Test drive: Ford Mondeo Vignale 2.0 TDCi Turbo

A Ford pretende atacar as marcas premium oferecendo a nova linha de equipamento Vignale, uma sub-marca onde os modelos da marca americana ganham uma identidade mais exclusiva e equipamento mais luxuoso

Para as marcas generalistas, alguns segmentos têm perdido importância, face à preferência do público pela imagem de marca de alguns concorrentes, que se especializam em automóveis que têm uma aparência mais luxuosa. Mas se é luxo que o público quer nos modelos executivos, a Ford está disposta a lutar com as marcas alemãs que dominam o segmento, ressuscitando o nome Vignale, aplicado às versões de topo dos seus modelos de maior dimensão, tornando-os mais exclusivos.

O nome Vignale sempre esteve associado ao luxo, e nos anos 50 e 60 o ‘carroçador’ italiano deu corpo (literalmente) a muitos carros dos anos iniciais da Ferrari, construindo carroçarias com acabamentos que se destacavam face ao trabalho de outros fornecedores semelhantes. A Vignale foi posteriormente integrada no Studio Ghia, entrando na esfera da Ford quando o construtor americano comprou a Ghia em 1973. Desde então, a designação Vignale foi usada ocasionalmente por alguns modelos especiais da Aston Martin (quando a marca britânica era controlada pela Ford) e protótipos da Ford. Mas agora a marca está interessada em apostar a sério nesta designação.

Tal como os carros originais que saíram do estúdio da Vignale, os novos Ford a quem é aplicada esta designação vão distinguir-se facilmente dos modelos mais comuns. Neste caso, o Mondeo é um modelo apropriado para mostrar esta sub-marca, destacando-se as suas grandes dimensões, com destaque para a habitabilidade, tanto nos bancos dianteiros como nos traseiros. Os acabamentos exclusivos da Vignale são uma boa combinação com o interior espaçoso, destacando-se a qualidade dos revestimentos em couro, no tabliê, no volante e nos bancos. Nota-se também a maior preocupação da Ford em reduzir o ruído no interior.

O Mondeo Vignale pode ser combinado com os motores mais potentes disponíveis, neste caso com o 2.0 biturbo Diesel, que vê a potência aumentada para 210 cv. Com o elevado binário máximo de 450 Nm, disponível logo desde as 2000 rpm, a resposta é imediata, mas também permite atingir acelerações progressivas até regimes mais elevados. Este motor está equipado apenas com a caixa automática de seis velocidades, que não é tão suave como algumas transmissões usadas pela concorrência, com mais relações, pelo que é necessário um pouco de cuidado para manter os consumos controlados.

Com uma suspensão de link integral no eixo traseiro, o Mondeo Vignale oferece uma boa combinação de condução confortável e de estabilidade. O condutor tem uma boa sensação de controlo, e os ocupantes não têm que se preocupar em prestar atenção às manobras do carro. Mesmo assim, não se consegue eliminar o peso do carro, de mais de 1700 kg, especialmente em trânsito urbano.

A preocupação da Ford com o luxo e o conforto estende-se também a uma boa relação entre preço e equipamento, não faltando nada de muito importante. Mesmo assim, é recomendado instalar alguns packs de opcionais, que incluem equipamentos de assistência de condução e de segurança passiva, bem como sistemas de navegação e entretenimento, mas que podem acrescentar cerca de 3500 euros ao preço final. Esta versão de 210 cv já se aproxima dos 53 mil euros antes da introdução desses equipamentos extra, o que atira o preço do Ford Mondeo Vignale para valores pouco apropriados. Existem, felizmente, versões com motores menos potentes, entre os 44 e os 47 mil euros. Comparativamente às marcas premium tradicionais, vale a pena comparar os preços, com e sem opcionais, pelo que depois a habitabilidade e conforto do Mondeo passa a ser vantajosos.

 

Ficha Técnica

Ford Mondeo – 52 856 € (Preço Base)

Motor 4 cil., 16 v., common-rail e turbo, 1997 cm3 Potência 210 cv/3750 rpm Binário 450 N.m/2000-2500 rpm Transmissão Dianteira, cx. auto. 6 vel. Suspensão McPherson à frente e link integral atrás Travagem DV/D Peso 1579 kg Mala 525 litros Depósito 63 litros Velocidade máxima 233 km/h Aceleração 0 a 100 km/h 7,9 segundos Consumo médio 5,0 l/100 km Consumo médio AutoSport 6,8 l/100 km Emissões CO2 130 g/km

José Luis Abreu/Autosport

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