipóteses duma vitória eram bem reais: “A pior coisa que pode acontecer é bateres no teu colega de equipa. É enganador porque é um circuito com muros, de outra forma o Sergio teria espaço para evitar o muro. Eles não podem lutar um com o outro, é inaceitável. É mau o suficiente bater noutro piloto, mas se é o teu colega, arriscas a estragar a corrida da equipa. Mas eles sabem disto, são inteligentes”, afirmou Szafnauer.

Depois de na qualificação os homens da Force India terem mostrado que estão um passo à frente na sempre acirrada luta pela superioridade no meio do pelotão, na corrida, Sergio Pérez aproveitou a confusão entre Kimi Raikkonen e Valtteri Bottas para se colocar no terceiro posto, liderando a perseguição a Hamilton e a Vettel, apesar da pressão de Max Verstappen que se mostrou muito ameaçador até abandonar. Com uma excelente velocidade de ponta, Pérez chegou a pressionar Sebastian Vettel nos recomeços das situações de Safety-Car, no entanto, após o segundo reinício a corrida da Force India acabaria por levar a sua primeira contrariedade, quando Esteban Ocon tentou ultrapassar o seu colega de equipa na Curva 2. Depois da polémica entre ambos no Canadá, os dois tocaram-se, tendo o mexicano rumado para as boxes com danos dignos do abandono, deixando de ser um contendor de uma corrida que, à luz do sucedido, poderia até ter vencido. Ocon, por seu lado, foi obrigado a passar pelas boxes para verificar o seu carro, atrasando-se e deixando de ser um candidato aos lugares do pódio.

Sergio Perez disse que o toque entre ambos arruinou o pódio para a Force India – “é totalmente inaceitável para a equipa”, disse, pondo a culpa em Esteban Ocon. O pódio era possível para os dois pilotos, mas acabou assim por hipotecar as hipóteses de um grande resultado. Ocon ainda terminou em sexto, mas Perez desistiu quando já estava fora dos pontos. “Entre nós, ele arruinou uma grande oportunidade para a equipa. Sinto que não podia ter feito nada para evitar o acidente, estava junto ao muro e não tinha para onde ir. O que aconteceu foi totalmente inaceitável para a equipa. Penso que a maneira como ele agiu não foi correta. Penso que ele não teve qualquer lógica”.

Esteban Ocon terminou em sexto, mas a sua corrida ficou marcada pelo acidente com o seu colega de equipa. “Estou feliz com a performance e desapontado com o que aconteceu. Nunca é bom ter um incidente como aquele. Perdi muitos lugares mas mesmo assim consegui alguns pontos para a equipa. Ele tocou-me na curva 1, e depois estava por dentro na curva 2 e batemos novamente. Infelizmente as corridas são assim, acontece isto às vezes. Vamos discutir isto e não acontecerá no futuro”.

No Canadá já houve confusão

Já no Canadá, Sergio Pérez negou ter ignorado ordens de equipa, que podem ter custado à Force India um pódio em Montreal. Os dois Force India rodavam em quarto e quinto lugar, um pouco atrás de Daniel Ricciardo, e em dado momento da corrida, Esteban Ocon, que era quinto classificado, tinha pneus mais frescos e boas possibilidades de chegar ao pódio, uma vez que tinha, precisamente por causa dos pneus mais novos, ritmo para andar mais que Daniel Ricciardo e Sergio Pérez. A equipa percebeu isso e pediu ao mexicano para ‘facilitar’ Esteban Ocon, mas este respondeu com um “deixem-nos correr”. Agora alega que a mensagem da equipa “não era uma ordem de equipa, mas uma discussão na rádio. “Eu dei os meus argumentos e eles aceitaram”, disse. Bob Fernley, da Force India, defendeu, como pode, na altura, a tática da equipa no Canadá: “A luta entre os dois foi uma das histórias da corrida e mostrou como são bons pilotos. Nós tínhamos melhor carro que o Red Bull de Ricciardo, mas ultrapassar nunca foi fácil aqui. Depois da paragem eles ficaram muito próximos e pensamos em fazê-los trocar de posição mas deixamos que a corrida se desenvolvesse. Foram duros um com o outro, mas foi uma luta justa”, explicou Bob Fernley sem tocar no essencial. Declarações ‘politicamente corretas’.

Quem não gostou nada do que viu foi Esteban Ocon, especialmente bem perto do final quando Perez se defendeu-se duma tentativa já na última volta em que o mexicano se protegeu de forma mais agressiva, que levou Ocon ao desespero. “Ele não pode fazer isto. Ele não pode fazer isto. Ele mudou-se no último momento. O que é isto? Ele não pode fazer isto. Isto não é uma corrida limpa. Isto não é justo. Não é justo de todo”, disse o francês após a corrida. Sergio Perez defendeu-se de algumas críticas que diziam que não tinha pilotado pela equipa ao não deixar Esteban Ocon ultrapassá-lo durante o Grande Prémio do Canadá, ao contrário do que lhe tinha sido pedido. “Claro que pilotei pela equipa. O melhor que posso fazer é dar o máximo de pontos possíveis, como já fiz no passado”, escusou-se o mexicano da Force India.

“Penso que fiz o máximo que podia e o Esteban teve muitas voltas para me passar, mas não estava próximo o suficiente. Não conseguia apanhar o Ricciardo, por isso penso que ele também não conseguiria”, frisou Perez. “Quando a equipa me pediu para dar a posição ao Ocon estávamos próximos de começar a dar uma volta a pilotos mais atrasados e pensei que o Daniel pudesse perder tempo no tráfego e assim chegar a ele”, justificou-se o piloto mexicano.

Perez também se defendeu das críticas de Ocon na última curva: “Penso que apenas defendi a minha posição, como faria com qualquer outro piloto. Se ele estivesse rápido o suficiente passava-me na mesma”. Otmar Szafnauer, chefe operacional da Force India, defendeu também o piloto do carro # 11 e disse que Perez não fez nada que prejudicasse a equipa. “Falamos sobre a troca de lugares, mas o Sergio pediu mais algum tempo e nós demo-lo. Mas depois os Ferrari chegaram e não deu para muito mais”, referiu.

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