Sébastien Ogier vence Rali de Monte Carlo

Sébastien Ogier venceu o Rali de Monte Carlo depois duma luta muito equilibrada com Thierry Neuville que danificou a suspensão do seu Hyundai i20 WRC no penúltimo dia de prova, quando se preparava para entrar no dia decisivo com uma vantagem a rondar os 50s.

Também Ogier se atrasou, logo na fase inicial do rali, perdendo cerca de 40s ao cair num buraco, mas entre os dois pilotos que mais se destacaram nesta prova, Ogier teve sorte de campeão e até quando tem azar tem mais sorte que os outros. O francês manteve-se sempre por perto do belga, ora ganhando uns segundos, ora perdendo, mas quando já não parecia ser possível a Ogier chegar ao comando deste rali, eis que o erro do belga decidiu a prova: “É fantástico, estou muito feliz, agradeço a todos pelo trabalho fantástico que fizeram. A época não vai ser fácil, começámos bem, vamos ver…” disse Ogier no final. .

Excelente segundos lugar para a Toyota e para Jari-Matti Latvala, que sabendo não ter ainda carro para atacar do princípio ao fim, fez uso de toda a sua experiência para andar quase sempre num ritmo alto, mas que o colocasse longe das muitas armadilhas deste Monte Carlo, e apesar do Yaris WRC ainda ter tido alguns ‘gremlins’ mecânicos, permitiu aos dois pilotos da equipa um andamento acima de todas as expetativas, sendo a equipa premiada com um segundo lugar histórico, numa estreia muito melhor do que se antevia para a Toyota: “É fantástico, primeiro rali e logo um segundo lugar. Estou muito agradecido à equipa. Eles fizeram um fantástico trabalho, um grande esforço, e merecemos. E estou num WRC feito na Finlândia…”, disse um contentíssimo Latvala.

Se os dois primeiros do pódio têm histórias incríveis para contar, que dizer de Ott Tanak, que andou sempre durante toda a prova desde o 2º troço, realizando uma rali magnífico que quase acabava muito mal. O estónio teve um problema com o motor do Fiesta WRC no primeiro troço do último dia de prova, com o motor do Fiesta a trabalhar apenas em dois cilindros, facto que lhe colocou em risco o pódio. Contudo, o jovem estónio conseguiu atenuar os efeitos do problema e aproveitando o facto da 16ª PE ter sido anulada foi para a Power stage de faca na liga, e mesmo perdendo muito tempo, conseguiu garantir o lugar mais baixo do pódio, muito merecido, por sinal, pela classe enquanto andou sem problemas e pela combatividade quando os teve: “Sabem, foi muito duro. Até hoje fizemos tudo bem, mas…”

Dani Sordo foi quarto da geral, e resumiu no final muito bem o seu rali: “Um rali de merda!”. O espanhol nunca se entendeu com as especiais escorregadias deste Monte Carlo, só ‘aparecendo’ quando os troços estavam mais secos, pois aí todos sabem que andam muito bem em asfalto. Contudo, para um piloto com a sua experiência, devia ter feito mais: “Foi um rali muito complicado para mim, mas estou contente por ter alcançado pontos importantes para a Hyundai”.

Quinto lugar para Craig Breen, o piloto com menos pressão nesta prova, em virtude de pilotar um DS3 WRC, carro que sendo bem mais fiável neste momento que os WRC 2017, permitiu ao irlandês aprender bem o Monte Carlo e ainda levar um bom quinto lugar para casa, terminando apenas a 12 segundos do espanhol da Hyundai: “Foi um bom fim de semana, andámos bem, agora que venha a Suécia”, disse o irlandês, ansioso por se estrear com o C3 WRC.

Elfyn Evans nunca teve pneus para andar ao nível dos homens da frente no segundo dia de prova, saindo de estrada no mesmo sítio que Ogier, perdendo tempo e caindo para lá do top 10, mas no sábado, com os troços mais limpos venceu três especiais e subiu bem na classificação. Chegou a ser 12º e terminou o rali em, sexto: “Isto são os ralis na sua forma mais cruel, os nossos pneus de neve não funcionaram na 6ª feira, mas no sábado já tudo correu melhor. Começou mal e acabou bem”, disse.

WRC2 sem história

Andreas Mikkelsen foi sétimo da geral e venceu com grande facilidade o WRC2, só tendo alguma luta por parte dos seus adversários nas primeiras especiais. Desde aí, passou a controlar à distância, e provou que esta competição só vai servir para manter o ritmo. Esperemos que regresse rapidamente aos ‘grandes’: “Estou muito contente pela Skoda, parabéns rapazes. No carro fizemos um bom trabalho, estou contente com isso. Espero regressar a um Word Rally Car, é lá que pertenço. Não está fácil, mas estamos a tentar encontrar soluções” disse no final.

Stéphane Lefevbre terminou o Rali de Monte Carlo na nona posição, sendo este o único C3 WRC na classificação final: “foi um fim de semana difícil para nós, mas o mais importante nesta prova foi ganhar experiência com o carro.”

Thierry Neuville liderou o Rali de Monte Carlo na maioria da sua extensão, e estava a preparar-se para controlar a sua margem face a Sébastien Ogier até ao fim da prova, mas um pequeno erro de apreciação, deixando o carro escorregar um pouco mais do que a medida certa foi o suficiente para danificar a suspensão direita traseira e com isso perder muito tempo e qualquer hipótese de vencer, acabando por terminar o rali na 15ª posição: Penso que fomos a equipa a bater este fim de semana, quero agradecer à equipa, pois construíram um carro incrível. Muito prometedor” disse Neuville no final.

Juho Hanninen terminou o Rali de Monte Carlo na 16ª posição, numa prova marcada pelo seus acidente na 5ª especial. Recomeçou em Rally 2, terminando o primeiro rali com a Toyota mostrando sempre um bom andamento: “Muita coisa positiva a tirar deste rali. A equipa fez um trabalho fantástico com o carro”, disse no final.

José Luis Abreu / Autosport