Elétricos tornarão fornecedores irrelevantes em 2030

A notícia é do Automotive News e volta a colocar ênfase nas transformações que irão afetar a indústria automóvel nos próximos anos. A eletrificação em massa há muito prometida parece não ter marcha-atrás e muitos dos agentes que atuam no mercado desaparecerão caso não consigam reinventar-se.

Esta transição abrange muito mais do que os fornecedores de peças, uma vez que haverá uma redução das visitas às oficinas e um afastamento do conceito de concessionário e após-venda como hoje o conhecemos com a introdução cada vez maior de novas tecnologias.

Electric powered compressor (EPC)

De acordo com a reportagem agora divulgada, um dos primeiros negócios a cair será o dos fabricantes e preparadores de motores Diesel. Se várias marcas se desvincularem do Diesel como se começa a cogitar, até pela pressão de mercados como a França, Reino Unido ou Alemanha, será difícil manter no activo todas as empresas que entretanto foram criadas à volta do que ainda hoje é a forma de propulsão líder em muitos mercados europeus.

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Mas o maior problema que os fornecedores tradicionais enfrentam concerne as tecnologias disruptivas que surgem no mercado por intermédio de empresas tecnológicas ligadas à computação e não ao automóvel. Será difícil transformarem-se num fornecedor de baterias sem uma base química, como a LG ou a Panasonic, ou numa solução relacionada com a condução autónoma sem a experiência de um dos gigantes deste sector, como a Google, Apple ou Intel.

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Só para ter uma ideia, o Grupo LG é aparentemente responsável por 87% da unidade propulsora elétrica do Chevrolet Bolt EV. Que fornecedor independente poderia imiscuir-se nesse papel a partir de uma área que de não esteja de todo relacionada com esta matéria?

Há quem diga que 75% dos 100 fornecedores independentes líderes da indústria podem tornar-se irrelevantes até 2030 se não conseguirem perceber que peças relacionadas com os veículos elétricos devem produzir para fazer face às perdas que irão enfrentar com o decréscimo do negócio dos motores de combustão. Veículos plug-in e híbridos convencionais devem representar até 57% do mercado de veículos novos até 2030, cujo valor deverá rondar os 213 mil milhões de dólares. Será nessa altura — entre 2025 e 2030 — que os VE e híbridos plug-in deverão atingir o estatuto de mass-market, afirma o Automotive News, com base num estudo de Paul Eichenberg, antigo vice-presidente da Magna Powertrain e Magna Electronics.

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Algumas companhias como a Continental estão já a preparar-se para o futuro, fornecendo baterias de 48-volts para um conjunto de modelos híbridos, e desenvolvendo ao mesmo tempo motores para veículos elétricos, estações de carregamento de 350 Kw ou sistemas de gestão das baterias. Em 2017, a Delphi Automotive anunciou um spin-off da sua divisão para motores de combustão para se focar na eletrificação e condução autónoma.

Mas mesmo que as 100 companhias líderes do aftermarket se foquem nos elétricos de forma agressiva, nem todas poderão sobreviver com sucesso, uma vez que o número de peças de um veículo 100% elétrico (o segmento em maior crescimento no que à eletrificação diz respeito) é consideravelmente menor do que um veículo convencional equipado com um motor de combustão.