911 HLS, o Porsche mais raro (e estranho) de sempre

Em 1966, o Porsche 911 já era um caso de sucesso no mundo dos desportivos. Até aqui, a marca alemã tinha vindo a construir uma merecida boa reputação na construção de automóveis desportivos leves, ágeis e compactos, tanto para a estrada como para a pista. Com dois anos de produção, o 911 era imbatível face aos adversários de motor de 2000 cc, e era capaz de lutar de igual para igual contra alguns modelos maiores. Mas havia espaço para melhorar.

Assim, a administração da marca alemã resolveu enviar um dos seus 911 para a Universidade de Aachen. A missão destes era melhorar o modelo compacto, com uma verdadeira derivação em formato coupé. Uma área óbvia onde obter ganhos era na aerodinâmica, prejudicada pelo posicionamento dos faróis, ainda que seja esta a peça central da sua identidade, cinco décadas depois. Mas os administradores acabaram por desinteressar-se do modelo. Nesta fase, o 911 já estava a ser desenvolvido em novas versões, incluindo a leve T e a potente S, com o motor de seis cilindros a crescer em breve para 2,2 e 2,4 litros. Entretanto, a Porsche começou a trabalhar num novo modelo de entrada de gama, o 914.

O produto final foi baptizado como 911 HLS, e devolvido à fábrica. Tinha pouco em comum com o 911, embora lembrasse o anterior modelo de competição 904 em alguns aspectos. Usava também o arco de protecção do recém-introduzido 911 Targa. Sem saberem o que fazer ao HLS, encostaram-no a um canto das suas instalações e por lá ficou, com o metal a enferrujar e o motor a servir como ninho de ratos. Todos se esqueceram do carro, tanto que nenhum especialista sequer o menciona em nenhuma enciclopédia dedicada à marca Porsche e ao modelo 911. Alguém finalmente encontrou o modelo abandonado, em 2004, perguntando-se o que era, e a Porsche optou por restaurá-lo.

Manfred Hering é um dos dois especialistas mais conceituados do mundo na primeira geração do 911, e também é dono da Early 911s, uma oficina de restauro na cidade alemã de Wuppertal, não muito longe da universidade que criou a carroçaria do HLS. A Porsche ofereceu 30 mil euros a Hering para restaurar o exemplar único à sua condição original. Hering recusou, mas em contrapartida conseguiu convencer a marca a vender-lhe o carro. Já esteve em exibição ao público, mas o restauro continua, vagaroso mas meticuloso. Quando estiver pronto, o HLS voltará a andar, com o tradicional rosnar do motor boxer de seis cilindros.

Alguns elementos do HLS acabaram por ser aplicados em novos automóveis. A posição dos faróis foi usada no 935, modelo de competição que dominou as corridas internacionais durante a segunda metade da década de 1970. E o formato da traseira foi usado de uma forma mais convencional, com metal e vidro, no 924 e 928, embora aqui o motor tenha sido transferido para a secção dianteira.

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