Como vai ser a F1 sem Bernie Ecclestone

Com a concretização da venda da F1 depois dos acionistas da Liberty Media terem aprovado os planos para o ‘takeover’, ao que se seguiu o ‘consentimento’ da FIA, que aprovou o negócio, têm sido quase ao minuto os acontecimentos na F1. O primeiro passo foi o despedimento de Bernie Ecclestone, depois de 40 anos de ‘serviços’ à F1. Logo a seguir, o regresso de Ross Brawn com o antigo diretor da Mercedes, e engenheiro na Williams, Benetton e Ferrari, a exercer o cargo de diretor executivo da Liberty para a disciplina. Vai trabalhar com Chase Carey (o presidente) e Sean Bratches, que vai ficar a gerir a parte comercial. Aqui fica a cronologia do que já se sabe:

ROSS BRAWN REGRESSA À FÓRMULA 1

Confirmando rumores nesse sentido, Ross Brawn está de regresso à Fórmula 1. Desta vez o antigo diretor da Mercedes, e engenheiro na Williams, Benetton e Ferrari, passa a exercer o cargo de diretor executivo da Liberty para a disciplina. O britânico de 62 anos – que no seu currículo tem 19 títulos mundiais, um dos quais com a sua própria equipa (BrawnGP) mostra-se radiante por estar de regresso à F1. “Gostei de ser consultor da Liberty Media nestes últimos meses e estou ansioso por trabalhar com Chase (Carey, o presidente), Sean (Bratches) e o resto da equipa da Formula One, de modo a ajudar na evolução deste desporto”, reagiu Brawn. “Temos uma oportunidade sem precedentes para trabalhar conjuntamente com as equipas e os promotores para uma melhor Fórmula 1 para eles e, mais importante, para os fãs”, sublinhou o britânico. Brawn trabalhará em estreita colaboração com o antigo vice-presidente da ESPN, Sean Bratches, que terá as funções de diretor para as operações comerciais da Fórmula 1. Chase Carey deixa uma palavra de apreço para o homem que foi substituir, Bernie Ecclestone, não esquecendo os 40 anos de dedicação à modalidade, “com um conhecimento técnico sem paralelo, experiência e relações”, dos quais toda a F1 beneficiou.

BERNIE ECCLESTONE JÁ ESTÁ FORA DA F1

Bernie Ecclestone já não faz parte da estrutura da Fórmula 1, depois de deixar a presidência após uma reunião com Chase Carey, o novo ‘Charmain’ da disciplina, realizada esta segunda-feira. Ecclestone, de 86 anos, liderou a disciplina máxima do automobilismo durante décadas, mas a sua posição foi contestada pela Liberty Media, a nova proprietária da F1, que iniciou o processo de aquisição da modalidade em setembro do ano passado, antes da compra total dos direitos do campeonato.

Na semana passada a Liberty recebeu a aprovação do negócio por parte da FIA com a publicação alemã Auto Motor und Sport a avançar a saída de Bernie Ecclestone. “Fui deposto hoje. Vou-me embora. Isto é official. Já não estou na direção da empresa (Formula One). A minha posição foi assumida por Chase Carey”, confirmou Bernie Ecclestone, que adiantou ter-lhe sido oferecido o cargo de presidente honorário da Liberty, sem que ele saiba exatamente o que isso significa.

“A minha posição é algo como uma expressão americana. Uma espécie de presidente honorário. Vou aceitar sem que saiba o que tal significa. Os meus dias no escritório vão se mais calmos”, referiu ainda o veterano britânico, cuja presença na F1 remonta à década de 1970, quando se tornou dono da Brabham. “Talvez vá a algum Grande Prémio. Ainda tenho muitos amigos na Fórmula 1 e dinheiro suficiente para ir ver uma corrida”, acrescentou Ecclestone, que não deverá manter o seu cargo no Conselho Mundial da FIA.

LIBERTY QUER RETIRAR 100 MILHÕES DE BÓNUS À FERRARI

O CEO da Liberty Media, a nova dona da Fórmula 1, já fez saber que irá retirar 100 milhões de dólares de bónus à Ferrari. Segundo Christian Sylt, num artigo publicado na Forbes, o dinheiro extra recebido pela escuderia de Maranello com base no seu estatuto e história é o dobro do recebido pela Manor, que pode colapsar antes mesmo de se iniciar a temporada de 2017. Greg Maffei garante que esta situação vai acabar: “É uma questão de equilibrar os pagamentos às equipas e conferir mais justiça. Para a Ferrari, como é de esperar, o facto de gerar mais patrocínios dá-lhe o direito de exigir mais”. O CEO da Liberty afirma que a Ferrari tem já “uma enorme receita em patrocínios” em que depender para não precisar de tanto dinheiro da empresa que gere os direitos da Fórmula 1.

CHASE CAREY: “NOS ÚLTIMOS ANOS A FÓRMULA 1 NÃO CRESCEU DE ACORDO COM O SEU POTENCIAL”

Chase Carey é a figura que irá substituir Bernie Ecclestone à frente dos destinos da Fórmula 1 após praticamente 40 anos de liderança do carismático britânico. Numa fase em que está a iniciar funções a Liberty Media, empresa da qual Carey faz parte, o novo ‘patrão’ da F1 já mostrou ao que vem. “Sentimos que nos últimos quatro ou cinco anos a F1 não cresceu de acordo com todo o potencial que tem. Precisamos de colocar tudo em ordem para que esta disciplina consiga crescer de acordo com o seu potencial. Temos de trabalhar com os nossos parceiros para que tudo seja feito em prol dos adeptos”. Já sobre o facto de ir trabalhar em conjunto com Ross Brawn, novo diretor executivo da Liberty Media, e Sean Bratches, Carey considera que estas duas figuras vão “desempenhar um papel importante no desenvolvimento da F1. O Ross é alguém com muita experiência e sucesso nesta modalidade. Queremos ter a certeza de que conseguimos fazer tudo para tornar a F1 mais entusiasmante para os adeptos no que diz respeito à acção em pista. Esse será o principal foco do trabalho do Ross”. Prestes a meter mãos à obra Chase Carey não esconde estar “muito entusiasmado com o futuro. Queremos fazer muitas coisas”.

CHASE CAREY: “ESPERO CONTAR COM OS CONSELHOS DE BERNIE ECCLESTONE

Não há muito conhecido como o ‘patrão’ da Fórmula 1 Bernie Ecclestone anunciou A sua saída de cena. Ecclestone dará lugar à Liberty Media e a Chase Carey. Numa fase em que está a ocorrer a passagem de testemunho Carey entende que não será fácil para Ecclestone adaptar-se à realidade de ser o novo presidente honorário da F1.

“Será um desafio para Bernie, mas queremos que se sinta bem. Bernie Ecclestone fará para sempre parte da família da F1 e será sempre bem vindo. Quero que continue a ter o sentimento que está inserido nesta modalidade. Claro que se trata de uma grande mudança”, referiu Chase Carey.

Com Ecclestone de partida, o novo homem forte da F1 não deixou de prestar homenagem ao seu antecessor. “Merece um enorme crédito por tudo o que construiu nas últimas décadas. O meu respeito por Bernie Ecclestone é sincero. É a pessoa que talvez perceba melhor esta disciplina, por isso penso que os seus conselhos serão valiosos. Estou ansioso por contar com a sua colaboração”.

ROSS BRAWN PRETENDE SIMPLIFICAR A FÓRMULA 1

Ross Brawn já falou das suas intenções no seu novo cargo no seio da Liberty Media. E o britânico já fez saber que pretende simplificar a Fórmula 1. O antigo diretor da Mercedes F1 Team e ex-diretor técnico da Ferrari tem pela frente um grande desafio como novo responsável técnico da modalidade, melhorando o espetáculo na pista. Nos últimos anos regulamentos complicados, uma interferência crescente de comissários quase relegaram para segundo plano as lutas pelo campeonato e pelas corridas, sendo muitas vezes culpados de retirarem atratividade à F1.

Brawn acredita que a modalidade pode ser simplificada e o espetáculo pode ganhar reduzindo a confusão que se tem instalado junto dos fãs. “Acho que a chave e o objetivo para o futuro é simplificar. Tenho assistido à F1 nos últimos anos como espetador e às vezes não percebemos que caminho se vai seguir na prova”, afirmou o britânico em declarações à Radio 5Live. “Este é um grande desporto, com uma combinação fabulosa de pilotos e as suas personalidades, a sua competição, bem como os carros e tudo o que os envolve. Precisamos apenas de ver como somos capazes de melhorar o espetáculo”, enfatizou Ross Brawn.

Questionado sobre o que é que na sua opinião os fãs da F1 desejavam, referiu: “Eles querem corridas e não têm visto isso ultimamente. Vimos uma grande competição entre dos pilotos na mesma equipa nos últimos anos, e isso não é culpa da Mercedes – eles fizeram um trabalho fabuloso. Penso que os fãs querem ver corridas, querem perceber o que se está a passar na corrida”.

“Há diferentes tipos de fãs, claro, e é ai que começa a complicação. Há os fãs que vêm às corridas, os que as vêm na televisão e os fãs que as seguem por outros ‘media’. É preciso encontrar o equilíbrio entre essas exigências”, reconheceu o novo ‘Technical Manager Director’ da F1.

“Queremos que a corrida, primeiro que tudo seja o maior grande espetáculo possível, por isso quando se venha a uma corrida no fim-de-semana se seja entretido do começo ao fim. Um entretenimento lógico. Sinto e sei pela experiência que a F1 tende a ser reativa. Isso é um problema, reage para fazer face a um problema mas raramente tem uma visão para um futuro a três a cinco anos”, sublinhou Brawn. “Por isso temos de perceber o que os fãs querem; eles querem entretenimento, querem corridas disputadas, querem ser capazes de perceber o que se passa. Acho que toda a gente concorda com isso. Agora é preciso encontrar o padrão certo com as equipas e as pessoas envolvidas nisso”, rematou o britânico

POSSIBILIDADE DE UM SEGUNDO GRANDE PRÉMIO NOS ESTADOS UNIDOS

O novo presidente da Fórmula 1, Chase Carey, apontou nomes de três cidades norte-americanas como potenciais localizações para receberem um segundo grande prémio nos Estados Unidos. A Liberty Media assumiu o controlo dos direitos comerciais da F1 na segunda-feira e substituiu Bernie Ecclestone por Carey na frente da modalidade.

A empresa norte-americana nunca escondeu que deseja aumentar a presença da F1 no seu país e Carey deseja uma prova paralela à atual prova que se disputa no Circuito das Américas, em Austin. “Gostaríamos de ter (uma segunda corrida). Os Estados Unidos são claramente uma oportunidade real para nós. Não queremos que o negócio dependa no sucesso nos EUA, mas o mercado americano é muito importante para nos”, afirmou o novo CEO da F1 à cadeia televisiva CNBC. “Gostaria de adicionar uma corrida numa cidade de destino – Nova York, Miami ou Las Vegas – sítios onde as pessoas vão para ficar para um evento de uma semana que tem múltiplas dimensões como é uma corrida no centro”, explicou Chase Carey.

O responsável da Liberty está empenhado em solidificar as provas do calendário através de eventos que sem muitos aspetos se assemelhem ao espetáculo proporcionado pelo Super Bowl – a grande final da liga profissional de futebol americano, NFL. “Penso que há uma oportunidade para eventos laterais às corridas. Tornando as nossas provas maiores, mais difundidas, melhores – falamos de ter 21 corridas, podemos ter 21 Super Bowls”, acrescentou.

QUATRO PONTOS-CHAVE PARA REVITALIZAR A FÓRMULA 1

A concretização da compra do Formula One Goup por parte da Liberty e a confirmação da saída de Bernie Ecclestone da F1, substituído por três novos elementos, Ross Brawn, Chase Carey e Sean Bratches despoletou uma catadupa de informação relativamente ao que os novos responsáveis entendem deve ser a nova F1, e para já os homens da Liberty Media destacam quatro pontos fundamentais, a marca, o digital, a democratização da F1 e a experiência de corrida.

Quanto à marca os responsáveis referem querer reforçar o seu valor, tem mais a ver com aspetos e Marketing que não têm tanto interesse para os adeptos, mas tudo o que se segue é absolutamente fundamental nessa relação adeptos/F1. O digital é um caminho que vai ser seguido, e segundo Chase Carey há aqui uma enorme oportunidade para ‘inventar’ produtos digitais à volta da F1. Dava para escrever um livro! Com isto a ideia passa por reforçar a base de adeptos, ‘convencendo’ a nova geração de jovens que podem dessa forma ligar-se à modalidade.

Depois surge a questão da democratização da F1, que passa por ter muito mais ‘input’ das equipas na evolução regulamentar e não só da disciplina, sendo que aqui serão envolvidos também os parceiros, patrocinadores, promotores e a FOM. Por fim a experiência de corrida, que visa melhorar a qualidade das corridas, criando uma experiência melhor para os adeptos, espetadores, etc.

José Luís Abreu/AutoSport